Entenda por que o ÚNICO candidato a governador de Lula será Veneziano

Só restou aos que ainda insistem na tese de que Lula subirá no palanque de João Azevedo o apelo a uma suposta pressão que a direção nacional do PSB exerce para evitar que o ex-presidente peça votos exclusivamente para o senador e pré-candidato a governador Veneziano Vital.

É, convenhamos, mais um sinal que escancara a fragilidade política do governador da Paraíba. Primeiro, os estrategistas e analistas de João Azevedo previram que Veneziano não seria candidato. Erraram. Em seguida, tentaram antecipar que entre o palanque de João Azevedo e o de Veneziano, Lula preferiria o do governador. Erraram de novo. Depois, que não teria o apoio do PT. Erraram mais uma vez.

Agora, com a margem cada vez mais estreita em razão das inúmeras manifestações públicas de apoio de Lula à candidatura de Veneziano Vital ao governo da Paraíba, a única esperança que restou a esses estrategistas e “analistas” palacianos foi o apelo, que beira a sabujice, de divisão do palanque. Eles insistem que seria um erro Lula subir no palanque do candidato apoiado pelo PT, o partido do ex-presidente. Repetirão o erro.

Três questões foram desconsideradas pelos que convenceram João Azevedo a apostar nessa estratégia.

1. A maior identidade programática e política de Veneziano com Lula e com o PT. Em recente entrevista, Veneziano lembrou sua origem brizolista e seus votos em Lula, sobretudo depois da eleição de 1998, quando Brizola foi candidato a vice-presidente do petista. Veneziano se elegeu prefeito de Campina Grande com o apoio do PT no segundo turno e governou com o partido.

2. Veneziano decidiu ser candidato a governador, entre outras coisas, por incentivo do próprio Lula, em conversas que começaram ainda em 2021, portanto, quando João Azevedo ainda pertencia aos quadros do Cidadania – aliás, João Azevedo só se filiou ao PSB depois do lançamento oficial da candidatura de Veneziano a governador. Apelar ao PSB depois de Lula ter um acordo com Veneziano é forçar demais a barra, não?

3. Como lembrou o senador Eduardo Braga, do Amazonas, em entrevista à rádio Arapuã, ontem, Veneziano foi um dos primeiros filiados ao MDB a anunciar apoio à candidatura de Lula. Desde 2021, enquanto João Azevedo defendia uma candidatura da terceira via, Veneziano trabalhava por apoios no interior do MDB para a candidatura de Lula, ajudando a construir a estratégia de frente ampla adotada pelo PT para derrotar Jair Bolsonaro e o bolsonarismo em 2022. Até agora, dez diretórios estaduais do MDB já anunciaram apoio a Lula.

Enfim, presos ao varejo da política paraibana, os analistas e estrategistas que parecem fazer a cabeça de João Azevedo jamais se deram conta do real alcance e da importância da eleição de 2022, não só para Lula como para os que defendem a manutenção da democracia no Brasil. O que estará em jogo em 2022 vai muito além desses arranjos locais, e, nesse aspecto, é só prestar atenção nos principais aliados de João Azevedo nessa eleição, que estabelecem o perfil da chapa e devem determinar os rumos de sua campanha.

Falta a João Azevedo não apenas compreensão, mas tamanho para contribuir com Lula na gigantesca tarefa política de reconstruir as instituições democráticas e reunificar o país.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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