Pollyana Dutra é o novo balão de ensaio de João Azevedo para o Senado; o problema é que ela pode estar inelegível

Aguinaldo Ribeiro desistiu da candidatura ao Senado porque não sentiu firmeza de que o conjunto de partidos acomodados dentro do governo seria capaz de derrotar o favoritismo de Ricardo Coutinho, do PT.

E lá se vão quase dois meses desde o anúncio formal da desistência de Aguinaldo Ribeiro e que João Azevedo pena em busca de um nome. A vaga já foi oferecida ao Republicanos, que a recusou. Nomes de pouca expressão se ofereceram publicamente, como o jornalista Heron Cid e o ex-secretário Geraldo Medeiros, não houve boa receptividade.

Bastou Veneziano Vital anunciar o nome de Maysa Cartaxo como a provável candidata à vice-governadora, que começou o corre-corre nas hostes da Granja Santana em busca de uma mulher para quebrar a imagem do Clube do Bolinha governista. No sábado, tudo parecia indicar que esse nome seria Eva Gouveia, já que a viúva de Rômulo Gouveia surpreendentemente apareceu em destaque nos banners da Convenção em imagens ao lado de João Azevedo e Lucas Ribeiro. De novo, a receptividade do eleitorado não parece ter sido bia.

Hoje, outro balão de ensaio foi lançado nos céus tempestuosos do governismo: o nome da ex-prefeita de Pombal, Pollyana Dutra, é o nome da vez. De acordo com o site Polêmica Paraíba, a deputada estadual do PSB “está sendo sondada pelo governador João Azevêdo (PSB) para eventual candidatura dela ao Senado nas eleições deste ano”. Segundo a fonte, que deve ter ligações próximas com o governador, Pollyana Dutra teria condições de “unir” a base de João Azevêdo, argumento que demonstra que a crise, melhor dizendo, o boi-de-fogo governista ainda continua. E Pollyana Dutra “ainda seria uma representante feminina na chapa”.

É difícil acreditar que esse balão de ensaio prospere, e vamos indicar algumas razões. Apesar de tentar demonstrar uma intimidade que não tem com Lula, resultado do trabalho realizado na prefeitura de Pombal, quando pertencia ao PT, e recebeu amplo apoio do governo federal, Pollyana Dutra deu uma guinada à direita que a afastou do campo que a elegeu prefeita da cidade sertaneja.

Em 2020, por exemplo, lançou a irmã, Kévia Dantas Werton de Queiroga, ao cargo de prefeita de Pombal pelo PL de Jair Bolsonaro. O povo de Pombal percebeu a mudança, derrotando-a.

Talvez fosse esse o destino da própria Pollyana caso João Azevedo não tivesse se filiado ao PSB, já que ela esperava apenas a janela partidária para assinar outra ficha de filiação.

E há um obstáculo, esse jurídico, que deve impedir o registro da candidatura de Pollyanna Werton Dutra. Em 13 de dezembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado rejeitou as contas de 2010 de sua administração em Pombal. Não só. O TCE também imputou um débito no valor de R$ 732.775 mil à ex-prefeita, referente a despesas não comprovadas. E imputação de débito é uma penalidade que produz inelegibilidade.

Se Pollyana Dutra vai se lançar assim mesmo, veremos. De qualquer maneira, trata-se de um improviso, já que entramos em agosto e estamos a quatro dias do prazo final das convenções e João Azevedo continua incrivelmente sem candidato a senador. Essa definição está cada vez mais parecida, para usar os termos da infância, com um pega na rua.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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