E AGORA, JOÃO AZEVEDO? Aguinaldo Ribeiro diz que não vai votar em Lula

Quem acompanha a política paraibana se lembra de uma declaração de João Azevedo segundo a qual só aceitaria que participasse de sua chapa majoritária quem declarasse apoio à candidatura de Lula.

Lembre comigo:


Havia nessa declaração um recado direto ao deputado bolsonarista Efraim Filho que, à época, disputava com Aguinaldo Ribeiro a vaga de Senador na chapa de João Azevedo. Era uma indicação da preferência de João Azevedo, que nunca teve coragem de dizer claramente que seu candidato sempre foi Aguinaldo Ribeiro. Efraim entendeu o recado e anunciou apoio a Pedro Cunha Lima.

Nessa toada, Aguinaldo Ribeiro tentou mostrar prestígio e levou João Azevedo a tiracolo para uma conversa com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. Lembre.

É difícil dizer se Aguinaldo Ribeiro algum dia pensou em abandonar o governo federal para apoiar um candidato da oposição ou se estava apenas valorizando o passe.

Descobrimos que se tratava da segunda opção durante o fim de semana. Durante a entrevista concedida pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro à rádio Solidária, de São Bento (veja abaixo), ele disse que não pretende votar em Lula, e que nos leva à suposição de que a exigência feita por João Azevedo no início de março não vale para o Progressistas.

Tudo bem que Aguinaldo Ribeiro não é mais candidato a senador, mas, é improvável que seu sobrinho, Lucas Ribeiro, o companheiro de chapa de João Azevedo, não acompanhe o tio nessa decisão. Se for o caso, estamos diante de uma família de atores.

Apesar da pergunta do entrevistador já antecipar uma resposta (“O senhor é da base de Bolsonaro. E aí, acompanha quem?”), Aguinaldo Ribeiro tergiversou dizendo que era independente. Depois, alegou ser “cristão”, que entre seus “valores basilares” estava a “defesa da família”, ou seja, Aguinaldo Ribeiro quis deixar claro suas afinidades ideológicas com o bolsonarismo e com o presidente candidato à reeleição. E mais:

“Bolsonaro passou 20 anos no nosso partido. Eu fui líder dele duas vezes [na Câmara] e tenho muito respeito pelo presidente Bolsonaro. Mas, também tenho muito respeito pelo presidente Lula, pela presidente Dilma (…). Temos o ministro da Casa Civil [de Bolsonaro] que é o presidente do nosso partido, o ministro Ciro Nogueira, que é meu amigo, que lutou comigo na trincheira da minha primeira liderança (…).”

Aguinaldo Ribeiro continuou tentando enrolar seu eleitor, criticou a “polarização”, falou da divisão nas famílias, defendeu o debate, e acabou sem responder claramente em quem vai votar para presidente. Mas, quem sabe ler nas entrelinhas, conclui que Aguinaldo Ribeiro já se decidiu pelo voto em Jair Bolsonaro. Bolsonaro, Ciro Nogueira e os milhões de motivos do orçamento secreto ajudarão o deputado federal a descer do muro até a eleição.

Quanto a João Azevedo, é quase certo que ele já esqueceu da exigência feita em março do voto em Lula para seus companheiros de chaoa. Porque, afinal de contas, exigir agora é só com Aguinaldo Ribeiro.

Que triste fim.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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