Ricardo Coutinho: “Não se surpreenda se João Azevedo não for para o segundo turno”

Assim como Lula, Ricardo Coutinho sempre teve muitos críticos na imprensa, no meio político e, sobretudo, entre poderosas famílias da Paraíba.

Duas virtudes ninguém pode negar ao ex-governador:

1. A virtude de ser ele é um grande administrador, fato comprovado pelas administrações realizadas na Prefeitura de João Pessoa e no Governo da Paraíba, que terminaram (assim como aconteceu com Lula no governo federal) com a aprovação rondando os 80%;

2. A virtude de saber fazer análise de conjuntura e a grande capacidade de projetar cenários políticos e eleitorais.

Destaco duas circunstâncias que corroboram o que afirmei logo acima:

Em 2010, a decisão de renunciar à prefeitura de João Pessoa para se candidatar ao Governo da Paraíba, um movimento de rara ousadia, principalmente se considerarmos a proverbial falta de coragem da quase totalidade dos nossos políticos.

Em 2018, quando decidiu lançar para o governo o desconhecido João Azevedo, que jamais havia disputado sequer uma eleição de vereador – aliás, é sempre bom lembrar: muitos dos que, hoje, bajulam o atual governador na imprensa e nos meios políticos, o chamavam de “poste de Ricardo Coutinho“.

Nesses dois momentos críticos, Ricardo Coutinho mostrou que seu senso estratégico estava correto.

O ex-governador voltou a fazer projeções eleitorais, agora sobre 2022. Na entrevista concedida ao podcast de Carlos Mega essa semana, Ricardo Coutinho fez algumas análises que devem ter deixado a turma do Palácio da Redenção de cabelo pé.

Pode anotar o que eu estou dizendo: no ano passado, eu disse que João [Azevedo] terminaria sozinho. Eu disse isso em várias entrevistas e todo mundo olhava para mim e dizia: ‘esse cara tá doido’. Eu vou dizer: eu entendo um pouquinho disso. Pois bem, não se surpreenda se ele não for para o segundo turno.

Quantos aliados João Azevedo já perdeu até hoje? Quantos recusaram ser seu candidato a vice? Ricardo recorreu aos números para demonstrar sua tese:

Porque um candidato que governa e que, hoje, tem 17, 18% na capital, que tem menos de 7% em Campina Grande, não ganha a eleição. A grande João Pessoa tem 23% do eleitorado, Campina tem 10%.

E João Azevedo vai ser derrotado por Veneziano:

No restante do estado, você há de convir, Veneziano vai ter um força muito grande por estar com Lula e, um pouco mais modesto, põe estar comigo

Desse ponto em diante, Ricardo Coutinho passou a listar o rosário de obras de seu governo na cidade do entrevistador, Cubati, Curimataú, que atestava cada uma que foi mencionada pelo ex-governador.

Abaixo, trecho em vídeo da rumorosa entrevista de Ricardo Coutinho, que deve ter ajudado a atrapalhar as férias de João Azevedo, que já antecipou a volta da Europa. Como a cria que renegou o criador, João Azevedo conhece, mais do que ninguém, a capacidade política e analítica do e principal fiador de sua eleição.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: