João Azevedo pisca para a esquerda, mas anda agarrado mesmo é com a direita

Bastou sentar na cadeira de governador para João Azevedo se despir das vestes que escondiam quem de fato ele era e anunciar aos quatro cantos suas predileções política e ideológicas.

Menos de um ano depois de abandonar Ricardo Coutinho à própria sorte, João Azevedo não só se filiou ao direitista Cidadania, um partido visceralmente antipetista, como passou a assumir publicamente o namoro com Aguinaldo Ribeiro, um dos mais proeminentes líderes do Centrão, e cuja irmã, Daniella, tinha acabado de derrotar o petista Luiz Couto, alvo de fake news, na disputa para o Senado.

O namoro com os Ribeiro viraria casamento na eleição de 2020, quando o governador apoiou outra figura proeminente da direita antilulista da Paraíba, Cícero Lucena, também do Progressistas, apoio que foi decisivo para levá-lo ao segundo turno na eleição de João Pessoa, contra o bolsonarista Nilvan Ferreira.

Enquanto João Azevedo mantinha os aderentes do PT e da tal “esquerda” paraibana na periferia do governo, dava cada vez mais espaço ao conservadorismo. Tanto que outro antipetista de carteirinha e assumidamente de direita, Efraim Filho, do União Brasil, passou a liderar dentro da base do governo, um movimento de reação ao imenso poder que o Progressistas acumulava, e entrou na disputa pelo coração já comprometido de João Azevedo, lançando-se ao Senado para bater de frente com o então candidato do governador.

Restava a esquerda no governo continuar batendo palma e chupar o dedo.

Com o apoio declarado de lideranças do governo, claramente incomodadas com os acertos de cúpula de João Azevedo com Cícero e Aguinaldo, lideranças do governo começaram a aderir à candidatura de Efraim Filho.

A disputa entre Aguinaldo-Cicero Lucena e Efraim Filho evoluiu para a faca no pescoço de João Azevedo, que agora experimenta a ameaça das cobras que ajudou a criar. Com o lance decisivo do apoio do Republicanos, que atraiu boa parte da base azevedeana, Efraim agora é o favorito para ocupar a única vaga de senador na chapa de João Azevedo.

A reação à mais nova traição de João Azevedo parece estar em curso, e inclui a possibilidade de Daniella Ribeiro entrar na disputa para o governo e se tornar mais uma concorrente ao cargo.

Hoje, João Azevedo vai piscar de novo para a esquerda no ato de filiação ao PSB e desfiliação do Cidadania. Enquanto assina a ficha, o governador certamente estará projetando a campanha, agora com Efraim Filho à tiracolo.

E essa turma quer que Lula suba nesse palanque?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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