PESQUISA REAL BIG DATA: João cai para 29%, Veneziano cresce e vai a 14; quando associado ao nome de Lula, Veneziano ultrapassa João

No último dia 12, os meios políticos da Paraíba ficaram sabendo que o Instituto Real Big Data havia registrado uma pesquisa de intenção de votos para medir as preferências do eleitorado para governador e senador da Paraíba. Encomendada pela TV Record (TV Correio, na Paraíba), a pesquisa deveria ter sido divulgada na última quarta-feira, 17 de agosto. Em razão do nome do ex-governador, Ricardo Coutinho, ter sido excluído do levantamento, a data para divulgação acabou sendo adiada.

Divulgada hoje (23) pela TV Record e repercutida por alguns sites nacionais, entre eles, Carta Capital, a pesquisa mostra um retrato muito desfavorável para o atual governador João Azevedo, candidato à reeleição e, por outro lado, de merecer um foguetório por parte da campanha de Veneziano Vital, do MDB, que, no início do ano, poucos o apontavam com chances de vitória. Os números da Real Big Data talvez ajudem a desvendar esse mistério.

Por isso, causou estranheza que o Sistema Correio não tenha divulgado a pesquisa na Paraíba. Visitei a página do Portal Correio às 15h45 e às 17h16 e não havia nenhuma menção à pesquisa.

Talvez porque a pesquisa, como já adiantei, é de causa pesadelos à campanha de João Azevedo. Pelos números da pesquisa estimulada, João Azevedo teria, se a eleição fosse hoje, 29%, enquanto três candidatos estariam empatados em segundo lugar, com 15% (Nilvan Ferreira) e 14% (Veneziano Vital e Pedro Cunha Lima).

Notem que a soma das votações dos três candidatos de oposição é 1/3 superior à votação de João Azevedo.

A pesquisa traz outros números relevantes que ajudam a explicar por que João Azevedo e sua campanha devem se preocupar.

Na votação espontânea, João Azevedo também lidera, mas com um percentual de 20%, também muito baixo para um candidato à reeleição. Para um governador eleito em primeiro turno em 2018 e que está há quase quatro anos na mídia diariamente, é um número sofrível e preocupante. João Azevedo está atrás de Pedro Cunha Lima e Veneziano Vital, ambos com 7%, e Nilvan Ferreira, com 5.

Como a pesquisa espontânea mede o voto consolidado dos candidatos e, nesse ponto, considerando a margem de erro de 3%, João Azevedo tem apenas o dobro da votação dos candidatos oposicionistas, todos eles, claro, em grande desvantagem no quesito divulgação do nome e associação com ações positivas. Isso nos lembra que a iniciativa administrativa e política está toda com o governador candidato à reeleição, que, pelos variados meios que dispõe, tem amplas condições de conduzir a agenda do debate eleitoral. Não foi o que aconteceu. Nos últimos meses, os problemas do governo, como a péssima administração das escolas durante a pendemia, evidenciaram-se.

Isso se evidencia nos números da rejeição do atual govenador. A pesquisa Real Big Data mostra que nada menos que 41% do eleitorado paraibano rejeita o nome de João Azevedo, contra 33 e 31%, respectivamente, de Major Fábio e Nilvan ferreira, candidatos declaradamente bolsonaristas. Veneziano e Pedro Cunha Lima seguem atrás com 29 e 27%.

A rejeição a João Azevedo, claro, está associada ao números sofríveis dos que reprovam o governo (31% de ruim e péssimo), que representa um empate técnico com os que aprovam o governo (34% de ótimo e bom, sendo os que consideram o governo ótimo são apenas 14%, enquanto 15% acham o governo péssimo .

Para termos um parâmetro apropriado, há exatos quatro anos, no início da campanha para governador de 2018 (25/08/2018), o IBOPE registrava em pesquisa uma aprovação de 55% entre ótimo e bom para Ricardo Coutinho e uma soma de apenas 13% entre os que consideravam o governo ruim e péssimo. João Azevedo tem mais que o dobro de reprovação.

Veneziano cresce e já é 2º

A pesquisa Real Big Data não poderia apontar um cenário mais favorável para o candidato do MDB, Veneziano Vital. Como essa é primeira pesquisa que o instituto Real Big Data fez na Paraíba, não dá para comparar a evolução dos candidatos. Uma das únicas pesquisas feitas antes foi a DataVox/PBAgora, divulgada no longínquo mês de fevereiro, há seis meses, portanto. Nessa pesquisa, Veneziano tinha 6,6%, enquanto João Azevedo despontava com 40,7%. Pedro Cunha Lima e Nilvan Ferreira obtiveram 14,2% e 3,3%, respectivamente.

Notem o tamanho da perda de votos do atual governador e a ascensão de Veneziano Vital e Nilvan Ferreira. Pedro Cunha Lima permaneceu parado, não tendo ele conseguido, aparentemente, conquistar mais votos além dos herdados do pai, o ex-governador Cássio. Por mais que haja diferença nas metodologias, é impossível negar a queda vertiginosa de João Azevedo — um mergulho de 15% em seis meses — e o crescimento dos candidatos cujos nomes estão mais associados à polarização nacional entre o ex-presidente Lula, do PT, que apoia declaradamente Veneziano, e Jair Bolsonaro, do PL, que apoia Nilvan Ferreira.

Diferente de Nilvan Ferreira, que há meses associa seu nome ao de Jair Bolsonaro com participação em comícios, Veneziano Vital só recentemente pôde contar com a poderosa imagem do ex-presidente Lula ao seu lado, como aconteceu no comício gigante, realizado há um mês em Campina Grande. Isso quer dizer duas coisas: de um lado, o crescimento de Veneziano até aqui, em boa parte, é resultado do seu trabalho político, quando, ao longo dos últimos meses, foi capaz de conquistar o apoio de dezenas prefeitos. De outro, a associação de Veneziano com o nome de Lula ainda pode agregar ainda mais votos no mês decisivo de campanha, que é setembro, quando a propaganda da TV estará em curso e o eleitorado prestará mais atenção nos candidatos. E Lula terá um papel muito mais decisivo do que já teve até agora.

E potencial de transferência a pesquisa também mediu e revelou outro número preocupante para João Azevedo: quando o nome de Veneziano aparece ao lado do de Lula na pesquisa, o ex-prefeito de Campina vai a 29%, ultrapassando João Azevedo, que cai ainda mais e chega a 25%. Veja:

E é preciso considerar que a campanha só está começando, e não existe ainda o martelar diário promovendo a integração entre as duas candidaturas, que não é artificial, como pretende a campanha de João Azevedo, mas orgânica, já que o PT de Lula está na coligação de Veneziano com a candidata a vice, Maísa Cartaxo, e o candidato a senador, Ricardo Coutinho.

João Azevedo pode crescer durante a campanha? Se ele tivesse o que mostrar do seu governo, talvez. A questão então passa a ser: ele tem?

A Granja Santana vai passar mais uma noite insone.

PS. Depois eu volto para analisar a pesquisa para o Senado e mostrar porque só derrotam Ricardo Coutinho no tapetão.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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