DEBATES NA TV: Veneziano Vital e Adjany Simplício mostraram que são os únicos que têm o que dizer ao eleitorado

Os dois debates realizados até agora, o primeiro, pela TV Band-Manaíra, o segundo, pela TV Arapuã, tiveram pelo menos uma utilidade: a de revelar qual a disposição dos candidatos a governador em debater os problemas da Paraíba e as soluções que propõem para enfrentá-los. Para facilitar o entendimento do que vamos expor a seguir, preferimos organizar os candidatos em blocos.

No primeiro bloco de candidatos do udenismo falso-moralista, dois deles arrivistas e aventureiros, nesse último caso, os dois bolsonaristas Nilvan Ferreira e Major Fábio. Antônio Nascimento, do PSTU, tem em comum com os dois bolsonaristas a adesão ao discurso lavajatista “contra a corrupção dos políticos” que, nos últimos anos, funcionou como preâmbulo histórico, sempre recorrente,bao movimento, hoje em curso, para destruir as instituições democráticas no país. E foi a prancha sobre a qual surfou, ora, vejam, Jair Bolsonaro para chegar à Presidência.

O falso moralismo udenista dá sempre em gente da estirpe de Nilvan Ferreira, que tenta parecer uma Madre Teresa de Calcutá, ele que chegou como um pobre radialista em João Pessoa vindo de Cajazeiras, e por aqui enriqueceu. E já que ele tem delações premiadas como verdades absolutas, poderia explicar para seu eleitorado o significado de “couro de rato” (caso o/a leitora esteja interessado/a por que essa expressão está associada ao nome de Nilvan Ferreira, procure no Google).

O fato do Major Fábio (ex-DEM, ex-PROS) ter assumido o mandato de deputado federal depois da renúncia de Ronaldo Cunha Lima e a licença de Rômulo Gouveio, fala muito de suas origens cassistas. Enfim, tanto Nilvan Ferreira quanto Major Fábio faziam política muito antes de Jair Bolsonaro ascender ao estrelato do reacionarismo brasileiro (aliás, o “bolsonarismo” de Nilvan Ferreira é tão recente que ele foi candidato a prefeito de João Pessoa, em 2020, com o apoio decisivo do ex-governador José Maranhão).

Pedro Cunha Lima vive uma crise de identidade característica de quem está indeciso entre manter-se no rio do tradicionalismo político de sua família, ou seguir o curso do prodígio neoliberal formado pela Fundação Lemman, ou ainda abraçar as teses neo-desenvolvimentistas de Ciro Gomes. Ele bem que tenta se ver no espelho usando um novo look, um novo paletó, um novo penteado, mas, definitivamente, não lhe cai bem por conta do contraste causado pelas velhas companhias.

A candidata do PSOL, Adjany Simplício, é uma boa surpresa. A inexperiência em candidaturas majoritárias não a impediu de lidar, até com certa naturalidade e, por vezes, com bom humor, com o ambiente tenso dos debates eleitorais, sobretudo na TV. Adnany, por exemplo, não se prestou, apesar dos esforços dos dois candidatos bolsonaristas, a fazer coro com o falso moralismo deles. Pelo contrário, faz sempre questão de confrontá-los.

O ponto alto de Adjany Simplício nos dois debates foi quando lembrou que João Azevedo anda cercado por bolsonaristas. O governador foi obrigado, de novo, a mudar de assunto.

João Azevedo anda a tentar nos convencer de que o governo inventado pela propaganda e pelos falsos elogios de jornalistas e radialistas bem pagos para fazerem isso, não é uma fantasia, e que o governo das estradas esburacadas, das escolas de tetos a desmoronar, ambos por falta de manutenção, das promessas não cumpridas, da ausência completa de obras estruturantes, é uma invenção da oposição.

Ora, um governador que até agora foi incapaz de citar uma única escola construída durante o seu governo é revelador do governo que a Paraíba tem. No debate de ontem, na TV Arapuã, João Azevedo foi desafiado por Veneziano Vital a citar uma única vila olímpica (ou centro de formação olímpica) das 9 (nove) prometidas em 2018. Chegou a ser divertido acompanhar o esforço do atual governador tentando fugir da pergunta, mencionando um book de obras que, por pior que seja o governo, sempre existem.

No caso de Veneziano Vital, os dois debates ajudaram a mostrar não só sua disposição para debater com seriedade e em profundidade os problemas e os desafios atuais da Paraíba, como o esforço feito por ele, durante a pré-campanha, para elaborar um programa consistente. Não houve até agora uma só questão colocada nos debates que não tenha tido a resposta de Veneziano Vital, sempre acompanhada por um breve diagnóstico, e finalizada com propostas. Também não se vê nas participações de Veneziano tratamentos desrespeitosos com os adversários, acusações gratuitas, ironias, grosserias.

Aliás, o único ataque que é feito a Veneziano é sobre a Operação Calvário, na qual, lembre-se, ele não foi sequer citado. Veneziano, no entanto, não foge da discussão ao criticar julgamentos por antecipação e julgamentos políticos, e a defender o princípio da equidade jurídica, no qual todos têm o direito a um julgamento justo e imparcial.

Percebe-se em Veneziano, claramente, um esforço genuíno de quem tem o que dizer, de quem se preparou não só para debater, mas para governar um estado complexo como é a Paraíba, ele que foi por oito anos prefeito de Campina Grande, a segunda maior cidade do estado.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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