SENADO: Pesquisa Real Big Data mostra que Ricardo Coutinho só perde para o “tapetão”

Os números da pesquisa Real Big Data da disputa para o Senado, divulgados ontem, ensejam reflexões que nos permitem ir além dos percentuais obtidos pelo ex-governador Ricardo Coutinho, que lidera com folga a disputa: RC tem 28%, Efraim Filho, 17%, Bruno Roberto, 8%, Pastor Sérgio Queiroz, 5% — a candidata de João Azevedo, Cícero Lucena e Aguinaldo Ribeiro, Pollyanna Dutra (assim mesmo, com dois Ls e dois Ns) amarga meros 3%, mesmo depois da ampla divulgação do seu nome nas últimas duas semanas.

Veja:  

Mesmo sem aparecer na mídia, a não ser quando a intenção é detratá-lo, mesmo sem conceder entrevistas aos grandes sistemas de comunicação, enquanto seus adversários parecem ter um canal direto com esses meios, mesmo com o apoio dos poucos e corajosos prefeitos, que decidiram apoiar o ex-governador como um gesto de pura gratidão, e agora proibido de usar o único meio disponível para financiar sua campanha, que é o Fundo Eleitoral, como tudo isso, parece incrível que o ex-governador ainda consiga ter a preferência de quase 1/3 do eleitorado paraibano — outras pesquisas mostram que esse número é bem mais maior. Isso sem a campanha TV ter sequer começado.

Para quem acompanha política na Paraíba, como faço há anos, sequer seriam necessárias pesquisas de opinião, já que elas só serviriam para constatar o óbvio, além de tornar o pesadelo de muita gente realidade. Aliás, como vem acontecendo com os raros levantamentos realizados até agora — além de demonstrar a liderança de Ricardo Coutinho para o Senado, a Real Big Data também mostrou João Azevedo de ladeira abaixo e Veneziano de ladeira acima. Quer mais um indício? A ausência de nomes estatura política para enfrentar Ricardo Coutinho nas urnas é mais uma evidência de que entrar na disputa seria uma atitude de alto risco — Aguinaldo Ribeiro desistiu, e outros políticos sem muita representatividade estadual mantiveram a aposta no tapetão, já que só dessa maneira poderiam ganhar um mandato de Senador da República, que jamais conseguiriam numa situação de normalidade institucional.  

Enfim, Ricardo Coutinho só não será Senador pela Paraíba se for impedido pela Justiça, e numa dessas interpretações que se alargam quando a má-vontade do julgador se mostra evidente.

Porque, convenhamos, impedir a candidatura de alguém, que tem a ampla preferência do eleitorado, como é o caso, por conta de dois dias é, no mínimo, de acordo com um amigo jurista, ausência completa do princípio da razoabilidade. Esclareçamos: Ricardo Coutinho se tornou inelegível por conta de decisão do TSE, tomada, sem consenso, às vésperas da eleição para prefeito de João Pessoa, em 2020, após ganhar a questão no TRE. Como o prazo de inelegibilidade de 8 anos começou a contar na data da eleição de 2014 (5 de outubro), ele poderia disputar a eleição de 2022 caso a mesma acontecesse 3 dias depois, e não em 2 de outubro, como será o caso.

É nisso que Efraim Filho, Bruno Roberto, Pastor Sérgio e até Pollyana Dutra apostam.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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