Montagem das chapas proporcionais mostra que Veneziano sobreviveu à tempestade

Encerrado o prazo de mudança partidária, o saldo político dessa fase da pré-campanha de 2022 não provocou grandes supresas, a não ser mudanças de ultima hora, como a guinada de 180º graus do deputado federal Damião Feliciano, que trocou o PDT pelo União Brasil, e o completo esvaziamento do PSDB com os antigos quadros do cassismo se espalhando por vários partidos numa corrida desesperada pela sobrevivência.

Se Romero Rodrigues ainda hoje chora a perda do PSD para Daniella Ribeiro, essa vitória de última hora dos Ribeiro não foi capaz de tirar a dúvida sobre qual o destino da família: se vão apostar tudo na eleição de Aguinaldinho para o Senado, sacrificando a candidatura do sobrinho, Lucas Ribeiro, a deputado federal, ou se o chefe político do clã continua na Câmara. Em qualquer situação, parece que vai sobrar para o filho de Daniella Ribeiro, e isso talvez explique a irritação da senadora.

Isso é só espuma, entretanto. Medir o potencial eleitoral das chapas majoritártias pela projeção das cadeiras que cada partido tende a fazer no Congresso tem sido um erro recorrente por aqui.

Em 2018, por exemplo, o PSB da Paraíba elegeu o governador da Paraíba em primeiro turno e fez apenas um representante para a Câmara dos Deputados. Em 2014, quando Ricardo Coutinho se reelegeu derrotando o até então imbatível Cássio Cunha Lima, o PSB não elegeu nenhum deputado federal, repetindo o mesmo desempenho de 2010. Aliás, em 2010, o PMDB de José Maranhão elegeu a maior bancada para a Câmara (4 deputados federais) e todo mundo sabe o resultado da eleição para governador.

Isso quer dizer que não existe simetria entre a formação das chapas proporcionais e o desempenho eleitoral dos candidatos ao governo e ao Senado. Se assim fosse, por exemplo, o segundo turno entre João Azevedo e Pedro Cunha Lima estaria marcado – e mesmo assim, se o governador mantiver o apoio do Republicanos e do Progressistas, o que é provável, mas ainda incerto.

No caso da composição partidária liderada por Veneziano Vital do Rego e Ricardo Coutinho, é preciso observar com mais atenção e menos pertidarismo. Quem esperava um esvaziamento da candidatura de Veneziano Votal do Rego em razão da formação das chapas proporcionais não viu suas expectativas confirmadas. A projeção é que esse bloco eleja, pelo menos, três deputados federais (2 pelo PT e 1 pelo MDB).

É preciso ainda esperar pela contingência de uma eleição que promete ser muito nacionalizada, principalmente aqui no Nordeste. Se houver o casamento da campanha presidencial com as campanhas estaduais para o Congresso, como pretende Lula, num esforço inédito de educação política do eleitorado, podemos ter surpresas em outubro e tanto a votação dos candidatos ao parlamento que darão sustentação ao governo Lula, caso eleito, quanto o voto de legenda, podem surpreender em 2022.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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