CIRO NO PALANQUE DE PEDRO? A possível aliança PSDB-PDT na Paraíba

É recomendável que acompanhemos as conversas do PDT com Pedro Cunha Lima. Em discussão, uma troca de apoios: Pedro receberia dos trabalhistas o apoio à sua candidatura ao governo, enquanto o tucano apoiaria o presidenciável Ciro Gomes. Talvez entre na discussão a ocupação da vaga de candidato a vice-governador na chapa do PSDB, mas essa não é a prioridade do PDT, que se contentaria com um palanque para dar mais visibilidade a Ciro Gomes na Paraíba, prioridade das prioridades do partido.

Como ainda tem muita água para rolar até o último dia das convenções, não é impossível um deslocamento dos partidos da chamada terceira via em direção à candidatura de Ciro Gomes. Simone Tebet não conseguiu empolgar o eleitorado nem-nem (nem Lula nem Bolsonaro) e é bastante improvável que consiga atingir esse objetivo.

Não fosse o programa crítico do neoliberalismo, Ciro Gomes já teria unido a terceira via em torno de sua candidatura. É isso que tem impedido que essa aliança se concretize, um impasse difícil de ser superado a não ser que a política se sobreponha ao dogmatismo da tal terceira via, que não reconheceu ainda ser esse o principal óbice a que os partidos que a compõem, sobretudo o PSDB, almejem voltar ao velho protagonismo.

A maior dificuldade para a resolução dessa equação será saber, portanto, se o dogmatismo econômico da velha aliança com o rentismo terá prioridade sobre a sobrevivência política, já que é isso que a candidatura de Ciro Gomes oferece a esses partidos: um discurso e um projeto de reconstrução e união nacional.

Mesmo assim, esse movimento já está em curso. Em Minas Gerais, o pré-candidato ao governo do PSDB, o ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB), decidiu apoiar Ciro Gomes, que qualificou como “verdadeira terceira via”. Em outros estados, Ciro tem conversas avançadas com candidatos de partidos como o União Brasil, como no caso na Bahia de ACM Neto.

Não esqueçamos que Cássio Cunha Lima tem ainda forte influência no PSDB, o que nos leva a acreditar na hipótese de que a aproximação com o PDT na Paraíba esteja relacionada não apenas à questões locais, mas à articulações nacionais.

No caso da candidatura de Pedro Cunha Lima, ele só teria a ganhar. Na política, sairia do gueto à direita em que seu grupo se meteu desde que Cássio resolveu se filiar ao PSDB, em 2001. Além disso, ele poderia incorporar às suas propostas a ideia de aplicar na Paraíba o vitorioso modelo educacional de Sobral, já que a educação é a linha mestra de seu programa de governo. Fora a numerosa militância cirista mas redes sociais.

Mas, nem tudo são flores e será necessário considerar considerar algumas resistências, a começar por um certo dogmatismo liberal do candidato a governador, meio fora de lugar, convenhamos. E existem os problemas da notória proximidade que muitas lideranças do grupo Cunha Lima mantêm com o bolsonarismo, como Romero Rodrigues e o prefeito de Campina, Bruno Cunha Lima.

De qualquer maneira, Pedro tem a oportunidade de fazer sua candidatura respirar novos ares e dar a ela novas expectativas.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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