Republicanos, família Ribeiro e Cícero Lucena querem a mesma coisa: indicar o/a vice de João Azevedo

A declaração que Daniella Ribeiro deu, ontem, em entrevista concedida ao programa comandado pelo jornalista Heron Cid, na Pop FM, trouxe de novo à tona as insatisfações que a senadora manifestou ao longo de todo o governo. Segundo o que Daniella disse ontem, ela “não é da base, nem nunca foi da base do governador João Azevedo”.

A surpresa é apenas em relação ao timing, já que as relações políticas de proximidade e aliança entre João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena nunca deixaram margem para dúvidas. Isso até ontem. Daniella Ribeiro rememorou as declarações polêmicas, com a que ela deu em fevereiro do ano passado, quando reclamou ostensivamente da desatenção do governador com os aliados:

“Até para dizer não a gente tem que ter diálogo. Sequer uma relação institucional eu tenho. Sou oposição, ele sabe disso”.

Talvez haja nesse comportamento uma insatisfação latente quanto à prioridade dada por seu grupo à candidatura do irmão, Aguinaldo Ribeiro, ao Senado, quando ela poderia estar na disputa para o governo, assim como fez seu colega de Senado, Veneziano Vital do Rego, que pode se arriscar sem perder o mandato. Na Paraíba, apenas os dois se encontram nessa confortável condição.

Como talvez seja tarde para Daniella Ribeiro se lançar na disputa para o governo, já que estamos em abril e os palanques dos possíveis adversários estão praticamente montados, o mais provável é que a prioridade do grupo continua sendo eleger Aguinaldo Ribeiro para o Senado. Além disso, a candidatura de Daniella seria mais uma a disputar o voto conservador.

A declaração de ontem de Daniella Ribeiro, entretanto, pode ter introduzido o elemento que estava faltando para entender melhor o caos que se instalou no palanque de João Azevedo: a disputa pela indicação do vice do governador candidato à reeleição envolve outro (ou outra) personalidade que se mantém até agora atrás das cortinas.

Como quem ocupar o cargo de vice se projetará imediatamente como futuro governador em 2026, a não ser que João Azevedo prefira se auto-imolar, como fez Ricardo Coutinho, mais do que a distribuição dos prefeitos que apóiam Aguinaldo Ribeiro, o Republicanos quer mais. O problema é que eles querem o mesmo que Aguinaldo Ribeiro, Daniella Ribeiro e Cícero Lucena.

Vai ser jogo duro até julho.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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