Candidatura de Pedro Cunha Lima precisará de um plus para ir ao segundo turno

Por mais que tenha tentado se afastar de Jair Bolsonaro nos últimos meses, a candidatura de Pedro Cunha Lima vai inexoravelmente se tornar o pólo de atração do bolsonarismo na Paraíba.

Isso por que a memória do cassismo e a capacidade de transferir votos do hoje patriarca político, Cássio Cunha Lima, talvez não sejam suficientes para levar o legítimo herdeiro da família ao segundo turno. Pedro precisará de um plus e esse plus só está disponível na extrema-direita bolsonarista, mesmo que esta procure se apresentar hoje, pelo menos à porta, como se fosse um museu (ou uma igreja evangélica) de grandes novidades.

Isso porque há um cálculo comum entre os candidatos da oposição de que João Azevedo é favorito a passar para o segundo turno, mas dificilmente vencerá a eleição, já que a tendência é todos se unirem para derrotar o governador no turno decisivo.

Veneziano Vital do Rego e Pedro Cunha Lima já trocaram juras de compromissos mútuos para quando chegar a hora de trocarem as alianças. Os dois contam com a possibilidade de ter os votos um do outro no segundo turno e, no caso de Veneziano, se não o apoio, pelo menos os votos do bolsonarista Nilvan Ferreira. Resta saber se Lígia Feliciano vai até o fim com sua candidatura ou se dará marcha à ré nas suas pretensões. O PSB virou uma opção a mais para Damião Feliciano.

O problema é que numa eleição que tende a ser fragmentada, com candidatos com potencial de votos que tende a superar facilmente os 10%, a disputa pela segunda vaga no segundo turno tende a ser encarniçada, e isso sempre se desdobra no acirramento das críticas de ambos os lados. E não há pacto de não-agressão que se sustente nessas condições de beligerância. No final, sempre prevalece o salve-se quem puder.

De todo jeito, o movimento de Pedro Cunha Lima para atrair o voto bolsonarista está correto. Não descarto até a possibilidade da candidatura de Nilvan Ferreira ser retirada para que o presidente Jair Bolsonaro tenha um único palanque em apoio à sua candidatura. Tempo para construir esse desfecho todo mundo tem de sobra.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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