CENTRÃO BOLSONARISTA: Progressistas e Republicanos formam o núcleo duro da candidatura de João Azevedo

Todo mundo sabe que cumprir promessas não é o forte de João Azevedo. E não só promessa administrativa. Quando o governador se achava reeleito por antecipação e seus aliados mais próximos falavam em vitória por WO, João Azevedo prometeu que não aceitaria apoio de bolsonaristas nem os queria em seu palanque.

Vamos refrescar nossa memória.

Há exatamente um ano, no dia 28 de julho, a jornalista Angélica Nunes registrou em sua coluna no Jornal da Paraíba, que João Azevedo havia decidido não “compor com nenhum político que tenha simpatia pelo presidente da república e sua linha ideológica”. A decisão atingia Efraim Filho (União Brasil), Hugo Motta (Republicanos) e Aguinaldo Ribeiro (Progressistas).

Pois bem, na semana passada aconteceram as Convenções que decidiram os rumos das alianças para as eleições presidenciais. Dois partidos se juntaram ao PL de Jair Bolsonaro: o Progressistas, de Aguinaldo Ribeiro, e o Republicanos, de Hugo Motta. O partido de Efraim Filho, o União Brasil, decidiu que não apoiará Bolsonaro e mantém aberta a possibilidade de apoiar Lula.

Ironicamente, apenas Efraim Filho acreditou na palavra do governador e, para se manter fiel a Jair Bolsonaro, abandonou João Azevedo para se juntar a Pedro Cunha Lima no início do ano. Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta seguiram firmes sob o guarda-chuva do governo numa disputa pouco lisonjeira e repleta de acusações mútuas pela indicação da vaga de candidato a vice-governador.

Como previsto, Aguinaldo Ribeiro venceu a disputa e impôs o nome do sobrinho a João Azevedo. E o Republicanos teve de engolir o sapo e o choro. Mas, se tivesse um nome disposto a enfrentar Ricardo Coutinho, o partido de Hugo Motta e Adriano Galdino teria indicado o candidato ao Senado. João Azevedo estaria, então, ladeado por dois representantes de partidos que apóiam Jair Bolsonaro.

De qualquer maneira, o bolsonarista Republicanos acertou “as bases” para manter o apoio e segue no palanque de reeleição de João Azevedo. Entre outras coisas, Adriano Galdino pretende transformar a presidência da Assembleia em uma monarquia. Está a quatro anos ocupando o cargo e acertou com João Azevedo mais quatro. O Progressistas ficou com a vice e a promessa de Lucas Ribeiro assumir o governo em 2026, no caso de uma cada vez mais improvável vitória de João Azevedo.

Vamos relembrar para que o leitor e a leitora não esqueçam e levem em conta esse fato na hora de decidir seu voto: os dois maiores partidos que apóiam João Azevedo, Progressistas e Republicanos, junto com o PL de Jair Bolsonaro, compõem a tríade de apoio à reeleição do atual presidente. Esses partidos são o núcleo duro do Centrão.

E eles mandarão em um futuro governo de João Azevedo, que virou refém da velha política.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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