O erro de Frei Anastácio ao confrontar Lula

Para se ter uma ideia da confrontação que aconteceu ontem na Paraíba, tente imaginar oponentes com forças desproporcionalmente distintas. Por exemplo, Rússia e Ucrânia. Nesse caso, a imaginação é dispensável, bastando acompanhar o noticiário.

Foi mais ou menos o que aconteceu quando o deputado federal petista Frei Anastácio resolveu confrontar nada mais nada menos que a maior liderança política do pais e candidato à presidência que lidera as pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva.

Ao ser questionado sobre a declaração dada por Lula durante entrevista concedida ao jornalista Josivan Antero, da rádio Espinharas de Patos, em que o ex-presidente ratificou a posição do banda do PT paraibano que apóia à candidatura do senador Veneziano Vital do Rego ao governo do estado, Frei Anastácio retrucou com as seguintes palavras:

“O que ele[Lula] disse é problema dele ou de Gleisi [Hoffman]. O deputado Frei Anastácio vai votar em João Azevedo e fazer campanha (…) E ponto final”

Anastácio ainda lembrou que 72% do Diretório Regional do PT da Paraíba acompanha a posição de apoio a João Azevedo. Se é legítimo contestar essa posição de Lula e lutar para que ela seja modificada, tenho dúvidas dos efeitos políticos que essa confrontação pública pode gerar.

Primeiro, porque não há critério adequado para comparar o peso político e eleitoral do deputado federal petista com o de Lula dada a evidente desproporção entre os dois. Segundo, ao confrontar publicamente Lula, expondo com essas palavras suas divergências, Anastácio apenas ajuda a prolongar um debate que, por razões óbvias, claramente não o interessa. Nem a ele nem a João Azevedo.

Ao invés questionar a posição de Lula, o deputado federal poderia ter dito que vai continuar trabalhando para convencer o ex-presidente a mudar de opinião sobre o apoio a Veneziano, e que terá tempo para isso, já que as convenções só acontecem em agosto. Poderia também lembrar que o candidato do PT à presidência precisa de mais informações sobre o que acontece na Paraíba, que o PT compõe governo de João Azevedo desde o primeiro dia, que João Azevedo é um apoiador de Lula.

O que Frei Anastácio não poderia ter feito era desdenhar de Lula com um “o problema é dele” porque soa desrespeitoso, o que é uma péssima atitude para quem quer ter o ex-presidente no palanque de João Azevedo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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