PCdoB E MST COM JOÃO AZEVEDO E AGUINALDO: uma esquerda que aceita bater esteira para a direita?

Bate-esteira: vaqueiro secundário que ajuda o primário, chamado de “puxador”, a derrubar o boi na faixa. Sua função é passar o rabo do boi para o “puxador” e manter o boi entre ele e o vaqueiro primário.

Parte da esquerda paraibana (setores do PT, PCdoB, MST) parece que perdeu por completo o senso e o valor estratégico das alianças e se acostumou à condição de bate-esteira da direita.

Agarrados aos espaços periféricos que conquistaram no governo conservador de João Azevedo, aceitam calados a posição a que foram submetidos na ampla aliança que apoia o governador, que inclui Aguinaldo Ribeiro, Cícero Lucena e, se tivéssemos eleições para duas vagas ao Senado, Efraim Filho, legítimos representantes políticos do reacionarismo parlamentar que envergonha o país – como membros proeminentes do Centrão, eles continuam calados diante da ameaça de golpe feita por Jair Bolsonaro­ – e em prejuízo dos mais pobres, sobretudo os trabalhadores – reforma da previdência, reforma trabalhista, teto de gastos, que contaram com o apoio dessas lamentáveis figuras.

Esses setores da esquerda não podem sequer argumentar que essa opção de João Azevedo por uma aliança com a direita oligárquica na Paraíba seja um fato novo. Quando rompeu com Ricardo Coutinho, oão Azevedo Jescolheu o direitista e neoliberal Cidadania como partido, e só saiu por conta da Federação na qual o ex-PPS negocia para se fundir com o PSDB pelos próximos quatro anos.

Esses setores da esquerda não vêem problema algum em emprestarem suas tinturas vermelhas para darem um ar minimamente popular a uma composição abertamente de elitista e de direita, pois é só isso que interessa à propaganda de João Azevedo.

Vale a pena lembrar. João Azevedo ainda estava no Cidadania quando comemorou a possibilidade da candidatura de Luciano Huck, uma opção, segundo ele, contra os extremos representados pelas candidaturas de Lula e Bolsonaro:

Acho que Hulk é um nome novo, evidentemente, foge dos extremos e o Brasil está nesse momento polarizando muito os extremos – extrema de Direita e extrema de Esquerda”, isso há apenas um ano, em abril do ano passado.

Para confirmar a opção conservadora de João Azevedo, nas eleições para prefeito de João Pessoa, em 2020, o governador ressuscitou o amigo e já aposentado pelas urnas, Cícero Lucena, colocando a máquina do estado a serviço de sua candidatura.

E foi a eleição de Cícero Lucena em João Pessoa que reforçou a posição, dando ao bolsonarista Progressistas um peso político que jamais teve na política paraibana, o que alçou Aguinaldo Ribeiro à disputa para fazer companhia à irmã no Senador a partir de 2023.

Movimentos que contaram com um silêncio constrangido do PCdoB, do MST e dos petistas (?) que preferem manter o apoio a João Azevedo independente das alianças preferenciais que faça o governador. Vão continuar assistindo a tudo, batendo palmas constrangidas embaixo do palanque, aceitando os arranjos do governador com a direita mais conservadora, cujo resultado pode ser a consolidação definitiva desse bloco de poder na Paraíba, caso vençam a eleição dem 2022?

A postura desses partidos seria mais aceitável caso não existissem, na Paraíba, opções mais progressistas para o governo e para o Senado.

Voltarei em seguida para tratar das candidaturas de Veneziano Vital do Rego para o governo e de Ricardo Coutinho para o senador.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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