A OPÇÃO DOS CUNHA LIMA PELA EXTREMA-DIREITA: Pedro volta aos braços de Jair Bolsonaro

O Pré-candidato ao governo do estado pelo PSDB, Pedro Cunha Lima, deixou claro que pretende reatar a aliança com o presidente Jair Bolsonaro, que foi hoje (5/5) à cidade de Itatuba inaugurar o canal da Vertente Litorânea. Do total dos recursos de contrapartida do governo do estado, 76% foram liberados durante o governo de Ricardo Coutinho.

Com esse gesto, Pedro inicia o caminho de volta aos braços do atual presidente e ratifica a opção pela extrema-direita feita pela família Cunha Lima.

Cássio: rumo à extrema-direita

Desde que Cássio Cunha Lima deixou o antigo PMDB para se filiar ao PSDB, em 2001, abandonando a candidatura a presidente de Lula para apoiar a de José Serra, começava ali um deslocamento continuado da família Cunha Lima para a direita que se encerraria, dezessete anos depois, em 2018, numa aliança com a extrema-direita bolsonarista.

Em 2001, Cássio era uma jovem promessa política que dava os primeiros passos para assumir o lugar do pai, Ronaldo Cunha Lima, na política paraibana, com petencial de superá-lo como liderança política nacional. Ao preterir Lula em troca das vantagens que a máquina federal oferecia para se eleger governador da Paraíba, em 2002, bem como a “network” tucana com o grande empresariado paulista, Cássio não sabia, por óbvio, mas estava cometendo o maior erro político de sua vida.

Ele optava por entrar no PSDB exatamente quando o partido iniciava uma curva descendente que o levaria, depois de três derrotas seguidas nas eleições presidenciais, à insignificante votação (4,7% dos votos válidos) de 2018 de seu candidato a presidente, Geraldo Alckmin, então tucano.

Mesmo em 2002, Cássio enfrentou uma dura eleição quando ficou muito próximo da derrota. Em 2006, usou de tal maniera a máquina estadual para se reeleger, que foi cassado em 2009 e ficou inelegível. Em 2010, foi eleito senador, mas levou um ano de mandato por conta da Lei da Ficha Limpa. Como senador, foi um dos braços direitos de Aécio Neves e, como tal, foi líder do PSDB. Nessa condição, Cássio fez uma dura oposição a Dilma Rousseff. Foi um apoiador engajado do governo de Michel Temer.

Na campanha de 2018 para o Senado, vendo seus votos se dissiparem, Cássio parte para uma ação desesperada e começa um namoro com o bolsonarismo – para usar metáforas tão ao gosto do presidente, – namoro que começou com uma piscadela. Em setembro, Cássio começou por divergir publicamente da campanha de Geraldo Alckmin por críticas que o então candidato a presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, a Jair Bolsonaro:

“A mudança que eu faria [na campanha] era uma concentração firme na nossa linha histórica de crítica ao PT. Acho que, a esta altura, as críticas têm que parar.”

Em retribuição, o então coordenador da campanha de Jair Bolsonaro na Paraíba, e figura de proa do bolsonarismo em todo o país, Julian Lemos, retribuiu o gesto inequívoco de Cássio e visitou dois eleitores de primeira hora de Bolsonaro, os primos Romero Rodrigues e Bruno Cunha Lima.

Em seguida, o jornalista Ricardo Noblat registrou assim o desfecho do namoro, que, enfim, virou casamento: Às favas os escrúpulos: Por votos, tucano voa para Bolsonaro.

Bem, o resultado desse enredo, que começou em 2002, todo mundo conhece: na eleição de 2018, Cássio encerrou melancolicamente a carreira política após amargar um quarto lugar na disputa de reeleição para o Senado.

No caso de Pedro Cunha Lima, perdeu mais de 100 mil votos entre a eleição de 2014, quando obteve 179.886 e foi o mais votado, e a eleição de 2018, quando viu sua votação cair aos 76.754 e ficar numa desprestigiada oitava colocação, uma posição acima de Efraim Filho – aliás, Efraim foi outro que perdeu votos, de 103.477, em 2014, 76.089, em 2018 – nos dois casos, faz sentido a pergunta: Pedro e Efraim se reelegeriam em 2022 para a Câmara?

O apoio da família Cunha Lima a Bolsonaro ainda no primeiro turno da eleição de 2018 foi retribuído com a nomeação de Evaldo Cruz Neto, cunhado de Pedro Cunha Lima, como Superintendente da Sudene.

O que Ronaldo acharia?

Abraçado à extrema-direita bolsonarista, os herdeiros políticos de Ronaldo Cunha Lima se aliam a um presidente que defende o AI-5 e a ditadura de 1964, o mesmo AI-5 que cassou os direitos políticos e o mandato de prefeito de Campina Grande que o poeta havia conquistado pelo voto meses antes, obrigando-o a viver longe da Rainha da Borborema por dez anos. O que Ronaldo acharia de um governo que defende a privatização da Petrobras, um dos seus orgulhos como político?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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