SOBRE A “FLEXÍVEL” MARGEM DE ERRO DO IPEC, EX-IBOPE: a rigor, João Azevedo não cresceu;  Veneziano e Pedro estão empatados

O Ipec, para quem não sabe, é o antigo IBOPE. A empresa foi vendida e ex-diretores resolveram criar um novo Instituto.

Bem, quem acompanha eleição na Paraíba sabe o histórico de erros na Paraíba – alguns até constrangedores, como errar resultado de pesquisa de boca de urna, onde quase 100% dos votos estão absolutamente cristalizados: em 2010, o Ibope apontou empate numérico entre Ricardo Coutinho (sempre contra Ricardo, lembram?) e José Maranhão, candidato à reeleição. Segundo o Poder360, em 2020, o Ibope errou em 15 de 26 cidades.

Nem por conta disso, o Ibope deixou de fazer novas pesquisas na Paraíba. O Ibope continuou a ganhar dinheiro do Sistema Paraíba, continuou a cometer seus erros, mas, em compensação, o eleitor deixou de dar bola para pesquisa e passou a votar de acordo com a sua consciência. O que podemos chamar de pedagogia política Ibope.

Não se trata aqui de reclamar de resultado de pesquisa, mas de levantar dúvidas sobre os resultados apontados pela pesquisa Ipec divulgada ontem que justifiquem os resultados.

O IBOPE E SUA “MARGEM DE ERRO”

Para quem não sabe, toda estatística tem uma margem de erro, que indica possíveis variações nos números encontrados, caso existisse uma maneira de comparar com a realidade. Um candidato que tem 10% numa determinada pesquisa pode ter, na verdade, 7 ou 13%. Uma diferença imensa, de um terço a mais ou a menso de votos, não é mesmo?

Na pesquisa divulgada ontem com exclusividade pelo Sistema Paraíba, ocorreram mudanças significativas que, para mim, são injustificadas. Para o governo, qual fato político, com repercussões eleitorais, ocorreu nos últimos 5 dias que pode justificar o crescimento de Pedro Cunha Lima e a interrupção do de Veneziano, quando todas as outras pesquisa divulgadas nas últimas duas semanas indicaram crescimento das intenções de votos em Veneziano? A rigor, considerando a flexível “margem de erro” de 3% do Ipec, Veneziano não caiu e está empatado com Pedro em 17%. O “crescimento” de João Azevedo também foi dentro da margem de erro, de 32 para 35%.

A questão que eu levanto é a seguinte: Veneziano é o candidato a governador com mais potencial de crescimento na Paraíba por conta do apoio de Lula, como tem acontecido em quase todo o Nordeste – no Ceará, por exemplo, o candidato do PT, Elmano, que foi lançado um pouco antes do período de convenções, ultrapassou o candidato a governador de Ciro Gomes, Roberto Cláudio, e, hoje, já aparece em empate técnico com o bolsonarista Capitão Wagner. O que explica ascensão tão rápida que não o apoio de Lula, que vence no Ceará por larga margem?

Não só isso. Veneziano é o único candidato que, sem máquina alguma (João Azevedo tem o governo estadual, a prefeitura de João Pessoa, a maioria dos prefeitos, e Pedro tem Campina Grande), mobiliza o eleitorado nas ruas, fazendo grandes manifestações, e recebe adesões diárias de lideranças municipais.

E Pedro Cunha Lima, um dos candidatos que João Azevedo sonha enfrentar no segundo turno ao lado de Nilvan Ferreira, o que criou de fato político nesses últimos dias? A visita de Simone Tebet? A visita de Ciro Gomes?

Não, senhores e senhoras do Ipec, é difícil engolir o resultado da pesquisa divulgada ontem para o governo.

A pesquisa para o Senado é outra pérola da flexibilidade e do evidente erro da metodologia do Ipec, ex-Ibope.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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