Por que João Azevedo prefere enfrentar Pedro Cunha Lima e não Veneziano no segundo turno

Desde que o começou a se reunir com Luís Inácio LULA da Silva, isso em meados do ano passado, o agora candidato da coligações PT-MDB ao governo da Paraíba, Veneziano Vital do Rego, recebe ataques e especulações de desistência da candidatura que nunca se confirmam.

É quase uma obsessão com o senador da parte da campanha de João Azevedo, o que revela a estratégia do governador, mas, também, o receio de enfrentar no segundo turno, agora considerado inevitável, a ascendente liderança de Veneziano – à liderança política do senador paraibano se agrega à inegável força política e eleitoral de Ricardo Coutinho, sobretudo no interior do estado, ambos reunidos no palanque nacional de Lula.

Por que João Azevedo teme a candidatura de Veneziano

Apesar de não ser recomendável à campanha do governador considerae João Azevedo desde já no segundo turno, esse é o cenário mais provável. Não pela liderança política de João Azevedo, que inexiste, mas pela força da máquina estadual, que praticamente obriga prefeitos, sobretudo das pequenas cidades carentes de obras e serviços, a apoiá-lo.

Desde a volta das eleições para governador, em 1982, a Paraíba jamais viveu uma eleição com três candidaturas competitivas – a que mais se aproximou desse cenário foi a eleição de 1990, porém, a candidatura de José Agripino (PRN), com o apoio do então governador Tarcísio Buriti, foi apenas para marcar posição. A eleição de 1998 não houve segundo turno porque foi resolvida na convenção do PMDB. Ou seja, o que marca as disputas para governador desde 1982 é uma polarização que sempre dividiu o eleitorado paraibano ao meio.

Em 2022, teremos três candidatos competitivos disputando duas vagas no segundo turno. João Azevedo disputando a reeleição sentado na cadeira de governador, Veneziano Vital do Rego representando o campo da centro-esquerda, com o apoio de Lula e do PT, e de Pedro Cunha Lima, este último herdeiro legítimo do cassismo, o segundo turno é mais do que provável.

E esse é o maior problema de João Azevedo. Como o segundo turno é outra eleição, com a escolha do eleitor restrita apenas a duas opções, o desafio dos candidatos restantes passa a ser manter os votos do primeiro turno e agregar os votos dos candidatos já derrotados.

Projetando as implicações nacionais na eleição da Paraíba, caso João Azevedo enfrente Pedro Cunha Lima no segundo turno, quem teria mais condições de receber o apoio de Lula e do PT, sobretudo se houver um segundo turno para presidente entre Lula e Bolsonaro?

Portanto, enfrentar Pedro Cunha Lima no segundo turno é o sonho que deve povoar as noites de João Azevedo, que deseja reeditar as disputas recentes com o cassismo, trazendo de volta para o centro do debate o ex-governador Cássio e todo o passado que ele passou a representar – por conta isso, Cássio foi derrotado por Ricardo Coutinho, em 2014, e por Veneziano, em 2018.

Nesse cenário, João Azevedo poderá tirar do foco da eleição um governo marcado por graves problemas administrativos e pela absoluta ausência de obras estruturantes, e apostar no medo do eleitor do que a campanha de reeleição do governador chamará de “retrocesso”, quando o seu governo já o é.

No caso de João Azevedo enfrentar Veneziano no segundo turno, a situação mudará por completo. Além de manter o apoio de Lula e do PT, claro, Veneziano reverteria em seu favor as expectativas de vitória, que seriam radicalmente alteradas, o que, por si só, ajudaria a mudar o voto de muita gente. Por outro lado, sem poder recorrer ao discurso do “retrocesso”, o debate principal passaria a ter um caráter plebiscitário: manter ou não João Azevedo no governo?

Ou seja, tentando simplificar o argumento: caso a disputa no segundo turno seja entre João Azevedo e Pedro Cunha Lima, o debate predominante será entre presente e passado; caso o candidato seja Veneziano, e a confrontação entre presente e futuro se imporá.

Um último argumento: qual candidato terá mais condições de ampliar a votação no segundo turno e incorporar o voto do eleitor de oposição ao governo de João Azevedo: Pedro Cunha Lima ou Veneziano Vital do Rego?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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