PEDRO E EFRAIM: E se PSDB e União Brasil apoiarem Ciro Gomes?

Pesquisa BTG Pactual deu ânimo à campanha do presidenciável Ciro Gomes. Pesquisas anteriores já haviam captado o crescimento do candidato do PDT, mas a divulgada ontem (25/04) simulou cenários com candidatos únicos dos partidos da chamada terceira via. Nesse caso, Ciro deu um salto.

Em um deles, bastante provável, com a emedebista Simone Tebet, Ciro Gomes chega a 13%. Em um improvável cenário em que o pedetista seria o candidato único do chamado “centro-democrático” (PSDB, Cidadania, União Brasil, MDB, PSD) Ciro vai a 14%.

Pesquisa BTG-Pactual (cenário com Simone Tebet como candidata da terceira via

E se…?

Enquanto a candidatura do ex-governador de São Paulo, João Dória, está em crise terminal, as discussões individuais dos partidos da terceira via com Ciro Gomes estão em andamento. Ciro tem um canal permanente com lideranças nacionais importantes do PSDB, como o Tasso Jereissati, opositor da candidatura de Dória. Alem de Tasso, Ciro mantém conversas com Luciano Bivar, presidente do União Brasil, que é especulado como um provável candidato a vice, e Gilberto Kassab, presidente do PSD. 

No Rio de Janeiro, o pedetista praticamente já conta com o apoio do prefeito da capital carioca, Eduardo Paes (PSD). Em Minas, Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao governo de Minas, também do PSD, que já apoiou Ciro em 2018 e foi apoiado pelo pedetista em 2020, mantém conversas adiantadas com o presidenciável. São grandes as possibilidades de ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e candidato a governador da Bahia, declarar apoio a Ciro Gomes, como fez o avô em 2002.

Projetemos um cenário em que Ciro continue a crescer  as pesquisas e comece a ameaçar a posição de Jair Bolsanaro, que é o objetivo da campanha do PDT no primeiro turno. Caso isso realmente aconteça, e Ciro se consolide como uma alternativa viável à polarização Lula-Bolsonaro, não é uma possibilidade improvável que o PSDB e o União Brasil, até por pragmatismo, apóiem a candidatura de Ciro Gomes.

Nesse caso, como ficaria o palanque das candidaturas de Pedro Cunha Lima (PSDB) e Efraim Filho (União Brasil), que ainda mantêm distanciamento de Bolsonaro e Lula – no caso de Lula, é praticamente impossível que o petista venha a receber esses apoios. 

Quais impactos políticos e eleitorais teríamos na eleição estadual? Pedro e Efraim Continuariam como candidatos ao esmagamento político, apoiando candidaturas sem relevância eleitoral, ou,considerando o grau de radicalidade que começa a ganhar contornos na eleição presidencial, rumariam para dar coerência ao discurso da alternativa que a candidatura de Ciro Gomes representa, hoje?

Tenho repetido que essa aliança entre o PDT e os partidos da terceira via é bastante difícil em razão do diagnóstico da crise brasileira e do programa abertamente anti-neliberal que, desde 2018, Ciro Gomes apresenta ao país – até aqui, o pedetista tem mantido ambos como norte de sua campanha.

Para ser alternativa eleitoral tem de ter projeto

Já analisei aqui os limites da chamada terceira via. Esses partidos estão dispostos a repetir o retumbante fracasso eleitoral de 2018, remoendo a velha cantilena neoliberal, ou a política e, portanto, a realidade caótica institucional e econômica na qual já vivemos, os obrigará a rever o apoio ao atual “modelo de desenvolvimento e de governança política”, para usarmos aqui os termos com quais Ciro Gomes costuma sintetizar os objetivos de sua candidatura?

A rigor, partidos como PSDB, União Brasil, PSD, buscam se inserir na polarização Lula-Bolsonaro propondo manter tudo como está – eles, por exemplo, discordam do modo bolsonarista de governar, dos arroubos autoritários do presidente, mas pouco ou nada tem a criticar a política econômica do atual governo. Ou seja, nada de novo tem a oferecer ao povo em termos de idéias, de diagnóstico da nossa crise, de propostas para superá-la. Apenas, mais do mesmo.

Já Ciro Gomes se propõe a pegar o touro à unha. Só para citar as propostas tributárias do pedetista, ele defende tributar os super-ricos, fazer quem ganha muito mais pagar mais imposto de renda para, assim, diminuir a taxação da classe média e dos assalariados, acabar com os subsídios ao consumo dos mais ricos, fazer os grandes proprietários de terra pagarem mais ímposto – segundo o candidato, a arrecadação de IPTU da cidade de São Paulo corresponde a toda a arrecadação nacional com  ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). 

Só assim, será possível os assalariados e a classe média pagarem meno imposto de renda, reduzir os impostos sobre o consumo, desonerar a cesta básica.

Ou seja, caso Ciro viabilize sua candidatura entrando na disputa com Bolsonaro por uma das vagas no segundo turno, ele pode produzir uma reversão do quadro atual. 

Se essas possibilidades vão ou não se tornarem realidade, só o tempo pode dizer. Mas, em qualquer análise sobre as eleições de 2022, tanto para presidente, quanto para governador e senador, é preciso considerá-las.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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