A aritmética eleitoral de Daniella Ribeiro

Caso se confirme a desistência de Aguinaldo Ribeiro de disputar o Senado e a opção for pela candidatura de Daniella ao governo, a decisão terá por base um aritmética política simples: se o quadro da disputa para o governo conta hoje com quatro candidatos ao Palácio da Redenção (João Azevedo, Veneziano Vital, Pedro Cunha Lima e Nilvan Ferreira), todos com potencial de votos acima de 15%, o segundo turno é uma probabilidade mais que previsível.

É essa leitura que faz todos os candidatos de oposição fazem ao apostarem, uns com mais chances outros com menos, na possibilidade de conquistar uma duas vagas no segundo turno.

Caso seja verdadeira a percepção de que Daniella pode se inserir nessa disputa, inclusive para evitar afundar junto no mesmo barco de João Azevedo, o que é uma possibilidade cada vez mais real, a senadora deve ter em conta as chances de vitória de Aguinaldo Ribeiro, que teria pela frente o desafio mais difícil a superar no pleito de 2022.

Candidato ao Senado, Aguinaldo enfrentaria não apenas o amplo favoritismo do ex-governador Ricardo Coutinho, mas, também, Efraim Filho, que tem mostrado não só mais apetite para enfrentar a disputa, como tem conquistado importantes apoios políticos. Por exemplo, quem tem voto no Republicanos já declarou apoio a Efraim e até o “socialista” Ricardo Barbosa, que não cansa de falar de sua fidelidade a João Azevedo (quá, quá, quá!) não quer saber de Aguinaldo. 

Lembremos mais uma vez. Na disputa para o Senado, só um candidato será eleito, e sem direito a segundo turno. Ou seja, são enormes os riscos de Aguinaldo Ribeiro ficar ao relento, em caso de derrota, sem a cobertura de um mandato parlamentar a partir de 2023. É muito risco para alguém tão acostumado a não corrê-los.  

Riscos que Daniella Ribeiro, mesmo em caso de derrota, não corre. Com mais quatro anos no Senado pela frente, a candidatura de Daniella no mínimo a faria ganhar ainda mais projeção para disputar a reeleição daqui a quatro anos.

Com as vantagens adicionais de que, na disputa para o governo, a candidatura da senadora ajudaria a superar certos impasses, que até agora se configuraram como intransponíveis, como a divisão do enorme espólio eleitoral de Aguinaldo, ou seja, o apoio de prefeitos e vereadores, acumulado nos últimos mandatos na Câmara. Com Aguinaldo de volta à disputa por mais um mandato de deputado federal, Lucas Ribeiro, o atual vice-prefeito de Campina Grande, seria deslocado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. No mínimo, os Ribeiro sairiam maiores do que saíram da eleição de 2018.

Enfim, os Ribeiro só teriam a ganhar com o lance ousado da candidatura de Daniella Ribeiro. A candidatura de Aguinaldo, hoje, só interessa a João Azevedo, cuja reeleição depende cada vez mais do apoio de Daniella em Campina e de Cícero Lucena em João Pessoa. Sem esses apoios, João Azevedo veria sua candidatura em completo abandono, com reduzidas expectativas de vitória, a não ser pelo uso desesperado da máquina estadual. E não deixaria de ser um troco, já que João Azevedo é o principal responsável pelas dificuldades enfrentadas pela candidatura de Aguinaldo, já que o governador em momento algum atuou para unificar seu grupo de apoio.

Vejamos se Daniella mostra mais coragem do que o irmão, Aguinaldo, mostrou até agora.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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