PESQUISA IPESPE EM SP: Lula continua sem perder votos; Bolsonaro e Ciro precisam que isso aconteça

Pesquisa IPESPE divulgada hoje (11/04) sobre a eleição presidencial em São Paulo mostra crescimento de Jair Bolsonaro, que, no cenário sem Sérgio Moro na disputa, cresceu quatro pontos percentuais em relação à ultima pesquisa realizada em fevereiro. Lula manteve os 34%.

Ciro Gomes agora tem 8% no maior colégio eleitoral do Brasil.

Dois registros sobre o resultado dessa pesquisa:

Primeiro, as “previsões” catastróficas feitas por “analistas” (ou torcedores?) depois das declarações consideradas polêmicas de Lula, sobretudo a que ele defendeu o direito à assistência médica em caso de mulheres que desejarem abortar, ao que parecem não causaram nenhum impacto negativo nos índices de Lula – e São Paulo é um estado de um conservadorismo militante.

É a velha subestimação da inteligência do nosso povo, incluindo aí muita gente de “esquerda” que se pela de medo só de mencionar essa questão no debate público. Talvez seja preciso esperar mais, porém, intuo que Lula fez certo em antecipar esse debate.

Segundo, o resultado de São Paulo mostra que Bolsonaro apenas herdou votos de Sérgio Moro, e nem todos. Lula não ganhou votos, mas segue sem perdê-los, e no caso de um candidato que namora já há alguns meses com uma vitória em primeiro turno, trata-se de um feito e tanto. A situação fica mais dramática para Bolsonaro quando o cenário de segundo turno é testado. Nese caso, entre os eleitores paulista, Lula cresce 13 pontos percentuais e vai a 47%, enquanto Jair Bolsonaro acrescenta menos da metade e vai 36%.

Se o quadro atual persistir até o início da campanha, com Lula mantendo índices nacionais próximos dos 45% (quando só os votos válidos são considerados, Lula beira os 50%), a possibilidade de a eleição ser revolvida já no primeiro turno se torna bastante factível. E mesmo com a realização de um segundo turno, uma derrota de Lula para Bolsonaro se torna muito improvável, já que o voto antibolsonarista parece ser a tendência dominante em 2022, assim como foi o voto antipetista em 2018.

Isso significa que Bolsonaro, assim como Ciro Gomes, precisam que Lula perca votos, o que não acontece desde que o petista ultrapassou a casa dos 40% nas pesquisas.

E a campanha nem começou.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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