CORRUPÇÃO NO MEC: Nilvan Ferreira tentou se esconder, mas foi obrigado a defender Bolsonaro

O alerta de sobrevivência deve ter acendido para Nilvan Ferreira na manhã de hoje. Olhando com cuidado as avarias no casco do navio de Jair Bolsonaro, Nilvan Ferreira deve ter percebido que os buracos se alargaram muito com a prisão do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, no início da manhã de hoje.

Nilvan levou uma manhã inteira para postar uma nota no Twitter de apenas seis linhas em que defende Jair Bolsonaro atacando (claro!) o PT. A grande dúvida ainda não resolvida é o motivo que levou o candidato a pré-canddiato a governador levar quase 5 horas para elaborar e divulgar um texto de 8 linhas, já que Milton Ribeiro foi preso antes das 8 da manhã, e Nilvan postou às 12h33.

Mais estranho ainda foi ele ter escolhido o Twitter para divulgar seu posicionamento. Por que o apresentador e pré-candidato a governador só postou sua nota na rede social em que tem menos seguidores (31,1 mil), e “esqueceu” de postar em seu Facebook (84 mil seguidores) e, sobretudo, no Instagram, onde ele tem 14 vezes mais seguidores (429 mil) do que no Twitter? Veja.

E a nota pode ser considerada a maior piada dessa eleição. Segundo Nilvan Ferreira, o presidente que, em 2019, ameaçou de demissão o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, caso ele não trocasse o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e o superintendente do Rio, Carlos Henrique Oliveira, para proteger os filhos da investigação, “incentiva que tudo seja investigado” em seu governo. Moro acabou pedindo demissão e os delegados substituídos.

Só para lembrar, Milton Ribeiro é investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência em um esquema para liberação de verbas do MEC. Além de Ribeiro, foram presos também os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, acusados de negociar com prefeitos a liberação de recursos do Ministério da Educação em troca de propina.

Em áudio que veio a público, o então ministro da educação disse textualmente:

Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar. Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”

Logo depois, Bolsonaro fez a defesa do seu ministro, revelando que investigações feitas pela CGU não deram em nada.

“Eu boto a minha cara no fogo pelo Milton. Uma covardia o que estão fazendo”, disse nosso imaculado presidente.

Ou seja, Nilvan Ferreira quer desviar o foco repetindo a já manjada fórmula bolsonarista de justificar os malfeitos do governo Bolsonaro atacando Lula e o PT.

Nilvan só esqueceu de dizer que o que menos existe no governo atual é investigação e transparência. Querem exemplos? Jair Bolsonaro nomeou o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, sem que ele estivesse sequer na lista tríplice elaborada pela associação nacional do Ministério Público, abandonando uma prática que se mantinha desde o primeiro governo Lula. Antes de nomear Aras, Bolsonaro se referiu assim ao PGR:

— Pessoal, vamos imaginar um jogo de xadrez no governo, vamos imaginar? Jogo de xadrez. Os peões seriam, em grande parte, quem? Os ministros. Lá para trás, um pouquinho, o Moro, da Justiça, é uma torre. Paulo Guedes, um cavalo. E a dama, seria quem? Alguém tem ideia? Quero ver se vocês são inteligentes. Quem seria a dama? Qual autoridade seria a dama? Que pode ser um homem, obviamente. Não, o presidente é o rei. A dama é a PGR. Tá legal?

Eu não preciso citar as duas indicações para o STF.

Além disso, Jair Bolsonaro foi o único presidente a decretar sigilo sobre os gastos da presidência depois da criação da Lei de Acesso à Informação por Dilma Rousseff em 2012. Hoje, qualquer cidadão tem acesso a contratos públicos, aos pagamentos realizados pelos governos, aos salários de servidores públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Menos aos gastos com a família presidencial.

Nilvan Ferreira também “esqueceu” do esquema de corrupção na compra de doses da Covaxin, feita pelo deputado federal Luís Miranda diretamente ao presidente, sem que ele tivesse tomado qualquer providência — não fosse a CPI da Covid um desvio bilionário teria acontecido (durante a pandemia), e não seria feito pelos governadores,

Além dos governos do PT terem criado uma legislação de combate à corrução, ter criado a CGU, ter dado autonomia à PF e ao Ministério Público, Lula e Dilma Rousseff tiveram atitudes diametralmente opostas da que teve o atual presidente. Até com certos exageros, como no caso do “escândalo da tapioca”, que provocou a demissão do então ministro Orlando Silva por conta da compra com carta-corporativo de tapiocas de R$ 8,00?

Sim, pasmem, comprar uma tapioca de R$ 8,00 já foi motivo para um escândalo nacional.

Sim, pasmem, comprar uma tapioca de R$ 8,00 já foi motivo para um escândalo nacional.

PS. O pré-candidato a governador, Nilvan Ferreira, entrou em contato para esclarecer que postou a nota referida acima também no seu Instagram, logo depois da postagem no Twitter. É verdade, e peço desculpas ao apresentador. Esclareço, entretanto, que meu erro foi motivado pela dificuldade em achar a nota no Instagram, na realidade, um print da publicação do Twitter. Ao invés do pré-candidato postar a nota na página principal do seu Instagram, preferiu publicá-la no story, em meio a dezenas de outras postagens, como se pode ver nas imagens abaixo.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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