SEGUNDO TURNO: A quem interessa jogar Pedro no colo de Jair Bolsonaro?

É perceptível o esforço do jornalismo governista e de setores de “esquerda” da nossa política de jogar Pedro Cunha Lima no colo de Bolsonaro, quando o candidato do PSDB já declarou sua neutralidade em relação à disputa nacional, isso enquanto Lula precisa ampliar sua votação no Nordeste para se precaver da possibilidade de crescimento da votação do atual presidente no Centro-Sul do país. 

A estratégia desses grupos, como sempre, leva em conta apenas os interesses eleitorais do governador, que foi, lembremos, rejeitado por mais de 60% do eleitorado no primeiro turno, um desempenho pífio para quem concorre à reeleição no cargo. 

Na Paraíba, Lula precisa ampliar sua votação para além dos 65%, o que só ocorrerá se houver possibilidades de diálogo com os 25% de eleitores que votaram em Pedro Cunha Lima no primeiro turno. Lembremos que Pedro apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB) e recebeu o apoio de Ciro Gomes (PDT), dois candidatos que acabaram de anunciar apoio a Lula no segundo turno, sem ter o candidato tucano ao governo expressado qualquer crítica ao candidato petista à Presidência.

Portanto, não interessa a Lula nem ao projeto de consolidar sua vitória no segundo turno o abandono da neutralidade de Pedro Cunha Lima e seu apoio a Jair Bolsonaro, como muitos desejam e torcem, escondendo interesses nem tanto inconfessáveis. E não só por razões eleitorais de curto prazo, mas projetando o futuro governo Lula, que, caso eleito, precisará mais do que nunca de uma base de apoio na sociedade e no Congresso para enfrentar a reação bolsonarista.

Ao contrário. Nesse segundo turno de 2022, serão mais do que bem-vindas iniciativas de construção de comitês Lula-Pedro, como já aconteceram no passado com Cássio e Lula (em 2002 e 2006), mesmo que os bolsonaristas criem os seus. São pontes necessárias para o diálogo. Aliás, o PSDB tem candidatos no segundo turno no Rio Grande do Sul (Eduardo Leite) e em Pernambuco (Raquel Lyra). No caso de Pernambuco, o PT estuda a possibilidade de liberar a militância.

Quem se mostrar contrário à tática eleitoral de evitar a declaração de apoio de Pedro a Jair Bolsonaro apenas explicitará publicamente que a prioridade de eleger Lula é só retórica, usada para justificar e dar lustro progressista à candidatura de um governador cercado de bolsoristas, como Cícero Lucena, de políticos do Centrão, como Aguinaldo e Daniella Ribeiro, e de partidos como o Progressistas e o Republicanos, que apoiam oficialmente a candidatura de reeleição de Jair Bolsonaro.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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