É machismo lembrar que Pollyanna Dutra apoiou Wellington Roberto, em 2018, o presidente estadual do partido de Bolsonaro?

Constatar que Pollyanna Dutra nunca foi de esquerda é machismo?

Dizer que suas opções políticas, suas alianças eleitorais com figuras proeminentes da direita paraibana, como Daniella Ribeiro e Wellington Roberto, realizadas em seu território de atuação política, que é Pombal, representa um ataque às mulheres? 

Lembrar que o esposo de Pollyanna Dutra é um bolsonarista, e apresentar como prova o fato de “Barão”, como é mais conhecido, ser filiado ao PL de Wellington Roberto, e que ele permaneceu no partido, mesmo depois da filiação do fascita Jair Bolsonaro, é um entrar na vida privada dos dois?

Notem que responder a essas constatações mencionando “machismo” não leva em conta que, sendo mulheres ou homens, casados ou solteiros, os envolvidos são pessoas públicas. E o que tem de pessoal nessas críticas. Ninguém discute se elas são fundadas ou verdadeiras, não é mesmo? E as críticas não sai refutadas porque são baseadas em fatos de domínio público e, sim, são constrangedoras porque expõem as relações políticas de Pollyanna Dutra, que hoje se diz “lulista”. Como qualquer político, ambos devem estar submetidos à crítica pública.

O apelo a esses subterfúgios (“machista”, “vida pessoal”), não apenas tentam evitar o mérito da discussão, que é legítima e e necessária, como também objetiva pura a simplesmente interditar o debate público. O fato de ser mulher, na política, sobretudo, não isenta ninguém de receber críticas, e é necessário lembrar que o recurso que certas pessoas levantam para defender Pollyanna Dutra – na realidade, defender cargos ou vantagens no governo de João Azevedo – não são usados quando a criticada é a senadora Daniella Ribeiro, por exemplo, ou Michele, a esposa de Jair Bolsonaro, quando esta se apresenta na condição política de “primeira-dama”. Ou as duas também não são mulheres? Querer um tratamento diferenciado no debate argumentativo, racional, onde não predomina, portanto, a força, é, aí sim, sintoma de machismo.

Ou seja, a crítica a Pollyanna Dutra não é uma crítica a todas as mulheres. Pollyanna ou qualquer mulher jamais foi desrespeitada nesse espaço em razão do seu gênero, mas, sim, como pessoa pública que ela é. E lembrar que ela é casada com um bolsonarista (o que “Barão” é, caso contrário, não permaneceria filiado e tentaria ser candidato pelo partido de Nilvan Ferreira e Jair Bolsonaro), serve para corroborar ainda mais as predileções das alianças políticas de Pollyanna Dutra com políticos de direita, feitas à revelia tanto do seu partido, da coligação a que, em tese, pertencia, como do campo ideológico. Unicamente atingia seus objetivos pessoais.

Em 2018, Pollyanna Dutra apoiou Wellington Roberto para deputado federal em Pombal. Wellington Roberto era do mesmo partido de “Barão”, mas da coligação que apoiou José Maranhão para o governo, candidato de oposição. Pollyanna Dutra apoiou Daniella Ribeiro para o Senado.

Wellington Roberto, o presidente estadual do partido de Bolsonaro

Assim como Wellington Roberto, Daniella Ribeiro era de outra coligação de oposição. Em ambos os casos, Pollyanna Dutra ajudou a engrossar a bancada bolsonarista no Congresso. Mais grave ainda foi ela ter contribuído para derrotar Luiz Couto, o candidato do PT e de Lula para o Senado – Daniella ficou em segundo e Couto em terceiro.

O resultado de Pombal para deputado federal foi esse:

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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