O QUE EXPLICA? Bolsonaro reduz a diferença para Lula de 14 mil para apenas 925 votos em João Pessoa

O Brasil vivenciou ontem a eleição mais acirrada de sua história, e não apenas considerando a diferença de apenas 1,8% de votos entre Lula e Jair Bolsonaro. A disputa chegou às famílias, aos locais de trabalho, às redes sociais, aos grupos de Whatsapp, este um espaço fértil para o plantio e disseminação de fake News, a matéria-prima da qual nasceu e sobrevive o bolsonarismo como movimento político de ultradireita.

O ainda presidente Bolsonaro diminuiu uma diferença, que no primeiro turno foi de 6.187.159 (57.259.504 a 51.072.345), para 2.139.645 no segundo turno (60.345.999 a 58.206.354). Ou seja, Jair Bolsonaro baixou a diferença para mais de 4 milhões de votos (4.047.514, para ser mais exato).

Uma das cidades do Nordeste onde Jair Bolsonaro mais avançou entre o primeiro e o segundo turnos foi João Pessoa. Na capital paraibana, a votação de Jair Bolsonaro cresceu 24.355 votos entre o primeiro e o segundo turnos e o futuro ex-presidente transformou uma derrota de quase 14 mil em apenas 925 votos: 229.251 (50,10%) a 228.326 (49,90%).

Você deve estar se perguntando: e as outras capitais do Nordeste, onde o bolsonarismo tem expressão, essas ilhas do voto conservador em um Nordeste amplamente lulista? O quadro abaixo é didático o suficiente para deixar claro que Maceió e João Pessoa são os dois pontos fora da curva entre as capitais nordestina — no caso de Maceió, Jair Bolsonaro venceu a eleição nos dois turnos.

O que essas duas cidades têm em comum, além de pertencerem a um espaço de formação colonial comum? São administradas por prefeitos bolsonaristas: o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, JHC como é mais conhecido, é filiado ao PL de Jair Bolsonaro.

Prefeito de Maceió, JHC, à direita

Já o prefeito de João Pessoa é o bolsonarista Cícero Lucena. Filiado ao Progressistas, partido que compôs a coligação nacional de Jair Bolsonaro ao lado do Partido Liberal, Cícero Lucena engrossou o coro do bolsonarismo na capital paraibana e cumpriu bem o papel, o que render do futuro do ex-presidente as homenagens devidas no esforço de ajudar a derrotar Lula na eleição de ontem.

E Cícero Lucena e a família Ribeiro, que agora conta com um vice-governador, Lucas Ribeiro, estão em ascensão na política paraibana. São parte da reação conservadora em curso na Paraíba, que a vitória de João Azevedo consolidou.

Publicado por Flavio Lucio Vieira

Professor do Departamento de História da UFPB, doutor em Sociologia.

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