Sobre as possibilidades de Lula vencer no primeiro turno

Em 11 de abril, publiquei aqui no blog um texto com uma análise da pesquisa Ipespe sobre a eleição presidencial em São Paulo, divulgada naquele dia. Segundo o Ipespe, Lula manteve os 34% da pesquisa anterior e Bolsonaro chegou a 30%, crescimento quer foi fruto da desistência de Sérgio Moro.

O título do artigo resumia o sentido da análise: “Lula continua sem perder votos; Bolsonaro e Ciro precisam que isso aconteça”.

“Se o quadro atual persistir até o início da campanha, com Lula mantendo índices nacionais próximos dos 45% (quando só os votos válidos são considerados, Lula beira os 50%), a possibilidade de a eleição ser revolvida já no primeiro turno se torna bastante factível. E mesmo com a realização de um segundo turno, uma derrota de Lula para Bolsonaro se torna muito improvável, já que o voto antibolsonarista parece ser a tendência dominante em 2022, assim como foi o voto antipetista em 2018.”

De abril ao final de julho, Lula não apenas não perdeu votos como ampliou sua vantagem, com percentuais (fora da margem de erro) que agora indicam a possibilidade de vitória já no primeiro turno.

Isso acontecerá? É difícil antecipar, claro, mas o problema de Jair Bolsonaro continua o mesmo. Crescer tirando votos de Lula, o que tem se mostrado uma tarefa de difícil realização, mesmo com o sistemático e organizado esforço de difusão de mentiras sobre Lula no Whasapp. Pelo menos até agora. Os 47% obtidos pelo ex-presidente na pesquisa Datafolha de ontem indicam que, numericamente, Lula está a 3 pontos percentuais de ultrapassar os 50%, mesmo contando os votos nulos e brancos.

Quem acompanhou a eleição de 2006, no auge do mensalão, lembra do quanto Lula é capaz de resistir as investidas destrutivas do bolsonarismo. Talvez seja o único político brasileiro com essa capacidade, inclusive porque ninguém foi tão investigado quanto foi Lula na história brasileira, e só o que a Lava Jato conseguiu para tentar incriminá-lo foi apontar ser de Lula um apartamento de 220m2, que a imprensa teima em chamar de triplex, numa praia decadente de São Paulo, e um “sítio”. Um ex-presidente que, ao longo de oito anos, comandou dezenas de trilhões do orçamento federal receber essas acusações soa até como um atestado de honestidade.

Essa é a razão pela qual a situação de 2022 é completamente diferente da de quatro anos atrás. O eleitorado conhece bem Jair Bolsonaro e vive sob um governo que é um completo desastre econômico, político, social, institucional e moral; a armação da Lava Jato, que tornou a eleição de Jair Bolsonaro possível, foi desmascarada; o ex-presidente é quase um consenso como alternativa para derrotar o bolsonarismo, reunindo o mais amplo espectro sob a bandeira da defesa de democracia e do Estado de Direito, ameaçados por Bolsonaro.

Essa conjuntura dá a Lula a possibilidade não apenas de conquistar uma inédita vitória no primeiro turno, como de construir as bases para um consenso mínimo em torno de projeto de reconstrução econômica, política e institucional do país.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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