VOTO ÚTIL PARA A DIREITA: Campanha de desinformação de Pollyana Dutra é para ajudar Efraim a derrotar Ricardo

A campanha de Pollyana Dutra entrou em parafuso e passou a difundir a fake new de que o voto em Ricardo Coutinho para Senador será nulo. Ora, o próprio presidente do TRE, Leandro dos Santos, disse em entrevista realizada na semana passada que o nome de Ricardo constará na urna eletrônica no dia da eleição e o STF decidirá se o ex-governador, caso eleito, assumirá ou não o mandato. Com Cássio aconteceu a mesmíssima situação, em 2010. Mesmo assim, Cássio foi eleito e assumiu o mandato de Senador.

Em 2022, o problema é outro. A campanha de João Azevedo usa esse subterfúgio não é para impedir a vitória de Efraim Filho, mas de viabilizá-la. Ou seja, o que eles desejam mesmo é evitar a todo custo a vitória de Ricardo Coutinho.

Sigam meu raciocínio.

Quem acompanha eleições na Paraíba há décadas, como é o caso desse que vos escreve, sabe que a candidatura de Pollyana Dutra é um improviso de última hora para evitar a desmoralização que seria a chapa do governador candidato à reeleição não apresentar um nome para o Senado.

João Azevedo apostou, desde o início, em nomes de bolsonaristas para compor sua chapa — Aguinaldo Ribeiro, cujo partido, o Progressistas, é linha de frente da candidatura de Jair Bolsonaro, e Efraim Filho, que hoje se declara eleitor, apesar de querer distância do atual presidente. Essa turma não tem limites e vai de acordo com a onda. Ambos (Aguinaldo e Efraim) são da base de apoio do governo Bolsonaro no Congresso.

Quando Aguinaldo não topou enfrentar Ricardo Coutinho nas urnas, desistiu e indicou o sobrinho, Lucas Ribeiro, para vice, deixando João Azevedo pendurado na broxa e sem candidato a senador. Pollyana foi a solução de última hora, decidida na semana das convenções.

Aliás, o perfil político de Pollyana Dutra não é muito diferente. Eleitora de Wellington Roberto e Daniella Ribeiro, em 2018, Pollyana filiou a irmã ao PL para ser candidata a prefeita de Pombal, em 2020. O esposo, Barão, seria candidato a deputado estadual pelo partido de Jair Bolsonaro (PL) caso tivesse conseguido legenda, negada depois do anúncio da candidatura de Pollyana na chapa de João Azevedo. Eis o verdadeiro perfil da candidata de João Azevedo: não tenho dúvidas que, caso eleita, Pollyana faria companhia a Daniella Ribeiro e seria mais uma parlamentar do Centrão no Congresso.

Pois bem, já é de causar desespero na campanha de João Azevedo o resultado das últimas pesquisas que mostram o governador emperrado nos 30%. Não bastasse isso, João Azevedo vê a ascensão de Veneziano nessa reta final para disputar com ele o segundo turno, com imensas chances de concretizar mais uma virada, como tantas que já aconteceram na Paraíba desde 1986 — farei um histórico detalhado dessas eleições em breve.

Se é desesperador esse cenário Para João Azevedo, que a cada pesquisa se mostra mais provável, imagine o terror que seria para o governador enfrentar um segundo turno contra Veneziano com Ricardo Coutinho já eleito senador e com o apoio de Lula, talvez já tendo vencido a eleição presidencial no primeiro turno, ou enfrentando um segundo turno contra Jair Bolsonaro. Convenhamos, trata-se de um verdadeiro mato-sem-cachorro.

Aliás, a campanha de João Azevedo já faz esse movimento para tentar conquistar votos bolsonaristas projetando um segundo turno contra Veneziano. Mesmo autorizado a usar a imagem de Lula na campanha, o que João Azevedo fez foi banir o candidato do PT à presidência de sua campanha. Quer uma comprovação? Assista ao horário político ou visite as redes sociais de João Azevedo. Se você encontrar qualquer menção a Lula nos últimos quatro meses ganha um pix no valor de um doce. Eis abaixo prints de postagens das últimas semanas do Instagram de João Azevedo.

Enfim, a campanha de João Azevedo sabe que Ricardo será candidato e sabe que, nessa situação, Pollyana Dutra não tem a menor chance. O esforço para criar dúvidas sobre a candidatura de Ricardo Coutinho ajudaria, na verdade, na eleição de Efraim Filho.

É disso que se trata.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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