ACINTOSO: João Azevedo pede que a estudantada espere e diz que não sabe qual é a intenção dos protestos

Cercado de assessores e deputados estaduais, o governador esperava se repetir uma sessão de elogios e poucas cobranças, mas se viu diante de uma multidão de estudantes, que se dirigiu a um espaço que carrega o nome de democrático para cobrar o mínimo de compromisso com a educação dos paraibanos. E manter as escolas em condições mínimas de funcionamento é o mínimo que se espera de qualquer governo.

Depois de muita insistência para exercerem o direito de se manifestar, a representante da escola Luiz Aprígio, que se identificou apenas como a protogonista da escola, conseguiu ler uma carta aberta assinada por estudantes e professores, dirigida ao governador.

A estudante começou lembrando que a escola Luiz Aprígio é localizada no centro histórico de Mamanguape, sendo, portanto, parte do patrimônio da cidade. A escola, segundo a aluna, continua sofrendo com s invisibilidade por parte do governo do estado. Mesmo com a inclusão da “sonhada reforma” no Orçamento Democrático, “absolutamente nada foi feito desde então”, e a escola continua a sofrer com problemas estruturais, que se agravam a cada dia, não havendo um espaço adequado, por exemplo, para a realização de atividades físicas do alunado. Não bastassem esses problemas, a escola carece de pessoal de apoio e, desde o início do ano, a escola não tem diretor.

Nos sentimos abandonados, sim“, enfatizou a protagonista da escola Luiz Aprígio.

A resposta que João Azevedo foi forçado a dar aos estudantes é um misto de incompetência, arrogância, descompromisso com a educação e autoritarismo. Sobre a reforma da escola, o governador disse que os estudantes teriam de esperar ainda mais. “Não vai acontecer amanhã, porque tem todo um processo que precisa ser cumprido.”

Nesse ponto, João Azevedo esquece que tempo foi o que não faltou para a realização de reformas e manutenção das escolas, já que as mesmas permaneceram fechadas por dois anos. Se tivéssemos um governo que orientasse suas ações através do planejamento, com as escolas vazias uma oportunidade se abria para que esses trabalhos pudessem ter sido realizados, parte deles com os recursos economizados, por exemplo, com pagamento de água e energia elétrica ao longo dos últimos dois anos. O que o governador revela ao dizer que os serviços não podem ser feitos com a urgência que a situação exige é a absoluta falta de preparo para governar, dele e de sua equipe da Secretaria de Educação.

Em seguida, o governador mostra desprezo pelas manifestações dos estudantes, levantando dúvidas sobre as motivações dos para ali se dirigiram para protestar. “Eu já ouvi a reindicação de vocês. Eu não sei qual é a intenção, mas eu já ouvi”. Veja:

Chega a ser acintosa uma declaração como essa. Que outra intenção os estudantes, que contam com o apoio dos professores, teriam ao se manifestarem reivindicando melhorias para sua escola? O governador diria isso se ali estivessem professores? A declaração é agravada porque foi feita durante uma plenária do Orçamento Democrático. João Azevedo não foi só desrespeitoso com os estudantes de Mamanguape, mas com os estudantes que, por todo o estado, protestam contra a situação deprimente das escolas.

Ao contrário de questionar e atacar a legitimidade dos protestos, o governador deveria perguntar a si próprio e ao Secretário de Educação se os problemas denunciados existem ou são invenções, se esses problemas estão ou não afetando a vida escolar dos alunos e dos professores? O Orçamento Democrático é ou não um espaço para avaliações e sugestões?

Como conservador que sempre foi, João Azevedo prefere atacar os movimentos sociais. Mais ainda. Ao invés de dar respostas e dialogar para encontrar soluções, o governador prefere sugerir que os estudantes deveriam adiar suas manifestações para o próximo ano para não melindrar sua campanha de reeleição.

Quem sabe se ele decretar que os problemas das escolas não existem a situação se resolve?

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Um comentário em “ACINTOSO: João Azevedo pede que a estudantada espere e diz que não sabe qual é a intenção dos protestos

  1. Compartilho da mesma visão sobre o evento. A sensação, em certo momento, foi que quem estava se manifestando estava errado.

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