João Azevedo começa a dar sinais de que pode desistir da reeleição

Ao longo das últimas semanas, governistas apregoaram que Veneziano não seria candidato e não teria o apoio do PT. Diziam também que Ricardo Coutinho não seria candidato. Desmentidos pelos fatos, ensaiam agora um novo diversionismo: o de que, após a filiação ao PSB, João Azevedo terá o apoio do PT, via Federação.

Como o governador cultivou durante muito tempo a ilusão de que não teria candidatos/as fortes o suficiente para enfrentá-lo nas urnas (lembram da piada que ele venceria por WO?), começo a suspeitar que, por trás desses esforços inúteis, foi colocado em marcha um movimento que servirá de justificativa para o governador desistir de disputar a reeleição.

Tenham calma que eu explico.

Sobre a possibilidade da Federação forçar uma mudança na decisão já tomada e anunciada de apoiar a chapa Veneziano governador-Ricardo Coutinho senador. Primeiro, é bom que se registre que nenhum partido que negociou os termos do acordo da Federação, à exceção do PT, vetou a aliança na Paraíba do PT com o MDB – nem o PSB, nem o PCdoB, nem o PV tinham candidatos a governador, lembram? E não será a tardia entrada de João Azevedo no PSB que invalidará essas negociações – como escrevi ontem por aqui, João Azevedo demorou demais em concluir o óbvio e, portanto, esse jogo já foi jogado, não havendo motivos para o recuo em uma decisão longamente analisara, que contou com a anuência do próprio Lula e foi festivamente comemorada ontem.

Dizer o contrário é questionar os acertos políticos nacionais no âmibito da Federação, entre PT e MDB, e, no limite, colocar em dúvida a palavra do próprio Lula.

Ou seja, difundir a fake news de que a Federação é quem vai decidir sobre quem vai ser o candidato a governador na Paraíba é só mais uma tentativa de evitar reconhecer uma derrota estratégica, estendendo artificialmente um debate que imobilizará a base de João Azevedo, e não impedirá que Veneziano Vital e Ricardo Coutinho comecem a percorrer juntos o estado.

Essa atitude só é reveladora do medo que João Azevedo tem de enfrentar essa poderosa aliança entre PT e PMDB, entre Veneziano Vital e Ricardo Coutinho. João Azevedo e seu séquito temem, sobretudo, o julgamento que o eleitor fará do seu governo, que será exposto na campanha sem os caros cosméticos comprados pela Secom que disfarçam a feiúra de uma administração raquítica, frágil, anêmica de realizações. Na campanha, a administração de João Azevedo será mostrada ao eleitorado sem filtros e o que surgirá será a imagem viva de um largo retrocesso político e administrativo promovido pelo governador nos últimos quatro anos.

Há outra hipótese que não deve ser descartada. Ao entrar no PSB sabendo de antemão dos acertos entre Lula, Veneziano e Ricardo, João Azevedo aceitou cumprir o papel de ajudar na implosão da federação com o PT, objetivo perseguido por Carlos Siqueira desde o início desse debate. Notem que o presidente nacional do PSB foi acionado para confirmar a filiação de João Azevedo ao partido logo após a reunião que ratificou o apoio do PT à candidatura de Veneziano, da qual participou Márcio Macedo, enviado da direção nacional petista e espécie de porta-voz interno de Lula.

Em seguida, imediatamente após a divulgação no ato de lançamento da candidatura de Veneziano, João Azevedo confirmou sua filiação ao PSB com um ato marcado às pressas. As notícias de implosão da Federação, que começaram a ganhar destaque na semana passada, dominaram o noticiário político ao longo do dia de ontem.

As duas hipóteses esboçadas acima não são necessariamente antagônicas. Pelo contrário, elas se complementam quando pensamos nos movimentos recentes de João Azevedo, que beiram o improviso, o que demostra o vazio político de sua personalidade, seu pragmatismo desprovido de qualquer visão estratégica, seu conservadorismo.

Notem que enquanto tenta lançar confusão no debate político da Paraíba tentando se amparar numa fictícia defesa da Federação de esquerda (ele que ainda é filiado ao direitista Cidadania), João Azevedo mantém firme a disposição de fazer aliança com o PP de Cícero Lucena e da família Ribeiro, e com o União Brasil, de Efraim Moraes, partidos que, hoje, tendem a apoiar Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, respectivamente.

Eis a verdadeira face política de João Azevedo. Abraçado ao conservadorismo mais tacanho, e fazendo uma administração medíocre, o governador se vê cada vez isolado, sem discurso e cada vez mais sem força política para reverter uma derrota que, a cada dia, se torna mais previsível.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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