Rompimento de Efraim Filho pode ajudar a equilibrar perfil da chapa de João Azevedo

A carta de demissão de Efraim Morais, o pai, da Secretaria de Agricultura, entregue pessoalmente ao governador João Azevedo, apenas formaliza um rompimento político já marcado para acontecer.

Efraim, o filho, agora está livre da última amarra que o prendia ao governo para voar para o ninho tucano e se sentir no aconchego de casa. Antipetista e antilulista de carteirinha, o candidato a senador do União Brasil militou ardoroamente pela causa do impeachment de Dilma Roussef e, desde então, foi apoiador na Câmara dos Deputados das agendas regressistas e anti-povo dos governos que se seguiram ao golpe parlamentar de 2016: o de Michel Temer e o de Jair Bolsonaro.

O rompimento de Efraim Filho que pode ser lido como uma perda para o governador João Azevedo, já que é comum tratar eleição como uma soma de apoios. Eu tenho dúvida se certos apoios como o de Efraim Filho, representam mais ganhos do que prejuízos.

Pela dimensão – artificial? – que Efraim, o filho, ganhou ultimamamente, a presença de um político com essa trajetória marcada por um conservadorismo militante, causaria, sem dúvida, um desequilíbrio que poderia prejudicar João Azevedo. Sobretudo se ele aceitasse ser vice de João Azevedo, como foi ventilado. Dessa maneira, teríamos na mesma chapa, além de Efraim, a presença de Aguinaldo Ribeiro, outro político que, apesar de discrição e do pragmatismo, é tão conservador quanto Efraim Filho.

João Azevedo não pode cometer o mesmo erro que José Maranhão cometeu em 2010 de achar que a máquina é suficiente para reelegê-lo. É preciso considerar os adversários e projetar o ambiente político em qua a eleição vai acontecer. Ou seja, numa disputa na qual um dos adversários a serem batidos, Veneziano Vital, tem o apoio do ex-governador Ricardo Coutinho, em um estado onde o ex-presidente Lula tem potencial para superar a votação que Fernando Haddad (Fernado Haddad) obteve em 2018 (65% dos votos), é recomendável levar em conta o perfil da chapa.

Enfim, ao romper unilateralemente com João Azevedo, Efraim Filho pode estar contribuindo para a eleição de João Azevedo, isso se o governador levar em conta o que apontei acima.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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