PSD CONTINUA NA OPOSIÇÃO: Declarações de Daniella Ribeiro mostram o tamanho da crise na base de João Azevedo

É inusitado constatar, mas é isso mesmo: a seis meses da eleição, o único candidato a governador que não dispõe de um nome para ocupar a vaga de senador é exatamente João Azevedo, que, segundo avaliação de aliados próximos no final do ano passado, venceria a eleição por WO.

Ao contrário, o que se vê hoje é o caos político e a divisão que predominam entre os partidos da base (?) do governador. O Republicanos anunciam para quem desejar ouvir que se recusam a votar em Aguinaldo Ribeiro, preferindo seguirem com Efraim Filho, candidato a senador na chapa oposicionista do tucano Pedro Cunha Lima. Para piorar ainda mais o que já está ruim, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, passou a admitir ser candidato ao senado, o que tende a intensificar ainda mais a divisão. O pior de tudo é ver João Azevedo continuar calado enquanto lideranças proeminentes de sua base de apoio estão em guerra aberta.

Se não não bastasse tanta crise, a senadora Daniella Ribeiro resolveu colocar ainda mais fogo na fervura e o caldeirão em que se transformou o grupo político do governador João Azevedo deve ter alcançado o ponto de ebulição. Em mais uma entrevista bombástica, agora concedida ao jornalista Luís Torres, durante o programa Frente à Frente, da TV Arapuã, a nova presidenta estadual do PSD chegou a defender o lançamento da candidatura avulsa do irmão, Aguinaldo, ao Senado. Não só. Daniella deixou em aberto a possibilidade de se lançar candidata ao governo: “É preciso tranquilidade para que as coisas aconteçam no seu tempo”. Quem sabe não seja essa a solução para a unidade entre Progressistas, Republicanos e PSD? Já não descarto nenhuma hipótese.

O pior para João Azevedo veio depois. Depois de ter dito na semana passada que “nunca pertenceu à base de João Azevedo”, ontem Daniella Ribeiro se descolou ainda mais do governador. Quando perguntada se a perda do controle do PSD pelos Cunha Lima deverá provocar um rompimento entre as duas famílias em Campina Grande, Daniella Ribeiro foi enfática ao dizer que não há razão para isso, já que o PSD “continua na mesma posição de oposição ao governador João Azevêdo”. A hipótese de uma unidade em torno de Pedro Cunha Lima também não pode ser descartada, não é mesmo?

Os fatos relatados acima dão a dimensão do tamanho da crise que assola o grupo político que apóia (?) a reeleição de João Azevedo, crise motivada pela incapacidade do governador para exercer sua autoridade política para administrar conflitos, impedindo que eles ganhem a dimensão que adquiriram, hoje. Falta tempo e faltam espaços para atender à diversidade de interesses e forças em conflito.

Há outro componente que talvez seja a razão principal da crise: a falta de discurso para defender as realizações de uma administração que tem muito pouco o que mostrar ao eleitorado. A seis meses da eleição, a crise na base de João Azevedo parece ter chegado a um ponto sem volta. Talvez tenha chegado a hora do Progressistas e do Republicanos observarem alternativas.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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