Em entrevista ao Mangabacast, Ricardo Coutinho revela detalhes de como foi traído por João Azevedo

O ex-governador e candidato ao Senado pelo PT, Ricardo Coutinho, concedeu ontem à noite (7/2) entrevista ao Mangacast, no Youtube, programa de entrevista comandado por Adelton Alves e Marcelo Lira.

Entre tantos assuntos debatidos durante as duas horas e meia de entrevista, Ricardo Coutinho tratou do rompimento com o atual governador, João Azevedo, que demonstrou, segundo Ricardo, ser incompetente e preguiçoso por não saber liderar nem acompanhar o dia-a-dia do governo, como era feito por Ricardo..

RC revelou que ficaram em caixa mais de R$ 500 milhões para a conclusão das obras em curso para não ser acusado de deixar como herança dívidas para o futuro governo.

Por exemplo, se fossem verdadeiras as denúncias que Ricardo Coutinho tivesse estabelecido relações espúrias com a Cruz Vermelha, o então governador poderia ter adiantado os pagamentos da Cruz Vermelha, assegurando recebimentos futuros, e não o fez.

Ricardo voltou a cobrar do Gaeco apresentação das provas de enriquecimento ilícito nos processos da Operação Calvário, até agora, segundo ele, inexistentes, e previu que, assim como aconteceu na Lava Jato, a Calvário se revelará também uma farsa para tirá-lo da política, “já que, no voto, eles não conseguiriam”.

O ex-governador citou exemplos de que não houve sobrepreço nos contratos feitos com a Cruz Vermelha. Em um deles, comparou os valores do contrato do Hospital de Traumas de João Pessoa com o de um hospital de Goiânia (GO), também administrado por uma OS, os dois do mesmo porte. Enquanto o Trauma custou aos cofres públicos da Paraíba R$ 12 milhões, a OS que administrava o de Goiânia recebia R$ 19 milhões.

“Uma diferença brutal! Um hospital [de Trauma] que saiu de 4 mil procedimentos cirúrgicos, em 2010, para 18 mil em 2018! Saiu de 148 leitos para 331!, completou RC.

Ricardo acusou João Azevedo de tentar forjar a ideia de que houve superfaturamento ao cancelar os contratos com a Cruz Vermelha e contratar outras OSs a um custo mais baixo. A fraude se revelou seis meses depois quando a OS contratada desistiu de participar da renovação do contrato alegando repasses insuficientes para a manutenção do hospital.

Foi essa a razão, segundo Ricardo Coutinho, que levou o governo a fechar o HHTop, um hospital com 110 leitos, sendo 10 de UTI, e 3 salas cirúrgicas, que funcionava como retaguarda do Trauma e custava no mínimo R$ 3,8 milhões. Somando tudo, quem saiu no prejuízo foi o governo e o povo da Paraíba.

“Não há superfaturamento e tentou-se criar falsamente uma prova de superfaturamento que não existia”

Quando questionado por Adelton Alves se, “nas entrelinhas”, Ricardo deixou a entender que João Azevedo se juntou ao Ministério Público para incriminá-lo, o ex-governador foi enfático e direto:

Eu disse isso mesmo, não deixei nada nas entrelinhas, não. E eu tenho como provar.

Ricardo reafirmou seu respeito pelo Ministério Público, deixando claro que não considera que os procedimentos de alguns membros do Gaeco durante a Operação Calvário possam ser estendidos a toda a instituição.

Quando tratou das eleições, Ricardo disse que será candidato ao Senado e que provavelmente nos próximos dias a direção nacional do PT anunciará quem deve apoiar para o governo da Paraíba, Veneziano Vital do Rego ou Lígia Feliciano.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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