Candidatura de Veneziano e decisão de Romero de apoiar Pedro Cunha Lima deixam João Azevedo num mato sem cachorro em Campina

Os movimentos que, desde o início do governo, João Azevedo promoveu para isolar Veneziano Vital, que via como uma potencial ameaça ao seu projeto de reeleição, enquanto buscava uma aproximação com o antigo adversário político, o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, mostraram o quanto o governador é volúvel e inconfiável.

Acreditando, talvez, num tamanho político que nunca teve, inflado pelas incensos dos bajuladores, João Azevedo deve ter acreditado que não enfrentaria uma disputa eleitoral em 2022, mas seria levado nos braços do povo a um novo mandato de governador, ele, que até 2018 era um João-Ninguem na política paraibana.

Falta a João Azevedo a capacidade de liderança política, que também se revela na incapacidade de governar, de planejar e atribuir tarefas, de cobrar e exigir resultados dos seus secretários. Deslumbrado com o cargo de governador, João Azevedo alienou-se do mundo real dos paraibanos e passou a acreditar nas avaliações e estratégias de Nonato Bandeira, aquele que conduziu Luciano Agra para o desastre.

Agora, com o iminente anúncio da candidatura de Veneziano Vital ao governo e o apoio que Romero Rodrigues declarou, hoje (28), à candidatura de Pedro Cunha Lima, João Azevedo ficou literalmente perdido em um mato-sem-cachorro em Campina Grande, o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba.

Ou seja, o governador depende cada vez mais da máquina estadual para conseguir se reeleger. Ele deve ter acreditado numa outra lorota do “estrategista” Nonato Bandeira segundo a qual basta o controle da máquina estadual para assegurar a reeleição de qualquer governador, mesmo que os exemplos históricos lancem sérias dúvidas sobre sua validade.

Em 2006, Cássio Cunha Lima, uma liderança de muito maior projeção política e de maior qualificação intelectual do que João Azevedo, foi candidato à reeleição e teve de enfrentar dois turnos dificílimos contra José Maranhão. Aliás, o próprio Cassio foi eleito na oposição, derrotando o então governador Roberto Paulino.

Em 2010, foi a vez de Ricardo Coutinho vencer José Maranhão sentado na cadeira de governador.

E comparem essas personalidades da política paraibana com o minúsculo João Azevedo.

Se o governo João Azevedo fosse mesmo essa Brastemp, como Nonato Bandeira deixou claro que pensa que é durante a entrevista que concedeu ontem à Arapuã, não haveria recusas para convites para entrar na chapa de reeleição do governador.

É que todos sabem onde estão pisando. E o solo da futura campanha de João Azevedo é cada vez mais parecido com piso de um barco que está afundando.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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