INTERVENÇÃO NA UFPB: Lula e Ricardo defendem democracia nas universidades

Um dos temas da live que Lula participou, hoje, em apoio à candidatura de Ricardo Coutinho foi a nomeação feita por Jair Bolsonaro do último colocado na eleição de Reitor da UFPB.

Ricardo abriu a discussão lembrando que nem mesmo na eleição que ocorreu na ditadura militar, em 1984, o então presidente, o general João Figueiredo, deixou de nomear o primeiro da lista.

Ricardo disse que essa atitude de Bolsonaro tem relação com seu projeto de destruir a universidade semeando a discórdia e a divisão interna.

Lula reafirmou que esse não é um método de administrar que não faz bem para administração pública e que e, durante o seu governo, sempre nomeou os primeiros colocados nas eleições realizadas não só nas universidades, como também no Ministério Público Federal.

O ex-presidente reafirmou seu sonho de “reconstruir a democracia” e defender a soberania nacional. Para Lula, um presidente tem a obrigação de defender a democracia, proteger as fronteiras do país, das suas riquezas, mas, antes de tudo, “tem de cuidar, sobretudo, do seu povo”.

Lula faz live em apoio a Ricardo: “o povo será justo com você”

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva confirmou apoio à candidatura de Ricardo Coutinho e manifestou solidariedade em razão das perseguições ao candidato do PSB à Prefeitura de João Pessoa.

Lula e Ricardo participaram no final da manhã de hoje de uma live transmitida pelas redes sociais.

Numa conversa que durou mais de uma hora, os dois trataram da perseguição que os adversários movem contra Ricardo Coutinho, da crise brasileira, da volta da fome ao país, da ilegitimidade do reitor da UFPB nomeado por Jair Bolsonaro essa semana e, principalmente, da candidatura do socialista.

Lula disse que Ricardo sempre foi “um companheiro de muita lealdade, solidariedade” em todos os momentos, sobretudo depois que o PT assumiu o governo federal, em 2003. “Eu sou grato por isso.”

Lula disse que ficou muito feliz quando a Direção Nacional do PT decidiu apoiar a candidatura de Ricardo Coutinho.

O PT tem muita gratidão a você, Ricardo. Estou gravando essa live com você com gosto, com prazer, sabe, com alegria de estar sendo solidário a um companheiro que está sendo vítima das mesmas atrocidades jurídicas que eu fui.

Lula demostrou confiança que o povo de João Pessoa fará justiça nessa eleição à dedicação de Ricardo Coutinho ao povo. “A elite brasileira

Lula disse que, assim como Ricardo, preferiu não “submergir” para ver se era esquecido, resolveu enfrentar a perseguição jurídica que a Lava Jato promoveu contra ele. “Quando a gente é inocente tem de brigar até o último fio de cabelo para provar a inocência”. E Lula disse que acredita tanto na inocência de Ricardo quanto em sua competência para ser prefeito de João Pessoa.

Por isso, estou fazendo essa live com você, para poder pedir encarecidamente a cada mulher, a cada homem, a cada adolescente, que dia 15 é dia de decidir que Paraíba eles querem, que João Pessoa eles querem, que qualidade de vida eles querem, que tipo de prefeito eles querem. E eu tenho certeza que, na reflexão que o povo vai fazer até o dia 15, vai lembrar de todos os benefícios que você fez para esse estado e para essa cidade.

ELES DE NOVO SUBESTIMARAM O MAGO: A perseguição sem fim a Ricardo Coutinho

Eles subestimaram de novo Ricardo Coutinho. Vocês se lembram: em 2010, Zé Maranhão chegou a dizer, numa entrevista a Helder Moura, que sentia pena de Ricardo Coutinho. Maranhão é que foi atropelado no segundo turno daquela eleição.

Em 2014, foi a vez de Cássio, que já tinha comprado o terno da posse e falava, do alto de sua arrogância, como governador eleito. Quando as urnas foram abertas, Cássio nunca mais foi o mesmo. O ódio causa muito sofrimento.

Em 2018, eles riam das chances de vitória do “poste” João Azevedo. Mas, quando Ricardo começou a apresentar à Paraíba o desconhecido, que fez a campanha lembrando o tempo todo que meu nome é João, o povo enxergou a possibilidade de Ricardo continuar e a Paraíba de novo deu a vitória a Ricardo. E dessa vez, no primeiro turno.

E permitiram Ricardo ser candidato. Tiveram a chance de torná-lo inelegível em agosto, quando uma ação de 2014 promovida pela coligação de Cássio Cunha Lima e rejeitada pelo TRE, estranhamente entrou em pauta no TSE. Um dos ministros pediu vistas e o julgamento não terminou.

Em 2020, eles todos de novo já cantavam vitória. Com o costumeiro apoio da imprensa inimiga de Ricardo, pensaram que a Operação Calvário tinha feito o serviço sujo e novamente subestimaram Ricardo, pensando que o povo o tinha abandonado.

Contra tudo e contra todos, Ricardo Coutinho decidiu ser candidato. E a chama da esperança se espalhou de novo em meio ao povo, e aos poucos corações e mentes foram novamente conquistados pelo Mago. E as oligarquias sabem, em função das seguidas derrotas, exatamente o que acontece nessas ocasiões: quando essa torrente começa, é difícil que suas águas caudalosas sejam detidas.

Foi nesse ponto que, talvez tarde demais, a cinco dias da eleição, veio o socorro do TSE. Numa votação rápida, nenhum dos seis ministros que decidiram hoje tornar Ricardo inelegível deram ouvidos à única voz do tribunal que dizia não haver provas cabais para pena tão drástica. A decisão já havia sido tomada e o povo de João Pessoa, o único juiz realmente soberano, que se lixe!

Como disse Ricardo Coutinho sobre si próprio (escute o áudio abaixo), parafraseando o eterno golpista Carlos Lacerda, como se constatasse um fato inelutável, desde sempre escrito nas estrelas depois que as elites brasileiras decidiram colocar de volta os grilhões nos calcanhares do nosso povo para torná-lo de novo escravo:

“Ricardo não pode ser candidato; se for, não pode vencer; se vencer, não pode tomar posse.”

O povo já tinha começado a perceber toda a perseguição promovida contra Ricardo Coutinho. Escancarada como está agora, com essa decisão tomada às vésperas da eleição, ao invés de derrotado, a resposta do povo pode ser consagrar Ricardo Coutinho no domingo.

NOTA DOS ADVOGADOS DE RICARDO: “Decisão do TSE não afeta candidatura”

NOTA OFICIAL

A decisão proferida pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta terça-feira não afeta candidatura de Ricardo Coutinho à prefeitura de João Pessoa nas eleições do próximo domingo, dia 15 de novembro.

O registro de candidatura de Ricardo Coutinho foi deferido pela justiça eleitoral, tendo a decisão judicial transitado em julgado no dia 27/10/2020, ou seja, essa decisão não pode mais ser cassada ou modificada, de modo que ele permanece, para todos os efeitos legais, firme como candidato a prefeito de João Pessoa.

João Pessoa, 10 de novembro de 2020.

Advogados
Igor Suassuna
Victor Barreto
Leonardo Ruffo

65% PRA RICARDO: Arapuã anuncia enquete com 100 ligações, reduz para 50 e encerra com 40

O rádio paraibano vivenciou hoje um das situações mais constrangedoras de sua controvertida história. Inexplicavelmente, os apresentadores do programa Arapuã Verdade (Clilson Jr., Luís Torres e Gutemberg Cardoso) resolveram fazer uma enquete para saber em quem os ouvintes votariam para governador se a eleição fosse hoje.

Primeiro, anunciaram que escutariam 100 ouvintes. Quando a enquete começou, começou também o constrangimento dos radialistas, que se viram numa evidente e crescente saia-justa: quanto mais a menções ao nome de Ricardo Coutinho surgiam, mais o incômodo aumentava.

Por volta de décima quinta ligação, quando Ricardo Coutinho já tinha uns 10 votos, Clilson Jr. lembrou que a enquete era para o governador e não para prefeito. Por volta da trigésima, Luís Torres pediu para os ouvintes do interior ligarem. Ricardo já tinha uns 20 votos.

Clilson Jr. então anuncia, sem explicar o motivo, que o número de ligações para enquete seriam 50, e não mais 100. Na quadragésima, entretanto, ele encerra a “votação” e chama os comerciais.

No retorno, Gutemberg Cardoso lê os resultados de maneira apressada e sem mencionar os percentuais de voto. Foi uma grande surra. Gutemberg anuncia que Ricardo Coutinho obteve 24 votos. No mesmo instante, um amigo e atento ouvinte me disse que tinha contado 26 e não 24.

Fui obrigado a ir ao perfil da Arapuã no Facebook para rever a enquete. E não é que o atento ouvinte tinha razão? Gutemberg tinha “esquecido” de anotar dois votos para Ricardo Coutinho. Assim, dos 40 votos, RC obteve nada menos que 26, ou seja, um percentual de 65%! O atual governador foi citado por apenas 4 ouvintes.

Veja o resultado abaixo:

Que vexame…

Professor denuncia manipulação contra Ricardo Coutinho em pesquisa eleitoral

Vejam se Ricardo Coutinho tem ou não motivos para desconfiar de pesquisas eleitorais. Não é incomum eu receber relatos de situações que descredibilizam completamente as pesquisas realizadas em João Pessoa.

Na última divulgada, um dos entrevistados me relatou que o nome de Ricardo não constava no cartão apresentado na pesquisa estimulada. Questionado sobre isso, o pesquisador disse que entregara o cartão errado. Só depois, repassou o correto.

Hoje, recebi de um colega professor da UFPB a mensagem abaixo, que faço questão de transcrever na totalidade. Façam a leitura. Depois eu volto para comentários adicionais.

Bom dia, Flávio. Espero que esteja tudo bem com você. Considerando suas postagens nas redes sociais sobre as eleições de 2020, achei por bem te deixar a par de um fato no mínimo curioso que me ocorreu.

Recebi uma mensagem telefônica na minha linha fixa de uma pesquisa para prefeitura de João Pessoa. A metodologia utilizada foi dar números aleatórios aos candidatos para que o entrevistado depois digitasse o número correspondente a sua escolha. Detalhes: Ricardo Coutinho aparece com o número 12, sendo o segundo a ser citado na lista de candidaturas.


O entrevistado tem que aguardar a leitura de uma longa lista de candidatos. Nessa lista, o Cícero Lucena é o último ou penúltimo (acho que penúltimo), o que, na minha opinião, marca a memória recente dos entrevistados. Somente após a leitura é pedido para seja digitado o número do candidato da sua escolha.

A
lógica é: esquecer os primeiros da lista e gravar apenas os últimos, assim Ricardo, por exemplo, não será lembrado pelos eleitores indecisos ou não politizados, além de, pelo menos comigo, o sistema não aceitar por três vezes, o número clicado. .

Tentei por três vezes confirmar minha escolha e o sistema recusou, informando que a resposta não fora entendida pelo sistema.

Notaram o estratagema pouco sutil, desvendado pelo autor da mensagem? Primeiro, apresentar o nome de Ricardo Coutinho como um dos primeiros numa sequência de 14 candidatos. Depois, atribuir-lhe o número 12! Como o número massificado nas campanhas de Ricardo é o 40, não é improvável que o entrevistado esqueça o 12 depois de escutar os números de 14 candidatos.

Já Cícero Lucena aparece como um dos últimos, o que facilita a memorização dos seus eleitores. Qual o critério para essa sequência? Alfabético não é, já que, se fosse assim, o nome de Cícero Lucena deveria aparacer antes do de Ricardo Coutinho.

Mais grave ainda é o sistema recusar o voto em Ricardo porque o “sistema não entendeu”. Desse jeito, fica difícil mesmo ganhar Ricardo Coutinho ganhar em qualquer pesquisa.

Abaixo, deixo com vocês o comentário que o radialista Adelton Alves fez em seu programa matinal, hoje, na Pop FM. Ele fala de uma indústria de pesquisa em que, quem paga, recebe pelo resultado que desejar ter.

Quais os interesses por trás do julgamento de um candidato a cinco dias das eleições

Por Taty Valéria, do Paraíba Feminina

Não estamos aqui para julgar ou defender ninguém. Estamos aqui sim, para defender o processo democrático em todas as suas esferas: seja ela eleitoral, judicial e especialmente, a ingrata e sofrida luta contra o machismo estrutural, que é a principal bandeira do Paraíba Feminina. Acreditamos que toda denúncia deve ser investigada e todo mundo tem direito à defesa e à um julgamento justo. Mas conseguimos enxergar que um julgamento de um candidato, marcado há cinco dias das eleições, é no mínimo curioso.

No processo eleitoral de João Pessoa a pluralidade de candidatos é enorme. Temos 14 postulantes, uns despontando nas pesquisas, outros nem tanto. Os três primeiros que aparecem em vantagem têm algo em comum: são investigados e respondem a processos pelas mais variadas denúncias (seja quando ocuparam cargos públicos ou por fraudes como empresário).

Mas uma campanha generalizada tem chamado atenção: a união de todas as correntes políticas que participam dessas eleições em João Pessoa (e aí podemos incluir a imprensa e a justiça) em tentar a todo modo interferir negativamente que um determinado candidato possa voltar a vencer (como fez nos últimos quatro pleitos que participou).

Todos respondem a processo. Mas só o dele anda. E cada passo que algum processo dá é manchete estampada nos principais portais desse Estado. Antes mesmo de ser julgado o tribunal das redes sociais condena. É um efeito que vem atingindo o Brasil nos últimos anos e que deixou o nosso país em uma pandemia muito maior do que a do novo coronavírus: a pandemia da ignorância.

Marcar um julgamento há cinco dias das eleições é sim tentativa ferrenha de influenciar o processo eleitoral. Não há diferença em fazer isso hoje ou daqui há 20 dias, que não seja prejudicar uma candidatura. Não há como enxergar algo diferente disso.

Ricardo teve mais audiência nas redes sociais sozinho do que todos os candidatos juntos no debate da Correio

O dia e o horário do debate entre os candidatos à Prefeitura de João Pessoa foi escolhido a dedo pela TV Correio, de propriedade do maranhista Roberto Cavalcante, aquele que defendeu o apedrejamento de jornalistas que divulgassem números de vítimas da Covid-19: sábado à noite.

Nem que pudesse, Ricardo Coutinho participaria daquela reunião que reuniu bolsonaristas e governistas, todos com um objetivo comum: derrotar Ricardo Coutinho a todo custo nessa eleição.

O desespero é crescente nas hostes do reacionarismo com o crescimento se Ricardo Coutinho na reta final.

Ou seja, Ricardo fez bem em não ir. No mesmo horário, participou de uma entrevista com o pastor e Doutor em Direito, Emerson Barros, e Henrique Toscano, advogado. Além deles, o professor do Departamento de Ciências Sociais, Ítalo Fitipaldi, Cláudia Carvalho e Wellington Farias, ambos jornalistas, enviaram perguntas por vídeo a Ricardo Coutinho.

O resultado foi bastante animador, principalmente para um sábado à noite. Na imagem acima, um print das transmissões do Facebook que mostra as visualizações simultâneas dos dois debates.

Ou seja, Ricardo venceu sozinho todos os outros candidatos juntos. É como se o eleitor soubesse que, sem o candidato do PSB nos debates, o que resta é um triste vazio de ideias.

Eleição de Joe Biden é a vitória da mobilização antifascista do povo americano

A vitória do Democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, confirmada hoje, deve ser creditada ao espírito antifascista que mobiliza as Américas e à defesa dos valores não só democráticos, mas civilizacionais, que Donald Trump, assim como seu alter ego brasileiro, Jair Bolsonaro, são a negação.

Numa mensagem postada no Twitter hoje, a vice-presidenta eleita, Kamala Harris, atribuiu a vitória nas urnas, mais do que a Joe Biden ou a ela própria, à disposição dos eleitores de lutar em defesa da “alma americana”.

Kamala Harris é filha de uma indiana com um jamaicano. Ela disputou as primárias do Partido Democrata e sua presença na chapa incorporou acenou para os eleitores que, nos Estados Unidos, valoriza a diversidade não como um valor nocivo ao modo de vida americano, mas uma positividade irrefreável do nosso tempo. E a luta contra o racismo que conflagrou o país e uniu boa parte do dele numa luta de rua que durou semanas, teve grande relevância na mobilização popular contra Donald Trump.

A origem mestiça de Kamala Harris é expressão, pelo menos simbólica, de uma confrontação que, insisto, tem um recorte mais profundo, civilizacional, e que não é um dilema da sociedade dos Estados Unidos. O fascismo avança a passos largos no mundo, numa conjuntura que muito se assemelha ao pós-Primeira Guerra no clima de contestação às instituições do liberalismo. A resistência de Donald Trump em aceitar o resultado é mais do que birra de mau perdedor: é desprezo pela democracia.

Por isso, a derrota do atual presidente dos Estados Unidos é tão relevante e está sendo comemorada pelos democratas do mundo inteiro. Ela certamente ajudará a deter, resta saber se apenas temporariamente, a escalada fascista, já que o trumpismo é um dos suportes políticos e materiais para políticos como Viktor Orbán, da Hungria, Matteo Salvini, da Itália, e, claro, Jair Bolsonaro, do Brasil, entre outros.

Bernnie Sanders, pré-candidato de esquerda que disputou voto a voto com Biden as eleições primárias do Partido Democrata, foi mais direto. Também pelo Twitter, Sanders parabenizou todos aqueles que “tanto trabalharam para tornar esse dia possível”, numa menção à mobilização de base que mobilizou o eleitorado anti-Trump às urnas. Sanders também conclamou à mobilização por um governo que “trabalhe para todos, e não para poucos”.

Ao seu modo, tanto Harris quanto Sanders têm razão. Essa foi uma vitória da mobilização popular, de um eleitorado que já foi majoritário em 2016 contra Donald Trump, mas mesmo assim não impediu sua vitória.

Em 2020, o republicano obterá aproximadamente 10 milhões de votos a mais do que conquistou em 2016.

Mesmo assim, Joe Biden vencerá tanto no Colégio Eleitoral quanto no voto popular por uma margem provavelmente superior aos 5 milhões de votos.

Se considerarmos a pandemia que já matou mais de 200 mil estadunidenses, é um feito e tanto que, logo o pouco carismático e quase octogenário Joe Biden, tenha conseguido mobilizar massivamente o eleitorado anti-Trump para, nessa eleição, tornar-se o presidente mais votado da História dos Estados Unidos, um país acostumado com altos índices de abstenção.

O que aconteceu na eleição dos Estados Unidos não deve ser um fato isolado. Talvez os ventos dessa mudança atinjam o Brasil a tempo de influenciar nas eleições que se aproximam, já eles já sopram por aqui em muitos lugares. Qualquer que seja o resultado, entretanto, o bolsonarismo sairá dessa eleição como força amplamente derrotada.

JOÃO AZEVEDO DESMORALIZA DE VEZ ANÍSIO MAIA QUANDO DIZ QUE “LIBEROU” CANDIDATURA DO PETISTA

Veja a que nível chegou a desmoralização de Anísio Maia e o grupo que apóia no PT.

Ao ser perguntado pelo repórter Gilberto Lira “qual seria a posição do governo após o anúncio de Luiz Couto de apoio à candidatura de Ricardo Coutinho”, o governador deu uma resposta que demostra de vez, se é que restava alguma dúvida a respeito, a condição de linha auxiliar de Anísio Maia da direita bolsonarista na eleição de prefeito de João Pessoa.

Segundo Gilberto Lira, o governador João Azevêdo disse textualmente durante entevista concedida, ontem, em Cajazeiras, que “liberou” – isso mesmo, liberou – o deputado estadual Anísio Maia para que ele fosse candidato a prefeito em João Pessoa. Ainda segundo o jornalista cajazeirense, para João Azevedo não existem alas no PT “porque o PT é governo”.

Notem que o jornalista escreve na manchete da matéria publicada em seu blog, que  João Azevedo “confirma” o que todo mundo já sabia.

Dizer que o PT “não tem alas” mostra ignorância do governador em relação ao partido que lhe faz oposição nacionalmente. No entanto, quando João Azevedo diz que “liberou” Anísio Maia para ser candidato exibe uma sinceridade truculenta que combina bem com sua visão de mais novo candidato a coronel da política.

E desmoraliza de vez a condição sabuja de um petista e seu grupo que se mostram cada vez mais dispostos a tudo para ficar num governo de direita.

É Ricardo contra o resto

Para o punhado de famílias que se acostumou a mandar na Paraíba, ainda é preciso tirar Ricardo Coutinho da política.

São essas famílias que sempre controlaram a mídia empresarial, a Assembleia e têm grande peso na Justiça e no Ministério Público. Vejam os sobrenomes que você vai perceber.

Além disso, conseguiram transformar em vitória a grande derrota que sofreram em 2018, levando João Azevedo a romper trair Ricardo Coutinho e transformando-o numa espécie de mamulengo das oligarquias. Portanto, essas famílias estão de volta também ao governo estadual e não querem mais sair de lá.

Isso pode explicar as violências jurídico-política-midiática a que o Ricardo Coutinho vem sendo submetido nos últimos dois anos, divulgadas pela mídia empresarial e os sites bancados pelo poder público sempre com um prazer quase sádico, como se saboreassem, garfada a garfada, o prato ainda quente de uma vingança contra um ex-governador que cometeu o crime de desafiá-las e vencê-las.

Não é a Ricardo Coutinho apenas que eles odeiam. Assim como o ódio visceral que os mais ricos sentem por Lula, o ódio a Ricardo é, sobretudo, ao que ele representa e ao lugar de onde ele vem. A direção nacional do PT e muitos petistas da Paraíba, a exemplo de Luiz Couto e Antônio Barbosa, sabem o que Lula sofreu e ainda sofre. Por isso, não deixariam jamais de apoiar Ricardo Coutinho para embarcar num projeto eleitoral sem perspectiva e que serve apenas para dividir o campo progressista na Paraíba.

Lula e Ricardo são vítimas do reacionarismo que saiu do armário nos últimos anos e fez de novo a cabeça de uma “elite” ainda de mentalidade colonial, patrimonialista, que ainda se sente dona do povo e do Estado. Latente durante as décadas que se seguiram ao fim da ditadura, esse reacionarismo voltou com toda força para impedir as transformações que o Brasil passou a viver depois que Lula assumiu a Presidência e Ricardo o governo da Paraíba.

Mas tem uma diferença nessa história. Lula pelo menos não foi abandonado por seus aliados históricos, que permanaceram na defesa do ex-presidente e do seu legado transformador. Não se pode dizer o mesmo no caso de Ricardo Coutinho aqui na Paraíba. Depois que saiu do governo, algumas lideranças do PT, não todas, claro, e do PCdoB, se bandearam para o lado dos inimigos de Ricardo Coutinho e do campo progressista na Paraíba, preferindo apostar em seus projetos pessoais, esquecendo de fazer a grande política. Isso no momento em que o ex-governador, e hoje candidato a prefeito de João Pessoa, mais precisava do apoio dessas pessoas.

As revelações de que um assessor de Anísio Maia se encontrou com o advogado de Wallber Virgolino, um visceral antipetista e antilulista, no dia em que foi questinada a presença de Lula no guia de Ricardo Coutinho, mostra até onde esse grupo está disposto a ir para ajudar a derrotar Ricardo Coutinho – e cumprir o vergonhoso script elaborado pelos estrategistas de João Azevedo. Sem nenhum escrúpulo, esse grupo faz isso permanecendo em um governo do Cidadania, que apóia um candidato que foi do PSDB e, hoje, é filiado ao PP da arquirreacionária família Ribeiro.

Nada disso está dando certo. Como o que eles tanto temiam começa a acontecer, que é a adesão crescente do eleitorado à candidatura de Ricardo Coutinho, crescimento que que o levará ao segundo turno e a uma inevitável vitória no segundo, essa turma volta a sonhar com o tapetão para impedir que o ex-prefeito volte a governar João Pessoa.

Na próxima semana, às vésperas do primeiro turno, portanto, volta à pauta do TSE um processo de 2014, que já foi derrotado no TRE, fato que reanimou a matilha sedenta de ódio por Ricardo Coutinho.

Resta saber se o TSE faz parte desse time.

O que o advogado de Wallber Virgolino foi fazer na sede do PT antes de entrar com ação que tirou Lula do guia de Ricardo?

“Recebi com indignação e perplexidade a notícia de colaboração entre Anísio e Walber Virgolino para tirar o vídeo de Lula do guia de Ricardo”, disse Antônio Barbosa, nome indicado pela direção nacional do PT para compor a chapa de Ricardo Coutinho (PSB) e apoiado por Lula e outros petistas históricos da Paraíba, como Luiz Couto, Paulo Teixeira, Verônica Oliveira, Almir Nóbrega e Cícero Legal. Todos também ficaram perplexos com o fato. “Anísio extrapolou todos os limites da ética partidária. Inaceitável sua conduta”, continuou Barbosa.

A declaração indignada de Antônio Barbosa tem motivo. É que chegou às mãos da presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffman, imagens de um encontro no mínimo estranho ― mas nem tanto se considerarmos as suspeitas de aliança informal de Anísio Maia com o Cidadania de João Azevedo e seu candidato, Cícero Lucena, este do Partido Progressista, comandado pela oligarquia Ribeiro na Paraíba.

Anísio Maia, como se sabe, faz parte da base parlamentar de João Azevedo na Assembleia e, claro, tem participação no governo. Diferente do tratamento dado a Luiz Couto, demitido recentemente por conta do anúncio do apoio a Ricardo Coutinho, a candidatura de Anísio não provocou nenhuma reação mais forte de João Azevedo. Pelo contrário, foi até estimulada pelo governador.

QUE ENCONTRO FOI ESSE?

As imagens da manhã da última quinta-feira (29/10) do circuito de segurança da sede do PT em João Pessoa mostram a chegada de Anísio Maia às 10h07.

Na companhia do deputado estava Caio Moura de Arroxelas Macedo, conhecido por Caio Batata, assessor de Anísio e ex-vice-presidente do PT de João Pessoa. Caio Batata foi um dos nove dirigentes que impetraram a ação contra Gleisi Hoffman e o PT para acabar com os efeitos da destituição do Diretório Municipal.

Às 11h14 a sede do PT recebe uma vista inusitada. Um senhor vestindo cinza e de gravata branca é recebido por Caio Batata. Trata-se do advogado Saul Barros de Brito. E não haveria nada demais na visita se o advogado não fosse representante jurídico de outro deputado estadual: o bolsonarista Wallber Virgolino, também candidato a prefeito de João Pessoa pelo Patriotas.

Como bom bolsonarista, o advogado de Wallber Virgolino esquece a máscara e é alertado de que só poderá entrar na sede do PT se tiver usando uma. Saul então volta ao carro, pega sua máscara e entra na sede do PT na companhia de Caio Batata. Os dois vão até a sala onde Anísio se encontrava. Caio entra. Em poucos instantes, sai com um CD e o entrega ao advogado. Às 11h17, Saul de Brito sai da sede e vai embora.

No final daquela mesma tarde, Saul Barros de Brito protocolou na Justiça Eleitoral uma representação contra a candidatura de Ricardo Coutinho propaganda eleitoral irregular, o que causou estranheza a quem não sabia do encontro narrado acima. Por que ao invés o representante legal de Anísio Maia, o advogado Anselmo Castilho, dar entrada na ação para contestar o impactante vídeo em que Lula pede votos para Ricardo Coutinho e desautoriza politicamente a candidatura de Anísio, quem faz isso foi um advogado de um inimigo declarado do PT?

O pedido foi acatado no sábado (31/10) e o vídeo de Lula tirado do ar, como no dia anterior havia antecipado Patrice Maia em um grupo de Whatsapp, prevendo outras penalidades para Ricardo Coutinho: “Acredito que brevemente alguém vai levar uma multa bem fraquinha e ficar sem guia eleitoral”.

Como não foi Anísio Maia a provocar a Justiça Eleitoral, o rapaz já sabia que isso aconteceria. E quem o faria.

Ricardo Coutinho critica golpe na UFPB: Cícero, Nilvan, Wallber vão ficar calados?

O único candidato até agora protestou contra o autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro de nomear o último colocado na eleição de Reitor da UFPB foi Ricardo Coutinho.

Em vídeo distribuído através das redes sociais, o candidato do PSB lembra que é servidor concursado da UFPB desde 1981 e essa decisão de Bolsonaro é inédita na história da instituição. Até o general João Figueiredo, o último Presidente da República da ditadura, nomeou o reitor eleito pela comunidade da UFPB.

Ele lembra que quando foi governador nunca deixou de nomear o mais votado nas listas encaminhadas a ele, do Ministério Público Estadual à Universidade Estadual da Paraíba.

Resta saber se os outros candidatos vão sair em defesa da democracia na UFPB.

Quando Bolsonaro anunciou assinou decreto privatizando o SUS, todos os candidatos ficaram calados e se fizeram de mortos. Tudo para não contrariar esse projeto de ditador que se apossou da cadeira de presidente da República e que agora infelicita o país com sua ignorância e autoritarismo.

Só Ricardo Coutinho mais uma vez protestou, como agora faz (veja vídeo abaixo) em defesa da UFPB.

GOLPE NA UFPB: Bolsonaro nomeia último colocado na eleição para reitor da UFPB

O presidente Jair Bolsonaro nomeou hoje o professor do Departamento de Psicologia, Valdiney Veloso Golveia, para o cargo de Reitor da Universidade Federal da Paraíba.

Valdiney obteve apenas 5,35% dos votos da comunidade universitária da UFPB, sendo 127 de professores (4,8%), 91 de técnicos-administrativos (2,6%) e insignificantes 698 de estudantes (1,7%). Se condiderarmos apenas aos votos válidos, os percentuais de Valdiney beiram a insignificância.

Enquanto isso, a chapa vencedora, formada pelas professoras Terezinha Diniz (Departamento de Ciências Animais) e Mônica Nóbrega (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas), obteve 1078 votos de docentes, 1225 de técnicos-administrativos, e 6702 votos de estudantes. Uma diferença acachapante para o terceiro colocado.

Dificilmente a comunidade universitária da UFPB aceitará passivamente ver sua decisão soberana ser desprezada como foi por Jair Bolsonaro. Desde que as eleições para reitor foram instituídas, o resultado das urnas foi acatado por todos/as os/as presidentes/as, incluindo João Figueiredo, em plena Ditadura Militar (1984).

Quase dois anos depois, Calvário não provou que Daniel Gomes bancou shows para Ricardo Coutinho

A edição da Carta Capital dessa semana mostra a manipulação dos áudios gravados da Operação Calvário. A partir de perícia feita a pedido dos advogados de Ricardo Coutinho nos áudios, a matéria da revista de circulação nacional conclui:

Quando se analisa a conversa na íntegra, o sentido espúrio atribuído pelos procuradores à conversa perderia completamente o sentido”, constata a revista.

O blog analisou outros áudios gravados por Daniel Gomes. Lembram do estardalhaço feito pela Operação Calvário a respeito de shows do Rock in Rio do ano de 2017, que teriam sido pagos pelo empresário Daniel Gomes a Ricardo Coutinho?

Em 2017, o Rock in Rio, o festival de música que acontece periodicamente no Rio de Janeiro e reúne artistas e bandas do mundo inteiro, aconteceu em nos fins de semana entre os dias 15 e 24 de setembro.

Segundo consta na denúncia (ainda hoje não aceita) apresentada pela Operação Calvário contra o ex-governador, Ricardo Coutinho “era cortejado por DANIEL GOMES e destinatário de outras vantagens indevidas, aceitas sem muita cerimônia, consubstanciadas em reservas e pagamento de despesas para assistir shows de bandas internacionais (Bom Jovi, U2).

Essa conclusão da Calvário se baseia na degravação de um diálogo entre Ricardo Coutinho e Daniel Gomes, que aconteceu em 07/08/2017, também para tratar do Hospital Metropolitano.

Os próprios diálogos mostram que, apesar da “sugestão” de Daniel Gomes, Ricardo Coutinho não desejava ir ao Rock in Rio. Veja:


Daniel: Gilberto comentou comigo que o senhor queria ir no Rock in Rio, parece.

Ricardo: É. No, no Rock in Rio não… quando vai ter o Rock in Rio?

Daniel: Vai ter Rock in Rio em Setembro.

Ricardo: Sim … É em Setembro.

Daniel: Aí depois eu vou confirmar com ele aqui…

Ricardo: Eu quero é ver o show do U2que eu quero ir, em São Paulo.

Daniel: Show do U2…

Ricardo: Vai ter no Rio, mas eu tô fugindo do Rio.


Notaram a diferença? Como eu disse, na denúncia apresentada ao desembargador Ricardo Vital, a Operação Calvário diz expressamente, sem apresentar nenhuma prova, além das convicções baseadas em áudios descontextualizados de um delator em busca de escapar da prisão, que Ricardo Coutinho recebeu “vantagens indevidas”, que eramaceitas sem muita cerimônia”, entre elas pagamentos de despesas de shows de bandas internacionais, como Bon Jovi e U2.

Notem que no próprio diálogo o assunto dos shows é provocado por Daniel Gomes, e Ricardo Coutinho nem sabia direito a data do Rock in Rio. Mais ainda: ele diz que não tem interesse de ir ao Rock in Rio, que estava “fugindo do Rio”.

Como os shows de Bon Jovi no Brasil aconteceram no Rock in Rio, por que a insistência da Operação Calvário em inserir na denúncia que Ricardo Coutinho, um governador de estado, “aceitou sem cerimônia” a oferta de ir ao show, mesmo quando o próprio áudio indica o contrário?

Mas, consideremos a hipótese de que Ricardo Coutinho tenha mudado de ideia sobre ir ao Rio de Janeiro. A responsabilidade institucional de promotores recomendaria uma investigação mais apurada sobre o caso, e não aceitar como certa uma frágil hipótese como essa.

Primeiro, para saber se o então governador foi mesmo ao Rock in Rio ver Bon Jovi, bastaria uma simples consulta à internet, como eu fiz. No meu caso, que não sou promotor, bastou uma rápida pesquisa na internet.

Vamos juntando as peças. O show de Bon Jovi no Rock in Rio aconteceu numa sexta, 22 de setembro de 2017.

Nessa mesma sexta-feira, como registram vários sites de notícias, Ricardo Coutinho participou da  solenidade que, segundo o ClickPB “marcou o início das obras do primeiro Shopping Outlet da Paraíba, localizado às margens da BR-101, em Alhandra, litoral sul paraibano.”

Na sexta ele estava na Paraíba. No sábado, também. O MaisPB registra a presença de Ricardo Coutinho no Congresso Estadual do PSB, que aconteceu em João Pessoa.

Ricardo Coutinho podeira ter participado desses eventos na Paraíba e mesmo assim ter ido ao Rock in Rio para assistir ao show de Bon Jovi? Não seria impossível se ele tivesse utilizado, por exemplo, o avião do governo do estado. Nesse caso, bastaria uma consulta aos registros de vôos da aeronave. Mesmo assim, restaria provar que foi Daniel Gomes quem comprou os ingressos, não?

Com tantos senões, você deve estar se perguntando como uma acusação frágil como essa, cujos termos, como se viu, são de uma agressividade incomum, não só foi parar na denúncia da Operação Calvário como foi usada para justificar a prisão de 17 pessoas, entre elas um ex-governador, uma prefeita e uma deputada estadual, nesse último caso, uma prisão absolutamente inconstitucional.

U2

No caso dos quatro shows do U2, que aconteceram um mês depois do de Bon Jovi no Rock in Rio, a facilidade de provar que Ricardo Coutinho estava na Paraíba não foi a mesma porque, no fim de semana em que a banda se apresentou em São Paulo, o ex-governador não teve agenda pública.

Na quinta-feira (19) e na quarta-feira (25), Ricardo estava na Paraíba. Na quinta, recebeu o Consul dos Estados Unidos; na quarta, participou de um lançamento de livro.

Como eu só tenho o recurso da pesquisa na internet, não pude ir muito além. Ricardo Coutinho já disse que não foi aos shows. Nesse caso, cabe à Operação Calvário provar que suas acusações estão baseadas em fatos, e não apenas em “convicções”, já que tem meios quase ilimitados para fazer investigações.

Por exemplo, acionar a Polícia Federal para descobrir se um governador de estado não só participou de um show, mas também que tipo de transporte usou, que horas saiu da Paraíba, que horas retornou, como adquiriu os ingressos, em que hotel se hospedou, quais seguranças o acompanharam.

Eu volto a lembrar. Trata-se de um governador de estado. Por razões de segurança, um governador não pode sair por aí como se fosse um cidadão comum. Existe um protocolo que o obriga a ter a companhia de seguranças especialmente treinados. E essas atividades estão registradas.

Agora, pense comigo: quase dois anos depois de iniciada a Operação Calvário, nenhuma prova que corrobore as convicções dos promotores nesse caso foi anexada ao processo. A única “prova” são gravações de diálogos que não provam nada.

O motivo talvez seja esse: não há como provar as acusações feitas porque elas simplesmente não se sustentam em fatos. Essas acusações tiveram uma serventia, entretanto: foram amplamente exploradas pela imprensa adversária de Ricardo Coutinho para destruir a reputação de um político sobre quem não pesava uma única suspeita de desonestidade.

Frei Anastácio bane Antônio Barbosa de suas redes sociais

Primeiro foi Anísio Maia que pediu a exclusão de Antonio Barbosa de todos os grupos do PT. Previsível, dada as características anti-ricardistas e, na prática, pró-bolsonarista da candidatura do deputado (por enquanto) petista, que faz parte tanto do governo do Cidadania quanto de sua base parlamentar na Assembleia.

Estranho mesmo foi o pedido feito por Frei Anastácio, que determinou o banimento de Antonio Barbosa dos grupos nas redes sociais administrados pelo deputado federal.

“Fui eu quem abonou a ficha de filiação de Frei Anastácio quando ele decidiu entrar no PT. Também fui eu quem coordenou todas as suas campanhas vitoriosas, inclusive a última”, disse Antônio Barbosa ao blog.

Barbosa não perdeu as esperanças, entretanto. Ele espera “um gesto de grandeza política de Anastácio”, que ele siga a orientação do presidente Lula.

ANÍSIO NA ENCRUZILHADA

Em 2004, a conjuntura era muito mais favorável ao campo progressista. Lula havia sido eleito presidente e venceu na Paraíba com 57% dos votos no segundo turno. Em João Pessoa, o desempenho de Lula foi acachapante: 60,1% no primeiro turno e incríveis 76% no segundo.

O desempenho de Lula alavancou a votação do candidato a governador pelo PT, o então deputado federal Avenzoar Arruda. Na Paraíba, o petista obteve 12,5%, mas em João Pessoa chegou a 27,2%, ficando apenas a 3% de Cássio Cunha Lima, do PSDB, que tinha o apoio do então prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.

Pois bem, animado com o desempenho, Avenzoar achou que poderia se eleger prefeito de João Pessoa e decidiu confrontar Ricardo Coutinho, que já era amplamente favorito: Ricardo havia sido o deputado estadual mais votado da Paraíba e em João Pessoa obteve sozinho quase 12% dos votos!

O erro de Avenzoar

A campanha de 2004 para prefeito de João Pessoa entrava na reta final. Ricardo havia migrado para o PSB e sua candidatura avançava celeremente para vencer no primeiro turno, mesmo com as máquinas do governo estadual e da prefeitura atuando juntas para eleger Ruy Carneiro, candidato do PSDB, do governador Cássio e do prefeito Cícero Lucena.

Então, a notícia de um possível encontro secreto entre Avenzoar Arruda e Cássio Cunha Lima (PSDB), que teria ocorrido no apartamento onde morava o então governador, ganhou as páginas dos jornais e os programas de rádio.

Mesmo desmentido, a simples suspeita de que o encontro teria mesmo acontecido (os detalhes davam-lhe ares de verossimilhança) espalhou uma nuvem de dúvida sobre a candidatura de Avenzoar Arruda, que acabou por destruir não só qualquer chance de um bom desempenho eleitoral (ele acabou com pouco mais de 3% dos votos), como abalou pesadamente o prestígio político daquele que foi o primeiro deputado federal eleito pelo PT da Paraíba.

Depois do grande desempenho como parlamentar e como candidato a governador, Avenzoar desapareceu do mapa político paraibano. Candidatou-se na eleição seguinte, a de 2006, dessa vez a deputado estadual, e obteve apenas 5.803 votos. Era o fim da linha.

Avenzoar deixou o PT em 2008 para se filiar ao PSOL. Nunca mais candidatou-se a cargo eletivo.

Avenzoar Arruda foi um dos grandes quadros do PT e da esquerda paraibana. Foi presidente do DCE da UFPB, sindicalista, vereador por João Pessoa e deputado federal. Avenzoar nunca foi tratado como linha auxiliar do cassismo nem sua campanha demonstrava isso, mas sua ascensão política lenta, mas consistente, não resistiu às dúvidas sobre conversas pouco transparentes com adversários políticos.

Anísio Maia tem ainda uma chance de evitar sua morte política e escapar da pecha de que sua candidatura cumpre o papel de linha auxiliar da direita bolsonarista em João Pessoa. É o que o eleitorado progressista espera dele, um gesto de generosidade política: a renúncia à candidatura e o apoio àquele que é o único com chances de evitar um grande retrocesso político-administrativo em João Pessoa.

Ao invés de se apequenar mantendo uma candidatura que não é consenso nem dentro do partido, Anísio mostrará que, apesar das divergências, pensa no país e faz a grande política marchando com Ricardo Coutinho na reta final dessa campanha.

Dirigente nacional do PT diz que Anísio Maia faz o jogo da direita e pede expulsão do deputado do partido

Está cada vez mais distante um acordo entre a direção nacional do PT e o grupo do deputado estadual Anísio Maia.

Sônia Braga, Secretária Nacional de Organização e membra da Comissão Interventora do PT em João Pessoa, encaminhou hoje à Direção Nacional do PT dois pedidos: além do cancelamento da candidatura de Anísio Maia a prefeito de João Pessoa, a expulsão do deputado estadual dos quadros do Partido dos Trabalhadores.

Os argumentos mostram que Anísio e seu grupo avançaram muito além dos limites que regem a disciplina partidária petista, sobretudo se considerarmos as tradições democráticas de um partido como o PT.

Sônia Braga alega “flagrantes violações à disciplina, à fidelidade e à ética partidária”, e lembra que, em 14 de outubro de 2020, “a Direção Municipal do PT de João Pessoa foi afastada como forma de tentar minorar os prejuízos causados” pela candidatura do deputado estadual Anisio Maia.

Mesmo assim, segundo Sônia Braga,  Anisio Maia procurou “insistentemente embaraçar a candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho”, fato que contrariou a tática eleitoral “legitimamente aprovada pelo Diretório Nacional do PT”.

Segundo Sônia, Anísio sequestrou “o tempo reservado ao PT no horário eleitoral para dividir o campo progressista em João Pessoa, tornando-se instrumento da direita” na capital paraibana.

Além disso, a dirigente nacional petista trata como “farsa” a tentativa de Anísio Maia de nacionalizar o debate eleitoral em João Pessoa, para ela um mero “jogo de palavras de quem se pretende progressista, mas que, ao desrespeitar as diretrizes e a Resolução da Direção Nacional, serve na verdade a um jogo pequeno”, o jogo da direita paraibana.

Para corroborar a aliança de Anísio Maia com o bolsonarismo, Sônia Braga lembra que o deputado estadual faz “campanha aberta, no interior da Paraíba’ para candidatos da base de Jair Bolsonaro, como é o caso da cidade de Belém do Brejo do Cruz, onde o PT tem candidato a vice, mas o candidato apoiado por Anisio Maia é Evandro Maia, do PSC.

Ou seja, a aliança de informal de Anísio Maia com o bolsonarismo não se restringe a João Pessoa, onde sua candidatura é aplaudida pela imprensa bancada pela Secom estadual e conta com amplo respaldo em outros setores.

Leia abaixo a íntegra do documento encaminhado à Direção Nacional do PT pela dirigente nacional petista.

REPRESENTAÇÃO CONTRA ANÍSIO MAIA

A Secretária Nacional de Organização do PT, Soma Braga, também integrante da Comissão Interventora de João Pessoa, nos termos do artigo 232 do Estatuto do PT, encaminha à Comissão Executiva Nacional, REPRESENTAÇÃO em face do Deputado Estadual Anisio Maia, diante das flagrantes violações a disciplina, a fidelidade e a ética partidária.

Preliminarmente, este pedido deve ser analisado pela instância nacional, considerando que, de acordo com o “Procedimento Extraordinário para Definição de Candidaturas” aprovado pelo Diretório Nacional, que reserva à Executiva Nacional o referendo sobre as decisões que envolvem a definição de candidaturas.

Além disso, o Diretório Nacional, no dia 14 de outubro de 2020, decidiu afastar a Direção Municipal, como forma de tentar minorar os prejuízos causados pela Deputado Estadual Anisio Maia, que busca insistentemente embaraçar a candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho e a tática eleitoral legitimamente aprovada pelo Diretório Nacional do PT.

Ao insistir em ser candidato de si mesmo, o Deputado Estadual Anisio Maia sequestra o tempo reservado ao PT no horário eleitoral para dividir o campo progressista em João Pessoa, tornando-se instrumento da direita em João Pessoa.’

O discurso dissimulado do Deputado Estadual Anisio Maia sobre o debate molifico nacional é uma farsa, um jogo de palavras, de quem se pretende de progressista, mas que ao desrespeitar as diretrizes e a Resolução da Direção Nacional, serve na verdade a um jogo pequeno, que se presta tão somente a agredir àqueles que se encontram na linha de frente no combate ao golpismo e ao bolsonarismo.

O Deputado Anísio Maia já faz campanha aberta, no interior da Paraíba’, para os candidatos da base do Bolsonarismo, como é o caso, por exemplo, de Belém do Brejo do Cruz, onde o PT disputa a eleição indicando o candidato a vice na chapa do PSED. Entretanto, Anisio Maia preferiu naquela cidade declarar apoio ao prefeito, Evandro Maia, do PI, desrespeitando frontalmente o artigo 229 do Estatuto.

Em outra demonstração, obra de quem preferiu se tornar um adversário de seu próprio partido, Anisio Maia extrapolou os limites da democracia interna, ao acionar as instâncias da Justiça Eleitoral para obstar as deliberações partidárias – no que, aliás, vem sendo atendido com celeridade que nos causa certa estranheza.

Além dos prejuízos políticos já doados, a campanha de Anisio Maia causará graves prejuízos financeiros, contraindo dividas que foram desautorizadas pelas instâncias partidárias, a exemplo das despesas para a contrafação da agência que produz os programas indevidamente utilizados no horário eleitral.

O programa veiculado sob a responsabilidade do Deputado Estadual Anisio Maia, além de utilizar o tempo do PT no horário eleitoral para atacar a direção nacional, extrapolou todos os limites ao, de forma totalmente irresponsável, utilizar a gravação de um depoimento antigo, editado afora de contexto, para simulara apoio da presidente Lula.

Fica claro, portanto, que o Deputado Estadual Anisio Maia cometeu diversas infrações éticas e disciplinares, previstas no artigo 227 e 229 do Estatuto, desrespeitando à orientação política e as deliberações regularmente tomada pelas instâncias competentes do Partido.

Considerando a urgência da caso, SOLICITO que a representação seja encaminhada pela Comissão Executiva Nacional para que, conforme previsto no artigo 234 do Estatuto, seja notificado imediatamente o Deputado Estadual Anisio Maia, para que seja aplicada a pena de cancelamento do registro da candidatura na Justiça Eleitoral e a expulsão simultânea, de acordo com o que prevê o artigo 229 do Estatuto do PT.

Atenciosamente

Sônia Braga

Nacional de Organização do PT

Operação Calvário lança nota, mas não responde à acusação de manipulação de provas. VEJA AQUI TRECHOS COMPLETOS DOS DIÁLOGOS

A Operação Calvário lançou nota sobre as acusações de manipulações de áudios lançadas pelos advogados de defesa de Ricardo Coutinho, mas sequer mencionam esse fato, que foi objeto de matéria na revista de circulação nacional Carta Capital desse final de semana.

Na nota, a Operação Calvário diz que “todas as colaborações inseridas nos processos da Operação Calvário foram homologadas“, bem como a “integridade dos áudios decorrentes destas colaborações, especificamente do empresário Daniel Gomes, foi assegurada pela perícia da Polícia Federal“.

Segundo a defesa de Ricardo Coutinho, o laudo mencionado na nota da Operação Calvário foi feito apenas em fevereiro de 2020, mais de um ano depois do pedido que levou 17 pessoas à prisão, em dezembro de 2019. Como está agora atestado pelo próprios promotores, sem qualquer laudo pericial, o que é também muito grave.

Não é isso, entretanto, que está em discussão. O que defesa do ex-governador Ricardo Coutinho contesta é a manipulação dos áudios que podem ter induzido a erro tanto o desembargador Ricardo Vital quanto a  imprensa nacional que cobriu o caso.

Segundo consta na denúncia da Operação Calvário (veja página do documento logo abaixo), “RICARDO COUTINHO havia solicitado o percentual de 10% sobre esse total em propina”, o que correspondia a R$ 3,5 milhões dos R$ 35 milhões referente à compra de equipamentos para o Hospital Metropolitano de Santa Rita. 

Eis a página da denúncia em que consta o trecho transcrito acima.

Notem que a Operação Calvário menciona “provas” que corroboraram o conteúdo da colaboração de Daniel Gomes e afirmam que merece “especial destaque o arquivo de áudio” em que, segundo eles, Ricardo Coutinho exige, sem nenhum constrangimento, “o pagamento de propina no percentual de 10% sobre o material/equipamento que deveria ser adquirido para o Hospital Metropolitano”.

Pois bem, como mostra matéria publicada pela revista Carta Capital, a defesa de Ricardo Coutinho submeteu o áudio mencionado pela Operação Calvário a uma análise técnica e o resultado das degravações mostraram conclusões totalmente distintas do sentido atribuído pelos promotores.

E a diferença é mesmo estarrecedora, sobretudo quando comparado com os trechos dos áudios que foram vazados para a imprensa para criar a impressão de que, os diálogos ali expostos, eram negociatas envolvendo desvios de recursos públicos.

Na matéria exibida no programa semanal Fantástico, da Rede Globo, em 22 de dezembro de 2019, um dia após Ricardo Coutinho ter conseguido no Superior Tribunal de Justiça um habeas corpus que o liberou da prisão, foi apresentado trecho de uma gravação contendo o seguinte diálogo entre o então governador Ricardo Coutinho e Daniel Gomes:

Daniel Gomes: Eu consigo trabalhar seguramente com 10%. Esse número é bem seguro.

Ricardo Coutinho: Mas, isso no início ou no fim?

Daniel Gomes: Posso fazer quando o senhor fizer a primeira entrada aqui. Eu já consigo viabilizar parte, posso adiantar.

A reportagem mostra, em seguida, imagens de Daniel Gomes em depoimento ao Ministério Público, onde ele afirma que 10% era o percentual da propina que deveria ser repassada a Ricardo Coutinho e a “seus comparsas”.

No entanto, quando lemos a totalidade da transcrição do áudio fica claro que os trechos da reportagem do Fantástico foram retirados do contexto para atender a interesses persecutórios contra o ex-governador.

A conversa começa com a entrada de Daniel Gomes na sala de Ricardo Coutinho. Após breves amenidades, Daniel Gomes vai direto ao assunto que o levou ao encontro de Ricardo Coutinho:

Daniel Gomes: Sei o que senhor tá a mil por hora, vou tentar ser sucinto aqui. Eu tô uns dois meses com aquele levantamento lá do metropolitano, eu fui dando pra Cláudia [Veras, então Secretária de Saúde] alguns dados, acho que ela já lhe trouxe. 

Ricardo Coutinho: É.

Daniel Gomes: Mas aquela parte, eu tinha que falar com o senhor, então a doutora Livânia, aí ela agendou pra hoje. 

Ricardo Coutinho: (incompreensível) de custo, de, de parcelamento aí. 

Daniel Gomes: Então, já aumentei, já aumentei pra ela, tá? Na realidade, governador, o seguinte, só lhe mostrar que aí, bem objetivo, tá? Eu consegui alongar o parcelamento até junho de dezoito [2018], tá? O primeiro que eu tinha baixado pra ela era mais curto, então mostrei pra junho. Se o senhor falar que tá apertado, eu vou dar um jeito de esticar um pouco mais, aí o senhor tem que me dizer. O principal pra mim é sempre o início, que tem alguns equipamentos que eu tenho que dar de entrada, as entradas iniciais. Isso aqui é um cenário pessimista e esse aqui é o cenário otimista. Eu só consigo ter a exata ideia do valor, isso aqui é pra fazer a forma escalonada, né? Total do hospital, ele inteiro ia dar 50 e poucos milhões, 55, a gente tá trabalhando com o total de leitos de 5% e 35 leitos. Então isso aqui foi até um sumário que eu dei pra Claudia..

Ricardo Coutinho: Precisa de muito, muito, muito, muito leito. 

Esse contexto dos diálogos, que foi propositadamente omitido da transcrição feita pela Operação Calvário, demonstra claramente que o que estava sendo discutido eram os custos do hospital, mais especificamente o valor da entrada inicial que o Governo do Estado teria que disponibilizar para que fossem adquiridos os primeiros equipamentos daquela unidade. Esses custos ficariam em torno de 10% do valor do total da despesa efetuada.

Veja como foi o diálogo quando chega a parte em que são mencionados os tais 10% e notem que eles adquirem um sentido bastante diferente:

Ricardo Coutinho: E essa… planilha [dos equipamentos], quanto mais se esticar, quer dizer, aí eu tenho capacidade de responder. 

Daniel Gomes: Não tá, mas aí é basicamente o feedback seu pra mim disso. É, é possível, eu consigo fazer, de um jeito ou de outro. Eu só não consigo financiar são os itens pequenos, mas os itens pequenos, governador, se eu tiver três milhões de reais, eu compro todos os pequenos. O resto todo eu consigo parcelar. Agora, quanto mais eu pagar à vista eu consigo melhor preço, essa é a única vantagem. Eu consigo melhorar a composição de custo. Tá. E aí, o que que muda, por exemplo? Então, por exemplo, nesse cenário aqui, eu tô com os dois cenários, tá? Então essa aqui é a que seria a conta pra gente, está certo? Eu consigo, é eu até botei aberto aqui pro senhor ter uma ideia de custo, de frete, de imposto de importação que eu consigo depois reverter, então eu consigo trabalhar seguramente com 10%, esse é um valor, é bem seguro, tá? Acho que eu consigo mais do que isso. Acho que há possibilidade de eu conseguir ainda mais do que isso, mas eu só vou ter certeza disso quando eu soltar os percentos de compra. Mas esse valor aqui é seguro. Eu lembro que o senhor tinha pedido isso, então esse é o valor que eu consigo. 

Ricardo Coutinho: Mas esse no início ou no fim? 

Daniel Gomes: No fim. Na realidade, eu posso fazer quando o senhor fizer a primeira entrada aqui, eu já consigo viabilizar parte, posso adiantar, com a gente não, não tem problema. Desde que o senhor me garanta que eu vou ter esse fluxo pra frente…

Como é possível constatar, é gigantesca a diferença entre o que foi divulgado e que consta na denúncia da Operação Calvário ao desembargador Ricardo Vital, e o que foi realmente conversado ― e está registrado em gravação. Na forma como foram divulgados, esses diálogos induziram os telespectadores a acreditar que se tratava de uma negociata envolvendo propinas, quando, na verdade, o que estava em discussão eram os valores necessários para custear “itens pequenos” para o Hospital começar a funcionar, eque seriam pagos à vista, apenas para que fosse possível baixar os custos do hospital.

A nota da Operação Calvário deveria ter tratado dessas evidentes manipulações. Mencionar formalidades do processo não responde as dúvidas que toda a sociedade agora tem, incluindo o próprio Judiciário, sobre procedimentos de procuradores que deveriam primar pelo respeito à lei.

Nenhum cidadão deve ser tratado como inimigo do Estado.

Lembra do 13° que Ricardo teria recebido de Daniel Gomes? TAMBÉM ERA MENTIRA

Em dezembro do ano passado, logo após a prisão do ex-governador Ricardo Coutinho, matérias começaram a surgir na imprensa baseadas em vazamentos de áudios que estavam sob a responsabilidade da Operação Calvário.

Numa delas (veja print abaixo), publicada no blog do repórter Fausto Macedo, do Estadão, afirma-se que Ricardo Coutinho havia sido “interceptado” um ano antes “ajustando valores de propinas com Daniel Gomes” – Daniel Gomes era executivo da Cruz Vermelha. Depois de preso na Operação Calvário, ele virou delator.

A matéria do Estadão começa com um erro: não houve interceptação, mas uma gravação realizada pelo empresário, não se sabe ainda a mando de quem, de conversas que ele teve com Ricardo sobre os hospitais administrados pela Cruz Vermelha.

A conversa objeto da “denúncia” é uma delas e ocorreu no final de 2017 e, como se pode lê no título da matéria, Ricardo Coutinho teria acertado até 13° de propina. Notórios inimigos que Ricardo Coutinho acumulou na imprensa paraibana não deixaram de aproveitar a oportunidade.

Matéria publicada na revista Carta Capital desse fim de semana (clique aqui para ler), entretanto, mostra que as conclusões de Fausto Macedo estavam completamente equivocadas.

Segundo transcrição dos diálogos realizados por uma perícia técnica independente, feita a pedido da defesa do ex-governador da Paraíba, o trecho no qual Ricardo Coutinho afirmou “meu 13º já está certo”, na realidade, segundo a revista, trata-se na verdade de “uma menção à garantia de pagamento aos servidores públicos estaduais”.

Com os recursos assegurados para pagar o décimo-terceiro dos servidores estaduais, Ricardo demonstrava segurança para avançar na conclusão do Hospital Metropolitano de Santa Rita sem afetar as finanças do estado. Ou seja, um manifestação que denotaria responsabilidade com a estabilidade financeira da Paraiba foi transformada em “suposto” ato de desonestidade.

O que é confirmado na sequência do diálogo.

Daniel Gomes: “(É melhor) a gente não deixar para novembro e dezembro, que é sempre difícil, né?”

Ricardo Coutinho -“Não, ao contrário, é melhor que no início, porque o dinheiro tem mais, porque, por exemplo, o 13º eu guardo antes”.

Daniel Gomes: “O senhor paga no meio do ano, já tá pagando o 13º…”

Ricardo Coutinho: “Meio do ano, é. O meu 13º já tá certo porque eu já fiz”.

Há algum indício de que esse diálogo possa indicar alguma negociação de propina? Se sua resposta for não, você deve estar se perguntando como seria possível interpretar de outra maneira esse diálogo, a não ser constatando que se trata de uma discussão sobre a origem dos recursos que permitiriam concluir um dos maiores hospitais do país?

Eu respondo: há, sim. A interpretação dada pela Operação Calvário, vazando trechos fora do contexto em que os diálogos realmente aconteceram.

Resta saber se jornalistas experimentados como Fausto Macedo foram induzidos a acreditar que o teor de diálogos vazados eram mesmo fruto de uma negociata, ou se, ele também, está metido nessa manipulação, cujo objetivo sempre foi destruir a reputação de honestidade de um dos políticos mais respeitados do Brasil.