PALANQUE DO SALVE-SE QUEM PUDER: Comício de João Azevedo em Guarabira termina em briga

A Paraíba assiste estarrecida às imagens do que aconteceu no último sábado, em Guarabira, quando um comício da coligação que apoia a reeleição do atual governador acabou em agressões, que começaram não no meio da plateia, mas entre os que estavam em cima do palanque?

O protagonista principal e motivo da divergência que geraram os sopapos foi ninguém mais ninguém menos que o deputado federal e candidato à reeleição, Gervásio Maia (PSB), que vem o dono, digo, o presidente estadual do PSB, o partido de João Azevedo.

Gervásio é acusado por membros proeminentes do partido de concentrar recursos do fundo eleitoral e distribuí-los de acordo com afinidades eleitorais – segundo o vice-prefeito de João Pessoa e vice-presidente do PSB, Léo Bezerra, seu pai, Harvázio Bezerra, não recebeu ainda um único centavo do fundo eleitoral que foi criado para financiar as campanhas eleitorais, enquanto Gervásio Maia já se auto-aquinhoou com R$ 2,5 milhões.


Segundo informações do site Primeiras Notícias, Gervásio Maia saiu escoltado do comício e foi à delegacia de Guarabira prestar queixa por conta da agressão. O acusado de esmurrar o presidente do PSB é José Agostinho César Bezerra, assessor de Raniery Paulino, que justificou o ato alegando ter sofrido injúria racial: “Venha, negro!”, teria dito Gervásio Maia. A pergunta é válida: o que o “forasteiro” Gervásio Maia estava fazendo em um comício organizado por um concorrente à vaga de deputado federal, Raniery Paulino (PR), em seu reduto eleitoral, Guarabira?

João Azevedo, obviamente, estava informado do clima de animosidades no seu palanque, que se acirra ainda mais na medida em que a data da eleição se aproxima. Em Guarabira, por exemplo, ele discursou primeiro — normalmente, o governador fala por último em comícios — e deu no pé, deixando a confusão inevitável para trás, dando mostras de que não é capaz de administrar situações de crise, nem em situações graves como as de um fim de campanha.

O que aconteceu em Guarabira não é um fato isolado – confusões já foram registradas também em Itabaiana, Junco do Seridó, Mamanguape e no Cariri – e é revelador das fraquezas do atual governador, que não tem comando porque se recusa a assumir as atribuições de principal liderança do seu grupo político, e é desrespeitado e confrontado sempre que a oportunidade surge. Quase todos os dias, por exemplo, João Azevedo é constrangido com pedidos de voto a Efraim Filho, que apoia Pedro Cunha Lima, feitos por “aliados” na sua frente.

Ou seja, a mensagem que João Azevedo confirma aos eleitores com essa falta de liderança é que o seu palanque é o palanque da desarmonia, onde o que prevalece é o projeto individual de cada candidato, sem que haja preocupação em manter um mínimo de convergência entre eles. E isso acontece porque não apenas o governador não é reconhecido como líder, mas porque o rumo se perdeu. Falta liderança e falta projeto a João Azevedo.

Quando falta o rumo de um projeto político-administrativo claro, o que resta são os “projetos” individuais e eleitorais de cada “apoiador”. Ora, e se o governador não tem capacidade sequer de organizar o palanque de sua própria campanha, de evitar que as divergências acabem nas delegacias, fica evidenciado o motivo principal para o desastre administrativo que é sua administração, o que ajuda o eleitor a projetar como será o próximo governo, caso ele se reeleja.

Do outro lado, evidenciando outro contraste que a troca de sopapos em Guarabira permite, é observar a convergência e a unidade no palanque Veneziano Vital e Ricardo Coutinho. Nele, não há espaço para brigas como modo de resolver diferenças, ninguém pede voto para outros candidatos, a não ser Lula, Veneziano, Ricardo Coutinho e os candidatos a deputado da coligação. Há clareza programática.

O palanque de Veneziano é o palanque da unidade. O palanque de Joao Azevedo é cada vez mais o palanque do “salve-se-quem-puder”.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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