ALÉM DA TRAIÇÃO: João Azevedo mostra quem realmente é ao hoje criticar quem o elegeu

Há certas condutas morais na política que o povo não costuma perdoar. Uma delas é a traição. Uma segunda é a ingratidão. A outra é a mentira.

O governador João Azevedo concluiu esse ciclo hoje. Observem o que ele disse sobre como encontrou a saúde da Paraíba quando assumiu o governo, depois de uma vitória relativamente fácil em primeiro turno, ele que era um desconhecido para o povo paraibano até Ricardo Coutinho apresentá-lo como seu candidato e percorrer com ele o estado.

“Quando assumi a gestão deste Estado, algumas coisas na área de Saúde me incomodaram muito, pois encontramos uma Saúde com tantos problemas, com descaso, com os codificados, sem uma relação trabalhista respeitosa, e tivemos que dar solução a esses problemas”

É difícil acreditar que um governo que alcançou a popularidade como o de Ricardo Coutinho possa ter mudado de uma hora para outra, exceto se o governador estiver mentido. Em 2017, o então presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, André Carlo Torres, concedeu entrevista ao site ClickPB e disse o seguinte:

“A figura do codificado deixou de existir e hoje se assemelha mais a um prestador de serviço porque ele tem matrícula, nome, salário, desconto, bruto e líquido”

André Carlo Torres Pontes
Presidente do TCE (2017-2018)

O que o conselheiro André Carlo Torres quis dizer é que foi Ricardo Coutinho quem deu solução a um problema que se arrastava há mais de uma década na Paraíba. Foi no governo de Ricardo Coutinho, por exemplo, que o Hospital de Traumas de João Pessoa passou a funcionar sem os graves problemas que marcavam sua administração desde que foi inaugurado, que o Hospital de Traumas de Campina Grande foi definitivamente concluído e equipado, e mais quatro grandes hospitais foram construídos: o de Mamanguape, o Hospital do Bem, de Patos, destinado a pacientes com câncer, o HTOP, desativado inexplicavelmente por João Azevedo, e o Hospital Metropolitano. Além desses, RC ampliou nove hospitais e três UPA’s foram inauguradas. Sem recorrer a servidores codificados.

Sem mencionar, entre outras melhorias, o salto nos leitos de UTI. Foi durante o governo de Ricardo Coutinho que o número de UTIs foi quase triplicado. O quadro abaixo mostra a evolução do número de leitos com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da rede pública de saúde estadual.

Vejam que, em 2010, a rede estadual de saúde dispunha de apenas 78 leitos de UTI. Quando Ricardo Coutinho deixou o governo, em 2018, esse número saltara para 281.

João Azevedo bem que poderia ter recusado o apoio de Ricardo Coutinho em 2018. Não fez porque tinha a exata ideia tanto da dimensão política do então governador quanto de sua própria. Preferiu a dissimulação, para depois trair Ricardo Coutinho se juntando com quem trabalhou para derrotá-lo em 2018. É hoje um governador que ninguém respeita.

Hoje, ele acabou de se revelar por inteiro.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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