VAI DESEMBARCAR? Aguinaldo Ribeiro lembra que está na oposição desde 2009

Ainda não foi hoje, como setores da imprensa anteciparam, o anúncio da decisão sobre a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ao Senado. Pelo contrário. Quem escutou atentamente (escute o audio no fim do texto) a entrevista que o deputado federal do Progressistas concedeu à imprensa de Campina Grande, hoje, dia em que começa as festividades do São João na cidade, ficou com a impressão de animosidade no tom usado por Ribeiro para se referir às conversas e articulações.

Primeiro, ele disse que precisaria de mais tempo para escutar seus apoiadores para tomar uma decisão “não de uma pessoa, de uma candidatura projeto de Aguinaldo”. Não está embutido aí um recado para João Azevedo, um chamamento, já que Ribeiro tem reclamado muito da permivissidade com o que o governador lida com candidatos e partidos de sua base de apoio [o Republicanos, sejamos mais claros] e até deputados do partido do PSB, como é o caso de Ricardo Barbosa? Aguinaldo Ribeiro reclamou muito dos “conchavos”, da falta de coerência permeiam a base política de João Azevedo:

Eu sempre disse isso. Acho que a gente viveu praticamente um ano só de discussão de conchavo político, sicrano fechando com beltrano, é um candidato que [apoia um e] vota na chapa de outro. Aqui, de manhã o cara tá com um numa cidade, de outro tá com dois inimigos na outra cidade. Até para o povo entender isso é muito complicado.

Quem é o candidato a Senador da chapa da oposição que anda pelo estado postando registros de encontros em suas redes sociais com “aliados” do governador? Dias atrás, o deputado estadual Taciano Diniz, da base de apoio de João Azevedo na Assembleia, ameaçou abandonar Ricardo Barbosa caso ele deixasse de apoiar à candidatura de Efraim Filho ao Senado, isso depois de uma entrevista na qual o líder de João Azevedo na Assembleia deixou em aberto a possibilidade de pular de barco quando Aguinaldo Ribeiro anunciasse oficialmente a candidatura.

“Se ele quebrar o acordo de apoiar o deputado Efraim Filho na disputa pelo Senado Federal, vai perder também os apoios dos prefeitos de Itaporanga e Curral Velho”, disse Taciano Diniz.

Depois desse preâmbulo cheio de sutis lembranças à fraqueza com que João Azevedo conduz as articulações para a formação de sua chapa, na qual a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ganha cada vez mais importância estratégica em razão do exíguo tempo para substituí-la por outro candidato eleitoralmente viável, o deputado federal deu uma declaração que deve ter deixado o governador com um frio na espinha.

“Nosso grupo sempre teve lado, a gente está na oposição aqui no estado desde 2009. Então, nós temos posição, e essa posição tem sido a nossa marca, sempre que a gente se decide, se define e pronto.”

Nessa conjuntura recoberta de tensão na base política de João Azevedo, qual foi a intenção de Aguinaldo Ribeiro de lembrar que há 13 anos está na oposição aqui na Paraíba? Aliás, é bom lembrar, Daniella Ribeiro foi eleita senadora na chapa que concorreu em 2018 contra João Azevedo e nessa condição, sejamos justos, ela sempre se manteve. Em março, a senadora declarou, mesmo com o irmão Aguinaldo na posição de possível candidato a senador de João Azevedo, que permanecia onde sempre esteve, ou seja, na oposição: “Não sou e nunca fui da base aliada do governador”, disse ela.

Hoje, foi a primeira vez que Aguinaldo Ribeiro relembrou seu passado de oposição para responder sobre se será ou não candidato a senador na chapa de João Azevedo. Como ele disse, a decisão não está tomada, mas ele descobriu hoje algumas cartas sobre a mesa. A não ser que João Azevedo tente mostrar autoridade batendo na mesa para forçar o Republicanos [e Ricardo Barbosa] a recuarem do apoio a Efraim Filho, dificilmente Aguinaldo Ribeiro será candidato.

E esperar que um governador carente de liderança e autoridade como João Azevedo convença partidos e candidatos de sua base a apoiá-lo, é apenas um dos problemas, aliás, mais fácil, que Aguinaldo tem para resolver. O outro, como todo mundo sabe, tem nome e sobrenome: Ricardo Coutinho, e, nesse caso, tem que combinar é com o povo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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