ENTREVISTA: bom desempenho de Maísa Cartaxo pode ajudar a evidenciar ainda mais vazio feminino das chapas de João, Nilvan e Pedro

A candidata a vice-governadora pelo PT na chapa de Veneziano Vital, Maísa Cartaxo, concedeu entrevista ao programa Rádio Verdade, da Arapuan FM. 

Como até hoje, Maísa Cartaxo pouco havia se exposto em entrevistas de conteúdo exclusivamente político, quem acompanhou a entrevista do começo ao fim, como eu, pôde tirar pelo menos duas conclusões.

Primeiro, evidencia o acerto político do candidato a governador Veneziano Vital, que fez tanta questão de ter Maísa Cartaxo como companheira de chapa; segundo, pela fluidez e consistência argumentativa, é provável que, se bem aproveitada na campanha, Maysa pode ajudar a evidenciar o vazio feminino das chapas para o governo de João Azevedo, Nilvan Ferreira e Pedro Cunha Lima, que fecharam os espaços à participação das mulheres.

Ao se apresentar no começo da entrevista, Maísa Cartaxo fez questão de ressaltar suas origens cajazeirenses e de menina pobre que conseguiu superar as adversidades através do estudo na escola pública, que a levou ao curso de Farmácia, em João Pessoa, e depois ao título de doutora e à docência na UFCG e depois UFPB. 

Maísa Cartaxo lembrou o trabalho de contribuição voluntária como (eu não gosto dessa expressão, mas vá lá) “primeira-dama” de João Pessoa, trabalho que desempenhou sem as afastar das atribuições de professora da UFPB.

Em um dos pontos altos da entrevista, Maísa Cartaxo defendeu uma maior participação da mulher na política, as contribuições que podem oferecer à administração pública, e lembrou que uma das propostas de Veneziano Vital, caso eleito, é ocupar 50% do seu secretariado com mulheres.

Um único ponto que para mim merece reparo é que, para evitar ciúmes e criticas de tratamento diferenciado, Maísa Cartaxo deve lembrar sua condição de candidata a vice-governadora e, portanto, ser mais discreta ao manifestar suas óbvias preferências de voto para o parlamento.

De resto, se não foi exatamente uma surpresa em razão de ser ela professora, condição que lhe permite um certo traquejo retórico, Maísa Cartaxo mostrou domínio da linguagem política, sabendo dosar emoção e razão na medida certa, o que não é muito comum. Lucas Ribeiro, que já foi vereador, secretário e vice-prefeito de Campina Grande, demonstrou isso na entrevista de ontem à mesma rádio.

A campanha de Veneziano Vital deve ter gostado do que escutou.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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