Pesquisas manipuladas na França tiram Jean-Luc Mélenchon do 2° turno

Pesquisas divulgadas às vésperas da eleição presidencial na França, cujo primeiro turno aconteceu ontem (10/04), indicavam um segundo turno entre o candidato da direita neoliberal tradicional (Em Marcha!) Emmanuel Macron, e a candidata da neofascista Assembleia Nacional, Marine Le Pen.

Segundo os números da Elabe Opinion, por exemplo, divulgada pela TV BFM na sexta-feira (8), Macron pontuava com 25%, enquanto
Le Pen seguia apenas 1 ponto atrás, num rigoroso empate técnico. A mesma pesquisa dava a Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, de programa abertamente crítico do neoliberalismo, com 17,5%, a 6,5 e 7,5 pontos percentuais de Macron e Le Len.

Abertas as urnas, Mélenchon obteve 4,5% além do que previam as pesquisas, ficando a apenas 1,4% de Marine Le Pen (23,4 a 22%), enquanto Macron, que estava em queda nas pesquisas, foi a 27,6% indicando que, possivelmente, parte do eleitorado de Mélenchon, acreditando na inviabilidade de sua ida ao segundo turno, preferiu o voto útil em Macron já no primeiro turno.

Mélechon defende aposentadoria aos 60 anoa, aos invés dos 65 anos, aumento do salário mínimo para 1400 euros, renda de 1063 euros para estudantes, redução de impostos Lara quem ganha até 4 mil euros, e tributação maior para quem tem patrimônio acima dos 12 milhões, criação de 500 mil vagas em creches, ampliar ok acesso a isolamento térmico para 700 mil residências ao ano, criação de um programa de investimentos públicos de 250 bilhões de Euros. Mélechon fechou sua campanha com um comício que reuniu mais de 100 mil pessoas em Paris.

Enquanto cresce eleição a eleição – a votação que Mélenchon obteve em 2022 foi dois pontos percentuais acima da votação obtida em 2017 (20%), que, por sua vez, foi 9% maior do a de 2012 (11,1%), – Macron e Le Pen mantêm-se nos mesmos patamares, alimentando-se um do outro, mas sem oferecerem nada de novo a uma França que vê cair, ano a ano, sua qualidade de vida para a maioria dos franceses, enquanto uma minoria acumula cada vez mais riquezas (as 100 maiores fortunas dobraram de tamanho durante os últimos dois anos de pandemia).

Quantos pontos percentuais em votos as pesquisas retiraram de Jean-Luc Mélenchon, que estava em clara ascensão na reta final da campanha na França. É difícil dizer, mas não seria a primeira vez que elas induziriam o eleitor a mudar de voto.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: