Apoio de Pollyana Dutra a Daniella Ribeiro em 2018 ajudou a derrotar Luiz Couto para o Senado

A deputada estadual governista e candidata de João Azevedo, de Aguinaldo e Daniella Ribeiro ao Senado, Pollyanna (assim mesmo, com dois L, dois N e um Y) Dutra entrou com uma representação no TRE-PB contra um vídeo que a associa ao bolsonarismo e ao Centrão, cujas principais lideranças na Paraíba são… Aguinaldo e Daniella Ribeiro.

Segundo a equipe de Pollyana afirmou ao blog Conversa Política, do Jornal da Paraíba, “o vídeo traz informações inverídicas, falsas. Uma delas que o esposo de Pollyana Dutra, mais conhecido pela alcunha de “Barão” — eu lembro que, em Patos, no início da minha adolescência, o termo remetia a ricaço, a homem de posses — “nunca foi bolsonarista”.

No vídeo, há outras informações sobre a trajetória política de Pollyanna Dutra que vamos dissecar abaixo. Antes disso, assista-o.

Pollyanna contesta e diz que “Barão nunca foi bolsonarista”? Bem, se é assim, por que esse senhor continuou filiado ao PL mesmo depois de Jair Bolsonaro ter migrado para o partido em novembro de 2021. “Barão” tinha até abril de 2022 para mudar de partido e não o fez. Pelo contrário, tentou ser candidato a deputado para substituir Pollyanna na Assembleia, e, por óbvio, teria seu apoio — com sua votação, Barão ajudaria a engordar os votos da bancada bolsonarista.

O vídeo ainda diz que “Pollyanna é aliada da senadora bolsonarista Daniella Ribeiro e do seu irmão, o deputado bolsonarista Aguinaldo Ribeiro, do PP, partido do Centrão e maior aliado de Jair Bolsonaro”. Para tirar qualquer dúvida sobre as ligações políticas de Pollyanna Dutra com a família Ribeiro nessas eleições de 2022 procure saber quem a candidata apoia em Pombal.

Nas eleições de 2018, a situação foi ainda mais grave. Veja o que saiu da boca da própria Pollyanna em entrevista à rádio Arapuan de João Pessoa:

“Não só vou pedir voto a ela, como eu vou andar com ela, vou ser colega dela. (…) Eu quero trabalhar ao lado dela, juntar com a experiência dela. Alguns anos atrás eu sentava com Daniella num posto de gasolina lá em Santa Luzia, ela na correria dela e eu não minha (…) Eu dei esperança a ela, eu votei em Daniella. Então eu tenho absoluta certeza que Dani vai segurar a minha mão, como eu segurei a dela no Sertão, ela vai me segurar em Campina”.

Vejam bem a gravidade do que aconteceu em 2018. Pollyanna Dutra votou numa candidata ao Senado de outra coligação e ajudou a derrotar Luiz Couto, do PT, em 2018. A diferença de votos de Daniella Ribeiro, que ficou em segundo, para Luiz Couto, foi de apenas 39 mil votos.

Não é estranho que alguém que se diz de esquerda ou eleitor de Lula ainda cogite em votar em Pollyanna Dutra? Em alguns casos, o fato se explica pelo apego aos cargos no governo de João Azevedo, que essas pessoas colocam acima das convicções “petistas”, já que o PT tem candidato legitimamente lulista ao Senador, e se chama Ricardo Coutinho. É muita decadência, até para os padrões atuais.

O deputado estadual Jeová Campos, do PT, comentou essa traição de Pollyanna Dutra em entrevista ao Diário do Sertão, de Cajazeiras:

Enfim, o que há de mentira no vídeo divulgado pela campanha de Ricardo Coutinho? E por que dizer a verdade incomodou tanto Pollyanna Dutra, que na frente do povo se diz “lulista”, mas será mesmo, caso eleita, como ela mesmo já disse, base do Centrão no Senado.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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