Pollyanna Dutra critica Luiz Couto depois de ajudar a eleger Daniella Ribeiro, em 2018, e Efraim Filho, em 2022

Lançada de última hora ao Senado pela coligação majoritariamente bolsonarista que apoia João Azevedo à reeleição, a candidatura de Pollyanna Dutra tinha uma missão: impedir a vitória Ricardo Coutinho, lançado há mais de um ano.

Pollyanna Dutra cumpriu bem o script e lançou sua militância a soldo em todas as comunidades da Paraíba para difundir uma única mensagem: que votar em Ricardo Coutinho era “perder o voto”, já que ele estaria inelegível, uma postura abertamente desleal, sobretudo contra alguém que recebia antes tantos elogios quando era governador. Tratava-se do velho método já utilizado e testado na eleição para prefeito de João Pessoa, em 2020, que tirou Ricardo do segundo turno e facilitou a vitória do bolsonarista Cícero Lucena.

O resultado eleitoral todo mundo conhece e Pollyanna Dutra atingiu o objetivo para o qual ela foi lançada: derrotou Ricardo Coutinho, favorito desde sempre à vitória como todas as pesquisas indicavam, ajudando a eleger Efraim Filho, que primeiro, não esqueçamos, lançou-se candidato ao senado na chapa de João Azevedo – Efraim só rompeu com João Azevedo em abril de 202 para apoiar a candidatura de Pedro Cunha Lima.

O problema é que a vitória de Efraim Filho acabou por ser um enorme tiro no pé na candidatura de João Azevedo, que imaginava uma vitória fácil caso enfrentasse Pedro Cunha Lima no segundo turno: a combinação da vitória de Efraim com a ida de Pedro ao segundo turno, com uma diferença de apenas 16% para João Azevedo (39% a 23%) – apenas com a transferência da votação de Veneziano Vital ajudaria a empatar esse jogo, – deu ao tucano uma expectativa de vitória que ele jamais teve em momento algum da campanha. Um resultado que certamente ninguém previu no início da campanha, mas eleição tem suas surpresas.

Hoje, a campanha de João Azevedo convive com o pesadelo de uma vitória acachapante de Pedro nos dois maiores colégios eleitorais do estado, João Pessoa e Campina, e experimenta um surpreendente crescimento nos maiores colégios eleitorais do estado.

Hoje, Pollyanna Dutra teve o topete de reclamar do deputado federal eleito, Luiz Couto, por conta de sua recusa em participar da campanha de João Azevedo. Desesperada, Pollyanna está mesmo é preocupada em ficar desempregada a partir de janeiro, já que foi derrotada para o senado, e o marido bolsonarista Barão teve sua candidatura a deputado estadual recusada pelo… PL de Jair Bolsonaro.

Luiz Couto sabe com quem está lidando e não se engana com uma retórica de quem ajudou a derrotar os candidatos da esquerda ao Senado. Ele próprio foi vítima em 2018.

É aquela situação, Pollyanna: quem semeia vento, colhe tempestade.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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