VELHO REPAGINADO: Pedro Cunha Lima é o cassismo com uma cara mais jovem

Assim como o pai, Pedro Cunha Lima começou sua carreira política já como deputado federal, em 2014. Pedro tinha acabado de completar 26 anos, três a menos do que Cássio tinha quando se elegeu para a Câmara dos Deputados, em 1986.

Tanto Cássio quanto Pedro, portanto, entraram para a política sem precisar enfrentar as agruras dos que, sem um pai para bancar ascensões “meteóricas”, são obrigados a começar galgando os degraus mais baixos e, por isso mesmo, mais sólidos, como foram os casos de Veneziano Vital e Ricardo Coutinho, que entraram para a vida pública como vereadores em suas respectivas cidades – aliás, em 1988, Cássio Cunha Lima se elegeu prefeito de Campina Grande sucedendo ao próprio pai, Ronaldo.

Se desempenho eleitoral diz algo sobre a atuação parlamentar de alguém, a de Pedro Cunha Lima pode ser considerada medíocre. Se em 2014, Pedro se elegeu com 179.886 (9,29%), aproveitando a condição do pai de candidato ao governo do estado, em 2018, o atual candidato ao governo pelo PSDB perdeu quase dos terços dos votos obtidos quatro anos antes (76.754 ou 3,86%), o que o fez despencar do primeiro para o oitava lugar entre os eleitos.

Enquanto isso, Veneziano, que em 2014 obteve uma estrondosa votação, elegendo-se deputado federal com 177.680 (9,17%), dois mil votos a menos que Pedro Cunha Lima, em 2018, não só foi o mais votado para o Senado, como derrotou Cássio Cunha Lima.

Votações marcantes e simbólicos do mandato dos dois, que ajudam a demarcar importantes diferenças e compromissos, foram as votações das propostas enviadas por Michel Temer ao Congresso, que retiravam direitos trabalhistas, estendiam a jornada de trabalho e aumentavam a informalidade, sem combater o desemprego, como prometiam: reforma trabalhista, terceirização, reforma da previdência, questões que receberam as críticas de Veneziano e os aplausos de Pedro Cunha Lima.

Veneziano sobre a reforma trabalhista: “Eu não vejo que se cria segurança jurídica, eu não enxergo que o trabalhador vai estar em condições de discutir isso com os patrões e a terceirização passa a ser aplicada em toda a sua extensão, da atividade meio à atividade fim”

Pedro Cunha Lima: “A reforma trabalhista é excelente. Já votei duas vezes [a favor] e votaria mil.”

Outra razão para que a votação de Pedro despencasse entre 2014 e 2018, e Cássio fosse derrotado para o Senado na última eleição, você pode ver resumida na imagem abaixo:

O partido de Pedro Cunha Lima, o PSDB, apoiou o governo de Michel Temer e, como vimos acima, as reformas enviadas ao Congresso.

Em 2022, como faz todo político que quer desviar o debate sobre questões relevantes, como privatização da Cagepa, por exemplo, que ele defende, Pedro Cunha Lima tenta desviar o foco dando ênfase a questões como uso da Granja Santana e redução dos gastos com a Assembleia Legislativa. Os anos que passou apoiando o governo de Jair Bolsonaro parece que renderam algum aprendizado.

Eu volto depois para comentar sobre essas questões.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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