Quanto valem as humilhações impostas ao Republicanos por Aguinaldo Ribeiro?

A fraqueza política de João Azevedo ficou evidenciada quando um grupo de parlamentares, todos de sua base de apoio, se juntou no Republicanos no ano da eleição para fortalecer a liderança do deputado federal Hugo Motta e se tornar um ponto de confronto com a estratégia do próprio governador.

O fortalecimento do Republicanos colocou uma questão logo de cara: por que esses deputados agiram para criar outro pólo político, onde se abrigaram, inclusive, parlamentares alinhados ao governador, como foram os casos de Wilson Filho e Raniery Paulino, só para citar os mais notórios. Essa ação serviu apenas para fragilizar o partido do governador, o PSB, que deve penar para fazer um deputado federal na próxima eleição.

Essa política deliberada tinha como alvo enfrentar enfraquecer o governador, e, de certa maneira, buscava enfrentar um outro movimento, do qual o governador era ao mesmo tempo partícipe e refém: o fortalecimento do Progressistas de Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena em aliança com João Azevedo.

A estratégia dos três pressupunha na eleição de 2022 um enfretamento com candidatos sem competitividade eleitoral (a fantasia do WO), já que não acreditavam no surgimento, sobretudo, da candidatura de Veneziano Vital, e tinham a inelegebilidade Ricardo Coutinho como fato consumado. A cooptação do PT estadual, via distribuição de cargos aos grupos de Anísio Maia e Frei Anastácio para formar maioria no Diretório Regional do partido, teria como consequência natural o apoio de Lula e do PT nacional, mesmo depois dos conflitos de 2020 na eleição de João Pessoa.

Enfim, o objetivo desse projeto de magalomania política era dar ares de fato consumado à reeleição de João Azevedo para que a chapa que estava em formação fosse resultado apenas de um acerto entre João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena. A entrada de Ricardo Coutinho no PT, o lançamento da candidatura de Veneziano e o fortalecimento do Republicanos na base de João Azevedo colocaram água no chopp dos três.

Reflitamos juntos.

Por que as conversas com Romero Rodrigues para que o ex-prefeito de Campina Grande fosse o vice de João Azevedo não prosperaram? Teria Romero Rodrigues percebido que estava entrando numa arapuca, pouco tempo depois de iniciar a aproximação com João Azevedo, e isso explica porque pulou logo fora do barco?

Por que até hoje nenhum aceno mais claro foi feito a Adriano Galdino para ele ocupar a vaga de vice? E olhe que o presidente da Assembleia não cansou de se oferecer para disputar o cargo. Foi só quando entrou no Republicanos que Galdino se sentiu fortalecido para deixar de esperar que a vaga de vice caísse no seu colo e passou a reivindicar a vaga. Quebrando o paradigma dos últimos presidentes da Assembleia, Galdino lançou o irmão a deputado federal para ficar disponível para compor a chapa majoritária de João Azevedo. O sonho do presidente da Assembleia de ser candidato a vice-governador foi acalentado de tal maneira que o fez começar a preparar a filha para ocupar seu lugar no parlamento estadual.

Aguinaldo Ribeiro transformou o sonho de Adriano Galdino em pesadelo quando anunciou que, ao invés do Senador, ele iria indicar o vice de João Azevedo. Isso explica os maribondos que o presidente da Assembleia anda soltando pela boca contra o Progressistas sempre que tem oportunidade, recebendo como resposta outros impropérios.

Notem que o que o Progressistas disse Republicanos (e vice-versa) em qualquer lugar do mundo seria motivo para um rompimento politico. Vamos relembrar em destaque para percebermos a gravidade do que foi dito até agora:

13/06 – Enivaldo Ribeiro: “Vou te dizer uma coisa: [o Republicanos] não tem palavra, fica fazendo negociata, negociando por debaixo do pano sei lá como. Aguinaldo tem de ter é cuidado com esse povo!

17/06 Hugo Motta: “Estão premiando quem foi desleal e punindo quem foi leal”

19/06 – Adriano Galdino: “Aguinaldo Ribeiro é doutor em traição

20/06 – Aguinaldo Ribeiro: “Eu fico com vergonha para a população, por saber que tem político na Paraíba que trata disso, de balcão de negócios, para fazer acordo. Isto, eu tenho vergonha! ‘Só vou se você me der isso, me der aquilo’.”

Como o Republicanos vai subir no mesmo palanque onde estará Aguinaldo Ribeiro e o Progressistas?

A grande pergunta que emerge dessa narrativa de embates e passadas de perna é essa: depois de tanta humilhação, o Republicanos manterá o apoio a João Azevedo? Melhor dizendo: o Republicanos terá coragem de romper com o governo? 

Quantos empregos João Azevedo distribuiu com o partido? Certamente, muitos. Hugo Motta precisa deles para se eleger? Adriano Galdino depende dessas nomeações para eleger o irmão para a Câmara Federal? Wilson Santiago, também?

A resposta a essas perguntas nós saberemos em breve ou só no dia 5 de agosto? 

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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