DESESPERO NA GRANJA SANTANA: Qual o objetivo da especulação sobre a retirada da candidatura de Nilvan Ferreira?

Nilvan Ferreira não confirmou, pelo contrário, fez ontem, na manifestação bolsonarista em João Pessoa, um duro discurso de candidato contra o atual governador João Azevedo. Wellington Roberto também não, e hoje concedeu a enésima entrevista para reafirmar que a chapa do PL ao governo e ao Senado está mantida, descartando, assim, qualquer aproximação com Pedro Cunha Lima e Efraim Filho.

Então, qual a razão para as especulações a respeito de uma possibilidade que nada indicava existir e jamais foi cogitado entre as partes diretamente interessadas, a não ser para sugerir a possibilidade de tentar, como conselheiros ad hoc, uma aliança em plena campanha. Caso o PL de Nilvan Ferreira e Wellington Roberto aceitasse o “conselho” para esse arranjo de última hora, seria como se os dois convidassem um ao outro para dançar à beira do abismo, olhando diretamente para o precipício do suicídio político.

Assim como jabuti não sobe em árvore, especulações como essas não nascem ao acaso. O desfecho pensado interessaria a um único candidato: João Azevedo. Como já ficou patente, o governador não consegue, há meses, sair dos 30% nas pesquisas, mesmo com toda a máquina administrativa, política e de propaganda à sua disposição, e vê agora o candidato do MDB e de Lula se aproximando para disputar com ele o segundo turno

Traduzindo: como Ricardo Coutinho lembrou na entrevista concedida à rádio CBN, na última terça, João Azevedo sabe que se for ao segundo turno contra Veneziano não terá a menor chance de vitória, já que os outros dois candidatos da oposição (Pedro e Nilvan) pontuam juntos mais ou menos 30% das intenções de voto. João Azevedo vai pedir voto para quem, a não ser para o PSOL que, ele também, alaranjou.

Assim, a única contingência que poderia renovar as esperanças de João Azevedo seria Pedro Cunha Lima ou Nilvan Ferreira irem para o segundo turno. O problema é que os dois patinam estagnados no mesmo patamar, próximo dos 15%, já há algum tempo.

Isso significa que, mantido o quadro atual de tendência de crescimento de Veneziano Vital, que começa a se beneficiar do apoio declarado do ex-presidente Lula e do ex-governador Ricardo Coutinho, o pior cenário de segundo turno para João Azevedo, pode se confirmar.

Enfim, parece que estamos diante de mais um erro de análise de conjuntura do séquito mais próximo do governador, que primeiro apostou todas as fichas no apoio de Lula, depois, no compartilhamento do palanque do ex-presidente com Veneziano, e agora, sem ter muito o que fazer para alterar o quadro que se consolida, tem como última opção sugerir aos adversários políticos o suicídio.

Aliás, já de olho no segundo turno, João Azevedo passou a excluir qualquer menção a Lula em suas redes sociais, como notou mais cedo o jornalista Tião Lucena. Mas, esse é um assunto que merece mais atenção. Trataremos dele depois.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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