PESQUISA IPEC PARA O SENADO: por que Pollyanna Dutra pode virar favorita no caso de inelegibilidade de Ricardo Coutinho

Não é preciso ser muito arguto para concluir que as candidaturas de Efraim Filho, Pollyanna Dutra, Bruno Roberto e Pastor Sérgio ao Senado partem de uma aposta: que Ricardo Coutinho está inelegível, que dificilmente conseguirá uma liminar para obter registro de sua candidatura e que, portanto, está fora da disputa.

Como toda aposta, existe sempre a possibilidade dessas expectativas não se confirmarem, como aconteceu com Cássio Cunha Lima, em 2010, e todos tendem a dar com os burros n’água, como atestou a pesquisa Ipec encomendada e divulgada ontem pelo Sistema Paraíba, que coloca o Ricardo Coutinho com 30%, dez pontos percentuais à frente do segundo colocado, Efraim Filho, que pontuou com 20%, um cenário que persiste desde o início do ano. Pollyana Dutra, do PSB, aparece em terceiro lugar e já tem 8%.

Infelizmente, o Ipec não testou o desempenho dos candidatos com possíveis  substitutos/as de Ricardo Coutinho na disputa, o que nos obriga a projetar esse cenário a partir dos números com o a presença do ex-governador.

Consideremos, então, que mais adiante a inelegibilidade de Ricardo Coutinho se confirme e o ex-governador se veja impedido de participar da eleição. A partir dos números do Ipec divulgados ontem, tendo a considerar que, no cenário sem RC na disputa, a grande beneficiária será Pollyanna Dutra.

Para esclarecer esse ponto de vista, é necessário considerar que Pollyana Dutra está em grande desvantagem na disputa, já que sua candidatura foi lançada há menos de 30 dias, ao contrário dos outros candidatos, que há meses rodam o estado pedindo votos e dando entrevistas. Ao obter, na largada, um percentual de 8% que a coloca em terceiro lugar, à frente dos candidatos assumidamente bolsonaristas, Bruno Roberto e Pastor Sérgio, e já com a metade dos votos de Efraim Filho, o cenário se mostra muito auspicioso para a candidata do PSB na chapa de reeleição de João Azevedo caso RC seja considerado inelegível.

Primeiro, porque Pollyanna Dutra não cansa de repetir que pertence ao mesmo campo político de Ricardo Coutinho e de Lula, o que, considerando o perfil do eleitorado do ex-governador e seu vínculo com o ex-presidente, a coloca em grande vantagem como potencial herdeira do espólio do candidato petista, já que Efraim Filho continua a se dizer não só eleitor de Jair Bolsonaro, como integrante da base parlamentar do atual presidente. Notem que, caso o candidato fosse Aguinaldo Ribeiro, essa vantagem que atribuo a Pollyanna não existiria.

Segundo, sendo ela a única candidata feminina na disputa, e com a relevância que a questão da mulher está adquirindo cada vez mais na campanha de 2022, Pollyanna Dutra terá mais facilidade de se apresentar ao eleitorado com a única candidata do campo progressista. E ela conta com uma poderosa máquina política, administrativa e de propaganda para atingir esse objetivo. No caso da confirmação da inelegibilidade de Ricardo Coutinho, restaria saber em qual momento da campanha ela aconteceria e se haveria tempo para um esforço de transferência de votos. Em todo caso, tudo dependerá da maneira como o eleitorado reagirá a essa situação, sobretudo se haverá comoção.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: