Mesmo com PSB na Federação, PT pode fazer coligação com MDB de Veneziano; SAIBA POR QUÊ

Tenho chamado a atenção para o uso do diversionismo como principal recurso de setores da nossa imprensa (os de sempre) para evitar uma abordagem da política estadual fundada nos fatos. O diversionismo é uma tática utilizada para desviar a atenção e evitar o debate sobre o que realmente interessa.

Não por acaso, esse é o recurso mais usual da imprensa bolsonarista e do próprio presidente da República. Sempre que surge uma assunto incômodo ao governo federal, o presidente lança mão de uma fake news para desviar a atenção.

Depois do ato de lançamento das candidaturas do senador Veneziano Vital do Rego e do ex-governador Ricardo Coutinho, com vídeo da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman, saudando o evento, o novo diversinismo (ou fake news, como prefira) do governismo na imprensa é espalhar que a Federação PT-PSB pode alterar a decisão do partido de Lula de apoiar o emedebista.

Nada mais falso, nada mais fake.

Para tanto, basta uma leitura da Lei Nº 14.208, que criou as federações partidárias. Primeiro, a lei não faz qualquer referência à obrigatoriedade de junção dos partidos membros nas eleições majoritárias, como acontece nas eleições proporcionais. Pelo contrário. Se acabaram as coligações partidárias nas eleições proporcionais, que os partidos faziam até 2017 livremente, o critério que passa a valer agora é o da Federação, que obriga os partidos membros a estarem juntos em todo o país por quatro anos. O partido que não estiver em uma Federação não poderá se coligar a outros partidos na mesma condição nas eleições para deputados e vereadores.

Já as coligações majoritárias, que têm uma caráter temporário, ou seja, valem para cada eleição, continuam valendo.

Vejam como o TSE ecplica essa situação:

Desde 2017, as coligações foram extintas nas eleições proporcionais, que elegem representantes políticos para as casas legislativas (cargos de deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador). No entanto, a legislação continuou a permitir a união de partidos em torno de uma única candidatura nas eleições majoritárias (para os cargos presidente, senador, governador e prefeito).

A página da Câmara dos Deputados repete essa mesma informação:

As coligações têm natureza eleitoral, são efêmeras e se extinguem após as eleições. Os partidos ainda podem se coligar para lançar candidatos nas eleições majoritárias: para prefeito, governador, senador e presidente da República.

Acho que não é preciso desenhar, não é mesmo?

Então, por que a insistência de certos “jornalistas” em desinformar o público leitor, ou de forma deliberada ou por desconhecimento? Para desviar a atenção e manter o foco em disputas (já superadas) com o objetivo de evitar o debate do essencial em ano de eleição: o desastre administrativo que é o governo João Azevedo.

Não, João Azevedo não terá o apoio do PT, e essa é uma decisão já tomada. O resto é choro de quem já sabe que será derrotado.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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