Pedido de Bolsonaro para que Joe Biden interfira na eleição brasileira é crime contra o Estado

Muito grave a revelação da Blomberg segunda a qual Jair Bolsonaro pediu ajuda a Joe Biden, presidente dos EUA, para sua candidatura à reeleição. O pedido aconteceu durante uma reunião fechada na última quinta-feira durante a Cúpula das Américas, que aconteceu em Los Angeles. 

Segundo a Bloomberg, assessores de Biden também relataram que Bolsonaro apontou Lula como um perigo aos interesses dos EUA, como se Biden, que dispõe dos serviços de informação da CIA e de suas próprias embaixadas, precisasse de alguma informação desse tipo. O governo de Jair Bolsonaro foi um dos últimos a reconhecer a vitória de Joe Biden em razão de seu apoio declarado ao ex-presidente Donald Trump. Segundo a Bloomberg, Biden mudou de assunto.

Com essa atitude, Jair Bolsonaro afronta a lei n° 1.892, de 1953, que tipifica “crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social”. Segundo essa lei, em seu artigo 2°, inciso III, é crime com pena de reclusão de 15 a 30 anos “mudar a ordem política ou social estabelecida na Constituição, mediante ajuda ou subsídio de Estado estrangeiro ou de organização estrangeira ou de caráter internacional”.

Apesar da retórica de patriotismo de Jair Bolsonaro, é difícil identificar em nossa história um presidente que tenha tido um comportamento tão servil aos interesses dos Estados Unidos como Jair Bolsonaro, sobretudo em um ambiente de incertezas provocado pela perda progressiva da hegemonia americana, ameaçada pela China. Ao contrário do servilismo bolsonarista, o Brasil precisa de um presidente que reafirme nossa soberania e coloque em primeiro lugar os interesses brasileiros, sem nenhum alinhamento automático com qualquer país.

Esse servilismo já se demonstrava antes mesmo do ex-capitão assumir a Presidência. Em visita aos EUA durante a campanha de 2018, Jair Bolsonaro fez questão de acompanhar a execução do hino do país prestando continência. Segundo o “Regulamento de continências, signaes de respeito e honras militares”, de 1919, a “continencia parte sempre do menos graduado”, sendo, nesse contexto, um ato de vergonhosa subalternidade.

Já eleito, Bolsonaro repetiu o ato quando recebeu em sua residência John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos EUA. Novamente, tomou a iniciativa de prestar continência a um civil que representava o governo de outro país.

Deveria causar vergonha às Forças Armadas, que existem para defender nossa soberania, que o seu chefe supremo peça a um presidente de outro país que interfira em questões internas que dizem respeito apenas aos brasileiros. Mas, antes de tudo, esse ato de traição deveria causar repulsa àqueles eleitores de Jair Bolsonaro que vivem se afirmando “patriotas”. Isso só demonstra que, até nesse caso, essas pessoas não têm nenhuma noção do que seja patriotismo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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