Efraim Filho manda recado a João Azevedo: “o Dem não dobra os joelhos”

Na Convenção do Democratas que lançou a candidatura de Raoni Mendes à Prefeitura de João Pessoa, ontem (12/09), chamou a atenção um trecho do discurso do deputado federal Efraim Filho.

No tom enfático de quem reage às pressões e mantém posição, Efraim Filho mandou um recado que tem destinatário certo, embora o nome não sido mencionado.

O deputado federal deixou a entender que havia pressões para que o Dem “dobrasse os joelhos” e “abaixasse o cangote” para retirar a candidatura de Raoni Mendes, o que não aconteceu. E a prova disso era a realização da Convenção que ratificava a candidatura do ex-vereador e ex-deputado estadual.

Para Efraim Filho:

Raoni Mendes representa a liberdade e a autonomia de poder ser candidato.

Por que a necessidade de reafirmar essa condição? O discurso de Efraim Filho é, portanto, uma clara resposta tanto às pressões para que o partido e o deputado declarassem apoio a Cícero Lucena em João Pessoa, deixando pelo caminho Raoni Mendes, quanto à traição de João Azevedo a alguns candidatos do Dem, como é o caso de Douglas Lucena, prefeito de Bananeiras que disputa a reeleição.

Em Bananeiras, João Azevedo preferiu apoiar Matheus Bezerra, do MDB, que em 2018 fez campanha para José Maranhão em Bananeiras.

Matheus Bezerra, à esquerda de José Maranhão (2018)

Enquanto Douglas Lucena, aliado de primeira hora de João Azevedo, que sequer pestanejou em abandonar o antigo aliado pelo caminho para se aliar ao antigo adversário.

Abaixo, trecho do discurso em que Efraim Morais exalta a independência do Dem e manda um recado a João Azevedo.

CNMP adverte promotores: “deixem o conforto de seus cargos públicos, renunciem à magistratura judiciária ou ministerial, e entrem na arena partidária”

Ao que parece, o lavajatismo perde espaço até mesmo dentro do Ministério Público. Foi durante a gestão do ex-Procuador Geral da República, Rodrigo Janot, que essa prática foi legitimada até virar sinônimo de lawfare, que é o uso das leis como arma de guerra de guerra política, na qual a mídia desempenha o papel estratégico de mobilizar a opinião pública para condenação antecipada do inimigo político.

Hoje, finalmente o Conselho Nacional do Ministério Público julgou as infrações éticas do ex-coordenador da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol – na semana passada, Dallagnol já havia escapado de uma condenação no caso do famoso power point: o julgamento da reclamação do ex-presidente Lula foi adiado 40 vezes até finalemte precrever em 13 de setembro, benefício que sempre foi criticado pelo procurador.

Aliás, o julgamento só ocorreu na sessão de hoje porque o ministro Gilmar Mendes cassou a decisão de Celso de Mello, que havia suspendido o trâmite de duas ações que corriam no CNMP contra Dallagnol, uma de Renan Calheiro e outra de Kátia Abreu.

Para o conselheiro Otávio Rodrigues, relator da ação apresentada por Calheiros, Deltan Dallagnol “ultrapassou os limites da simples crítica, com manifestação pessoal desconfortável à vítima”, ao atacar de “modo deliberado não só um senador da República, mas ao Poder Legislativo”.

Deltan Dallagnol alegava que manifestações públicas e políticas com a de cima estavam protegidas pela liberdade de expressão, justificativa que o relator discordou de maneira enfática:

“Reduzir este caso a um debate sobre liberdade de expressão é ignorar o imenso risco à democracia quando se abrem as portas para agentes não eleitos, vitalícios e inamovíveis, disputarem espaços, narrativas e, em última análise, o poder, com agentes eleitos, dependentes do sufrágio popular periódico”.

Notem que essa é uma luta bastante desigual. A única condição que assegura a posição de Dallagnol ou de qualquer promotor ou procurador é ter passado em um concurso público, enquanto qualquer político que exerce cargo público tem que obrigatoramente passar pelo crivo das urnas.

Enquanto Daltan Dallaganol (ou qualquer outro procurador ou promotor) exerce seu cargo de maneira vitalícia e são inamovíveis, ou seja, não podem ser afastados, a não ser por decisão de órgãos como o CNMP, qualquer político depende do voto popular e, portanto, de suas imagem pública. Assim, quando um promotor ou procurador usa sua posição para atacar políticos, o que está em risco é a democracia, que está sendo corroída por dentro das instituições.

Numa das trocas de mensagens entre procuradores da Lava Jato reveladas pelo site The Intercept Brasil, além dos então senadores pelo Paraná, Roberto Requião e Gleisi Hoffman serem tratados como inimigos por uma dos interlocutores de Dallagnol, Vladimir Aras, o procuradador curitibano chegou a defender que o Ministério Público lançasse candidatos ao Senado em todos os estados, ou seja, se convertesse em um partido político. Vejam:

14 de dezembro de 2016 – Chat privado
Vladimir Aras – 10:30:29 – Vc tem de pensar no Senado
Deltan Dallagnol – 12:58:02 – Obrigado pelo incentivo, mas vejo muitos poréns
Aras – 13:09:38 – Vc se elege fácil e impede um dos nossos inimigos no Senado: Requiao ou Gleise caem
Dallagnol – 13:29:56 – Não resolve o problema. Ajuda se o MPF lançar um candidato por Estado. Seria totalmente diferente e daria trabalho, mas pode ser uma das estratégias para uma saída.

Para Otavio Rodrigues, um membro do Ministério Público “deve se abster de realizar manifestações públicas, pois ao fazê-lo, também compromete a isenção perante a sociedade”. Ele também deu um conselho a quem, no Ministério Público, pretende continuar atuando na política sem levar em conta “a tarefa de zelar pela lisura do processo eleitoral, sob pena de prejudicar a própria credibilidade da instituição”:

“Nada impede que os primeiros [promotores e procuradores] deixem o conforto de seus cargos públicos, renunciem à magistratura judiciária ou ministerial, e entrem na arena partidária, disputando votos e espaço na mídia sem a proteção reputacional que a toga e a beca quase sempre emprestam aos que as vestem”.

Na troca de mensagens citada acima, Dallagnol pensou seriamente em disputar o senado em 2018, mas perder algumas de vantagens que o Ministério Público oferece – e olhe que o Senado é considerado um “céu” para muitos políticos – desestimulava o procurador. Veja quais:

1º de março de 2017 – Chat privado
Luciana Asper Valdir – 10:41:42 – Tem alguma chance de vc se candidatar a senador?? Alguns estão me perguntando.
Deltan Dallagnol – 11:49:16 – 
Dallagnol – 11:49:22 – Valeu Lu!
Dallagnol – 11:50:43 – Não tem urgência, vou aguardar então, obrigado!
Dallagnol – 11:57:18 – Eu não gostaria, sendo sincero, por uma série de razões. Não é meu perfil, é uma turbulência na vida familiar, ganha menos, tem menos férias, fica tomando pedrada na vitrine num jogo de menitras, correria um risco grande ao me desligar do MPF, tem a questão da LJ etc. (…)

Ganha menos, tem menos férias”

Pelo visto, Deltan Dallagnol queria só o bonus de fazer política, ser estilingue, sem o ônus de assumir posições como político e virar vidraça. E depender do voto para continar na carreira.

Enfim, quando um membro do Ministério Público entra em embates públicos, de claros contornos políticos e com repercussões eleitorais, ou faz uso do seu poder para lançar dúvidas sobre a reputação alheia, publicizando (vazando) detalhes de investigações ainda em curso com a clara intenção de produzir antecipação de condenações, o que, para alguns funciona como uma sentença de morte política, o resultado é a partidarização do Ministério Público.

E certamente não foi para agirem como militantes que os constituintes eleitos em 1986 asseguraram a promotores e procuradores essas prerrogativas, além dos mehores salários do serviço público e privilégios que poucas carreram têm.

Manobra tenta criar impasse na UFPB para justificar nomeação de um dos candidatos derrotados

O resultado da eleição para a escolha do próximo/a reitor/a da UFPB foi de tal maneira contundente que não abre margem para contestação. Tanto que nenhum dos candidatos derrotados no peito fez isso apresentando qualquer recurso à Comissão Eleitoral.

Em razão disso, foi no mínimo estranho que, sem ter sido provocado, o presidente da Comissão Eleitoral, Ângelo Brito, ligadíssimo à reitora Margareth Diniz, tenha tomado a iniciativa de suspender o resultado da consulta em por conta de uma “denúncia anônima”, segundo a qual, estudantes de extensão, que não têm vínculo formal com a UFPB, teriam votado. Para Ângelo Brito, isso seria motivo para anular um pleito onde quase 10 mil discentes que acessaram o sistema para exercer seu direito de voto.

A atitude do presidente da Comissão Eleitoral da UFPB soa ainda mais estranha porque a confecção das listas de votação foi de responsabilidade da Superintendência de Tecnologia e Informação (STI), a pedido, como de praxe, da própria Comissão Eleitoral. Portanto, se os estudantes de extensão foram inseridos na plataforma criada especialmente para a votação, o que também não aconteceria sem um cadastro prévio deles, foram ou pela STI ou pela própria Comissão Eleitoral. Uma questão que precisa ser esclarecida, portanto, é se a inserção desses eleitores foi da responsabilidade da STI a pedido da Comissão Eleitoral.

Outra atitude de causar estranheza foi a rapidez como o Procurador da
UFPB, Carlos Octaviano de Medeiros, posicionou-se pela nulidade do processo, em um parecer que foi desmontado, ponto por ponto, por nada menos que 19 professores do Centro de Ciências Jurídicas instituição. (Leia aqui)

Uma situação que, convenhamos, exige uma investigação rigorosa, inclusive da Polícia Federal. Duas hipóteses são possíveis nesse caso: 1) se a inserção foi resultado de um erro; 2) ou se esses estudantes foram inseridos nas listas de votação de maneira proposital e planejada, para uso político posterior, como vemos agora claramente acontecer, com o objetivo de levantar dúvidas sobre o resultado da eleição – em parte, registre-se já projetado por pesquisas eleitorais, que são também largamente utilizadas nas eleições da UFPB.

O impasse artificial em curso, cuja intenção é lançar dúvidas sobre a lisura da consulta à comunidade, poderá ser usado como justificativa moral para que um dos candidatos que não obteve a maior votação aceitem uma futura nomeação de Jair Bolsonaro, o que pode levar a UFPB numa gigantesca crise política que em nada tornará melhor a vida acadêmica e administrativa da Instituição.

Virou uma sólida tradição na UFPB a aceitação dos resultados das consultas à comunidade universitária nas escolhas dos nosso reitores, o que vem acontecendo desde 1984, isso quando ainda estava em curso a ditadura militar, embora nos seus estertores. Em 1984, foi eleito diretamente o primeiro reitor da UFPB, e não saiu do bolso de um burocrata do MEC ou por acordos políticos alheios aos interesses da instituição. A atual reitora Margareth Diniz já viveu, em 2016, o dramas para ser nomeada e já ali a decisão da comunidade universitária esteve em risco. Que ela não caia na mesma tentação dos que tentaram impedir sua nomeação à época.

Aliás, ainda mais estranho tem sido o silêncio dos candidatos derrotados (Isac Medeiros e Valdiney Gouveia). É sempre bom lembrar nessas ocasiões que, por varais eleições seguidas, os candidatos assinavam um termo em que se comprometiam em renunciar caso fossem nomeados. Já que resolveram submeter suas candidaturas ao julgamento da comunidade universitária, os dois têm obrigação moral de virem a público e rechaçarem tanto essa manobra com cara de golpe oriunda da Comissão Eleitoral da UFPB, como qualquer tentativa que tenha a intenção de desrespeitar a vontade manifestada mas urnas por professores, servidores técnico-administraticos e estudantes.

Diego Tavares, Socorro Gadelha e Daniela Bandeira eram candidatos… a João Azevedo

Nenhuma decisão foi tão acertada como a de Luciano Cartaxo quando escolheu a professora Edilma Freire sua candidata a sucedê-lo. 

Além de Edilma, as opções do prefeito de João Pessoa eram Diego Tavares (ex-PTB e DEM), Socorro Gadelha ( ex-PP) e Daniella Bandeira, secretários/as de longa data da atual administração pessoense e que viviam a declarar fidelidade ao projeto de Luciano Cartaxo.

Pois bem, o anúncio da saída de Daniela Bandeira da prefeitura de João Pessoa e do Partido Verde completa o ciclo de uma traição anunciada. E em bloco. Bandeira resolveu adotar o mesmo caminho de Diego Tavares e Socorro Gadelha, que abandonaram o barco assim que souberam que não foram os escolhidos.

A atitude demonstra que os/as três eram candidatos/as, na verdade, a João Azevedo. Com essa atitude mesquinha, Diego Tavares, Socorro Gadelha e Daniela Bandeira se incorporaram de corpo e alma ao azevedismo, a corrente política dos escaladores do prestígio alheio que, sem voto para se elegerem sequer síndicos de  condomínios, ganham de presente cargos de grande poder apenas pela grande capacidade de dissimulação.

Ou seja, os/as três eram candidatos, na verdade, a trair Luciano Cartaxo, assim como fez o atual governador, que traiu Ricardo Coutinho nem bem ganhou a eleição e assumiu o cargo mais cobiçado da política paraibana.

E com esse exemplo em carne viva, Cartaxo se precaveu e pulou uma fogueira.

João Azevedo se reúne com Julian Lemos e quer bolsonarismo com Cícero Lucena

Segundo informou Emerson Machado (Mofi), durante o programa Balanço Geral, que ele apresenta ao lado de Eclinton Monteiro e Sony Lacerda na 98 FM, o deputado federal bolsonarista, Julian Lemos (PSL), reuniu-se com João Azevedo, entre outros assuntos, para tratar do apoio à candidatura de Cícero Lucena (PP), a grande obsessão do governador.

Estava presente também o secretário Nonato Bandeira. Segundo Mofi, Julian Lemos está indeciso entre o apoio à Raoni Mendes (DEM) e Cícero Lucena.

A conversa de ontem pode ter convencido o ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste, que não cansa de lançar confetes à capacidade de “diálogo” do atual governador.

Entre outras coisas, o deputado federal já disse defender um projeto para proibir o comunismo no Brasil (veja aqui). Julian Lemos já foi denunciado três vezes com base na Lei Maria da Penha após ter agredido a ex-mulher e a irmã (veja aqui). Também já chamou o governador de “grandioso”.

Quando a jurisprudência das Cortes Superiores valerá para Ricardo Coutinho?

O ex-presidente Lula costuma dizer que no Brasil existem dois códigos penais: um para julgá-lo o outro para o resto dos brasileiros.

Pelo visto, Lula terá de incluir mais um código penal especialíssimo e feito sob medida: o código com o qual a Justiça paraibana aceita as denúncias e deve julgar Ricardo Coutinho.

Duas decisões da Justiça, hoje (01/09), demonstram isso. A primeira, a decisão da Segunda Turma do STF que suspendeu a ação que tramitava na 13ª vara de Curitiba contra o Vital do Rêgo Filho (TCU).

Reproduzo abaixo trecho do voto de Gilmar Mendes sobre o caso, disponível também no Blog do Tião:

O inquérito se baseia em provas e indícios indiretos, em conjecturas e ilações que não podem sustentar as investigações. É com base na prova de contato entre Leo Pinheiro e Gin Argello que se imputa a participação de Vital do Rego, já que inexiste qualquer outro elemento de prova. Não se deve permitir prosseguimento de investigação com base em acusação de corrupção fundada unicamente na colaboração dos colaboradores. E, mesmo entre eles, há divergências.”

Ou seja, a Lava Jato investiga há quatro anos esse caso e até agora não conseguiu ir além da delação de delatores interessados nos benefícios oferecidos a corruptos pagos com a boca na botija.

Lula

O outro caso envolve o próprio Lula. O TRF1 (Distrito Federal) decidiu absolver o ex-presidente da acusação de ter receber vantagem indevida da Odebrecht por meio de palestras, que foram comprovadamente realizadas.

A decisão do Tribunal tem por base a acusação absolutamente precária do Ministério Público Federal, que não tinha provas e, segundo a defesa do ex-presidente, sequer especificava quais as condutas ilícitas atribuídas a Lula.

Segundo Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula:

“Sempre que foi julgado por um órgão imparcial e independente — fora da Lava Jato de Curitiba — Lula foi absolvido ou a acusação foi sumariamente rejeitada, na linha da defesa que apresentamos em favor do ex-presidente

Resta saber quando finalmente a jurisprudência das Cortes Superiores valerá para Ricardo Coutinho.

Após denunciar extorsão na Prefeitura de Bayeux, Wanderly Farias é nomeado Secretário de Comunicação

A imagem acima é de um print de uma mensagem postada por Wanderly Farias no Whatsapp. Na mensagem, que tem o sugestivo título em letras garrafais de COMEÇOU O DESMANTELO, Farias denuncia que, pela acordo que elegeu indiretamente Luciene de Fofinho prefeita de Bayeux, “o vice Adriano Martins e Zé Baixinho ficaram com [secretaria de] infraestrutura e o lixo”. Os dois foram eleitos para a Câmara em 2018, sendo que Adriano assumiu a prefeitura ao lado de Luciene de Fofinho.

Segundo a denúncia de Wanderly Farias, o proprietário da empresa que coleta lixo na cidade estaria “se queixando” que Martins e Baixinho estariam exigindo R$ 100 mil reais por mês para que a empresa não fosse substituída por outra. Wanderly termina a mensagem com uma misteriosa ameaça: “E parece que tem áudios das conversas”.

Wanderly pertencia à equipe do ex-prefeito Jeferson Kita. Por isso, muita gente estranhou o comunicado abaixo:

JORNALISTA WANDERLY FARIAS SERÁ O SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO NA GESTÃO LUCIENE GOMES

Prego batido, ponta virada. Foi confirmada a indicação do competente jornalista, Wanderly Farias, para ocupar a Pasta de Comunicação na gestão da prefeita Luciene Gomes.

Wanderly tem larga experiência na área de comunicação e tem muito a contribuir com a gestão, somando-se a outros importantes nomes que integram a equipe de auxiliares da prefeita.

Luciene tem usado como critério primordial para suas nomeações, a competência técnica e o profissionalismo de cada integrante.
Parabéns, prefeita!

Heleno Teixeira

Você já deve ter entendido como o jogo da politika é jogado em Bayeux, não? O Ministério Público parece que ainda não.

QUEM É A NOVA PERFEITA DE BAYEUX?

A nova prefeita de Bayeux atende pelo nome de Luciene de Fofinho. Antes de herdar os votos do marido, o ex-vereador Mizael do Carmo, mais conhecido na cidade pela alcunha de “Fofinho”, Luciene ganhou notoriedade nacional em 2009 por ter sido incluída pela prefeitura entre as beneficiárias do Bolsa Família, mesmo que o marido à época recebesse R$ 7 mil reais referente ao cargo de vereador e presidente da Câmara de Bayeux.

A atuação recente de Luciene de Fofinho como vereadora foi marcada pela oposição ferrenha ao ex-prefeito Berg Lima, preso após ser filmado recebendo propina de um empresário de Bayeux para liberar pagamentos à empresa do mesmo.

Aliada de primeira hora do atual presidente da Câmara de Vereadores de Bayeux e ex-prefeito interino depois da renúncia de Berg Lima, Jeferson Kita, Luciene de Fofinho não pensou duas vezes para mudar de lado e aliar-se ao antigo adversário. A oferta era sedutora: Luciene seria eleita indiretamente prefeita de Bayeux.

Luciene também é conhecida por seu fervor religioso. Ela adora misturar política e religião, sendo o que Jair Bolsonaro definiria como “terrivelmente evangélica”.

Vale a pena Inácio Falcão ter Ana Cláudia Vital como vice em Campina Grande?

A decadência política da família Vital do Rego só não é tão patente porque os arranjos políticos salvaram a carreira dos seus membros mais proeminentes.

Vital do Rego Filho se salvou quando assegurou, ainda quando Dilma Rousseff era presidente, e com o apoio de Eduardo Cunha e Michel Temer, uma vagas para o Tribunal de Contas da União. Em 2014, mostrou seu tamanho de nanico na política paraibana quando obteve apenas 5,22% (dos votos válidos) na eleição para governador.

Já o irmão de Vitalzinho, Veneziano Vital do Rego, teve a sorte de ser um dos ungidos por Ricardo Coutinho em 2018, depois de um mandato desastroso como deputado federal, e se eleger, sem muito esforço, para um mandato de Senador. Como João Azevedo, Veneziano foi outro que não pensou duas vezes em enfiar a adaga da traição nas costas do ex-governador.

Aliás, a canalhice política de João Azevedo é tão grande que o governador anda hoje abraçado, em vários municípios, com quem foi seu adversário em 2018, e não apenas no caso de João Pessoa.

Além de apoiar Roberto Paulino em Guarabira, que foi candidato a Senador na chapa de José Maranhão na eleição passada, e cujo filho, Ranieri, era, há bem pouco tempo, o líder da oposição na Assembleia, o governador anunciou apoio ao candidato do MDB de Bananeiras, Matheus Bezerra, negando com isso apoio ao atual prefeito Douglas Lucena, que pediu votos para Azevedo na última eleição. O tio de Douglas, Henrique Lucena, chamou a atitude de João Azevedo de “filhadaputice“.

Voltemos à outra face da traição, Veneziano Vital do Rego. A decadência do ex-prefeito de Campina Grande em seu principal colégio eleitoral não pode ser encoberta nem pelo cavalo que Ricardo Coutinho selou para ele em 2018. Em 2016, por exemplo, Veneziano foi candidato a prefeito e tomou uma surra desmoralizante de votos, quando não chegou sequer a 25% dos votos da cidade.

E não é só isso. Em 2018, sofreu nova derrota na Rainha da Borborema, obtendo ainda menos votos (21%), mesmo com o eleitor podendo votar em dois candidatos.

Não é por outro motivo que os Vital do Rego já pensam em retirar a candidatura de Ana Cláudia Vital à Prefeitura de Campina Grande. A intenção será evitar novo vexame eleitoral e manter a aura de liderança política, mesmo que os resultados eleitorais do clã em Campina Grande mostrem o contrário.

A dúvida é saber ser vale a pena Inácio Falcão receber esse apoio no primeiro turno e incorporar esse desgaste à sua candidatura, o que significaria apostar no risco de a eleição ser decidida já em primeiro turno.

Depois de “suposta” sonegação da Brisa Net ser tratada como “vergonhosa”, empresa vira anunciante da POP FM

Os jornalistas Adelton Alves e Edmilson Pereira apesentaram durante anos um programa na rádio Arapuã. Hoje, estão na POP FM com Paraiba Agora.

Na última terça, os dois tornaram pública uma denúncia contra a Brisa Net, empresa que atua no mercado oferecendo serviços de fibra óptica. Segundo informou Adelton Alves, a Associação Nacional para Inclusão Digital (ANID) encaminhou denuncia ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra a Brisa Net por sonegação de impostos. Seriam R$ 14 milhões em valores sonegados e, portanto, em impostos devidos ao Estado da Paraíba.

Depois de ler a notícia, Adelton Alves pergunta a Edmilson Pereira se ele acredita ser verdadeira essa denúncia. Pereira responde: “É uma constatação pública”.

Adelton Alves: “Se for (verdade) é uma vergonha. É uma empresa grande, não precisa disso, tem uma estrutura enorme, já toma conta (do mercado de internet) de quase todo o Nordeste, e já avança para o Sul do país”.

Enquanto Alves falava, Edmilson Pereira corroborava as palavras do companheiro de bancada.

Em seguida, Adelton Alves conclama a Brisa Net a pagar os impostos que deve à Paraíba.

Brisa Net vira anunciante da POP

Para minha surpresa e de um leitor que me chamou atenção para o fato, três dias depois, Adelton Alves anunciou um novo “parceiro” para o programa: a Brisa Net.

Uma empresa que é acusada gravemente de sonegação, prática qualificada por Adelton Alves de “vergonhosa”, em seguida torna-se parceira, anunciante do programa.

Resta saber se algum dia a denúncia tratada no programa da última terça voltará a ser mencionada de novo.

Esse pessoal se entende.

João Azevedo prepara privatização da PBGás

Não faz muito, Erika Del Pino era considerada um militante histórica do Partido Socialista Brasileiro, ex-membra do diretório municipal do partido e fervorosa militante ricardista.

Segundo os próximos dizem, em tom de brincadeira, claro, Del Pino era capaz de riscar a faca no chão caso escutasse de um interlocutor uma crítica a Ricardo Coutinho – não conheço Erika Del Pino pessoalmente, mas sei de muitos que assim se comportavam, como Ronaldo Barbosa, que por muitos e muitos anos presidiu o PSB e era presença marcante, e até dirigente, nas reuniões da Frente Brasil Popular. Tristes tempos esses nossos!…

Pois bem, assim como tantos, Erika Del Pino foi uma das que esqueceram instantaneamente seu passado de esquerda e socialista em troca de uma sinecura no governo, e não pensou duas vezes em se bandear para um partido que está no lado oposto do espectro político e ideológico brasileiro, o Cidadania.

Segundo quem me repassou as informações de que trato abaixo, Erika foi uma das primeiras a entregar o cargo que tinha no PSB e uma das primeiras a se desfiliar do partido logo que João Azevedo rompeu com Ricardo Coutinho, para se alinhar ao séquito de “traidores de primeira hora”. A intenção era compor o núcleo duro dos cristãos novos do azevedismo, essa corrente asséptica que não poderia ter outro padrão moral que não o do líder que deu-lhe forma – se é que ela tem alguma.

A subserviência dessa gente chega ao ponto de aceitar ser nomeada interinamente para a presidência da PBGás apenas para guardar o lugar, enquanto João Azevedo não define quem será o verdadeiro ocupante nos arranjos em curso que estão dando cara ao governo.

A imagem abaixo é de um trecho de uma ata de reunião da PBGás. Notem que na ata está estipulado o prazo do mandato tampão com data de vencimento estipulada para o próximo dia 2 de Setembro, data em que certamente a vaga terá novo dono, indicado por um dos novos sócios do poder.


Se você procurar na página da PBGás não encontrará informações a respeito dessa nomeação. É sempre bom lembrar que a PBGás é uma empresa de economia mista, que presta serviço de utilidade publica e cujo sócio majoritário é o Estado da Paraíba.

Tudo isso é importante porque se trata de um dos cargos mais cobiçados da estrutura do Governo (R$ 18 mil de remuneração) e, sobretudo, trânsito em um segmento cujo interesse de privatização pelo governo federal já foi demonstrado.

Aliás, consta que o homem de confiança de João Azevedo, Deusdeth Queiroga, secretário a qual a PBGás é vinculada, já manifestou em reunião do Conselho da PBGás a opinião de que a empresa pode ser privatizada encomendou a Erika Del Pino, essa ex-fervorosa militante de esquerda, estudos preliminares a respeito das medidas a serem adotadas para a privatização da PBGás.

Não seria surpreendente. Privatizar é parte do ideário dos novos donos do poder na Paraíba. Foi para isso que eles derrubaram Dilma Rousseff; é para isso que querem afastar Ricardo Coutinho da política.

QUEM DIRIA? Secretaria de Cultura e Funesc viraram um “clube do Bolinha”

Desde 2011, as mulheres nunca foram minoria nos cargos dirigentes dos órgãos que comandam a política cultural do estado da Paraíba (Secult e Funesc).

Em 2020, tudo mudou, e não foi porque as mulheres perderam sua competência. O que aconteceu para a Secult e a Funesc ter sido transformada em um clube do Bolinha, onde, pelo visto, se depender do governador, mulher não entra.

Veja:

2011
SECULT: Chico César – Amazile Vieira
FUNESC: Lu Maia – Willian Tejo

2013
SECULT Chico César – Amazile Vieira
FUNESC: Lau Siqueira – Lu Maia

2015
SECULT: Lau Siqueira – Fernanda Norat
FUNESC: Márcia Lucena – Nézia Gomes

2019
SECULT: Damião Ramos – Milton Dornellas
FUNESC: Nézia Gomes – Raisa Agra

2020
SECULT: Damião Ramos – Milton Dornellas
FUNESC: Walter Galvão – Pedro Santos

Secretariado: João Azevedo prefere os homens para governar

Posse de João Azevedo. Com exceção da Vice-Governadora, Ligia Feliciano (eleita), todos os outros membros são homens.

Uma leitora atenta lembrou que as mudanças no secretariado de João Azevedo confirmam o viés machista denunciado na carta de Raísa Agra, que comentamos aqui mais cedo.

E vejam como ela tem razão:

Quando Amanda Rodrigues pediu demissão da Secretaria de Finanças e do Emprender, foi substiutida por uma dose dupla de homens: Marialvo Laureano e Fabrício Feitosa, respectivamente.

Na Secretaria de Desenvolvimento Humano, Neide Nunes foi substituída por Tiberio Limeira.

Na FUNESC, Walter Galvão assumiu o lugar de Marinézia Gomes e Pedro Daniel de Carli de Raísa Agra, enquanto que na Fundação Casa de José Américo, Fernando Moura ocupou o lugar que era de Viviane Coutinho.

Quando Ana Claudia Vital deixou a Secretaria de Desenvolvimento e Articulação Municipal para se candidatar a prefeitura de Campina Grande, o governador não teve dúvidas: nomeou Fabio Thoma para o lugar da esposa do Senador Veneziano Vital do Rego.

Na Saúde, Claudia Veras cedeu lugar para Geraldo Medeiros.

Ou seja, se continuar nesse ritmo, o governo da Paraíba corre o risco de se transformar no Ministério nomeado por Michel Temer.


MANIPULAÇÃO DE DADOS? Em 2018, ocorreram 1.200 mortes por pneumonia na PB; em 2020, já são 2.183.

A Paraíba pode viver nos próximos doas um escândalo de grandes proporções que desvelará, de maneira definitiva, a face oculta do atual governo e até onde João Azevedo pode ir para esconder as verdades sobre a evolução e os impactos da pandemia de coronavírus em nosso estado.

Quem leu o Diário Oficial Eletrônico do TCE-PB nº Nº 2511, publicado na última segunda-feira (24/08/2020), deve ter notado um estranho pedido de informações ao Secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros: o TCE pede que Medeiros informações obre “as ações adotadas e respectivas comprovações em face do elevado número de mortes ocasionadas por pneumonia e septcemia” durante a pandemia de cornovírus, levantamento realizado nos Cartório de Registos Civis. do estado.

O pedido é resultado das conclusões do 19º Relatório de Acompanhamento Gastos COVID 19 (Governo do Estado), produzido pela Diretoria de Auditoria e Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Segundo o relatório, morreram 4.176 pessoas na Paraíba de pneumonia e septcemia, número que representa 26% do total das mortes registradas no estado durante a pandemia.

O gráfico acima consta no relatório do TCE. Como se pode observar, as mortes por pneumonia superam as mortes provocadas por Covid em quase 400 registros. A pneumonia mata no Brasil, e muito. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2015 e 2017, cerca de 200 mil pessoas morream no Brasil vítmas da doença, uma média de 66,5 mil casos por ano (leia aqui).

“Como se observa, em 2020, durante a PANDEMIA DA COVID-19, na Paraíba, ocorreram mais mortes por PNEUMONIA e SEPTICEMIA do que em razão do CORONAVÍRUS.”

Certamente, foi a observação desses números que provavelmente levantou suspeitas de manipulação do número de mortos por Covid-19 na Paraíba. E com toda razão, porque, se considerarmos que população da Paraíba (pouco mais de 4 milhões) representa menos de 2% da população do país (209 milhões), a projeção de mortes causadas pela pneumonia seria de mais ou menos 1.300 mortos por ano no estado.

Aliás, segundo matéria do Portal Correio a partir de dados da própria Secretaria de Saúde da Paraíba, foram registrados mais de 1.200 óbitos por pneumonia na Paraíba em 2018.

Como explicar que, em apenas sete meses do ano em curso, as vítimas de pneumonia tenham quase dobrado na Paraíba, com quase mil mortos a mais? Ou será que, em razão da incapacidade já demonstrada de testar a população, muitas mortes por Covid-19 estão sendo atribuídas à pneumonia?

Como não há uma explicação que se ampare nas séries estatísticas, temos aqui uma grande possibilidade de manipulação de informações para encobrir a incapacidade do governo estadual de enfrentar a Covid-19.

O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e a Paraíba espera ter uma resposta rápida a essa grave suspeita.

Clique abaixo para fazer o downloud do relatório do TCE.

A carta de Raíssa Agra é um chamamento, um apelo ético!

Raissa Agra ocupou até ontem a vice-presidência da Fundação Espaço Cultural (Funesc). Na carta que divulgou em suas redes sociais para tornar público seu pedido de demissão, Raíssa explicou as razões que a levaram a sair do governo.

A maior parte da imprensa tentou restringir as insatisfações de Raíssa ao machismo de Damião Ramos, mas Raíssa foi muito mais além de demonstrar os arroubos misóginos do atual secretário de Cultura, cujas origens políticas mais remotas estão ligadas ao regime militar de 1964.

Governo João Azevedo é “autoritário, machista e conservador“.

Raíssa Agra definiu o governo João Azevedo como “autoritário, machista e conservador“, traços que ela considerada incompatíveis “com as promessas feitas em 2018 à população e a quem trabalhou por sua eleição.”

Ironicamente, João Azevedo confirmou o viés machista do atual governo ao nomear para lugar de Raíssa Agra… um homem. A partir de ontem, Pedro Daniel de Carli Santos é o novo vice-presidente da Funesc, que já tem na presidência outro homem, Walter Galvão – seduzido pela magia dos cargos e das gratificaçoes, o ex-ricardista roxo deixou a Secretaria de Comunicação do Conde para se jogar nos braços do reacionarismo mais abjeto, porque tenta se apresentar sob embalagem de uma continuidade, mas que a carta de Raíssa Agra expõe a mentira tenebrosa que existe por baixo do papel de presente colorido.

Eu era uma das poucas mulheres entre dirigentes dos órgãos de cultura, e mesmo assim não estava sendo chamada para reuniões internas por não aceitarem o contraditório.

Talvez a coragem que teve Raíssa Agra estimule outros dirigentes a denunciarem a viragem autoritária em curso na Paraíba, bem ao gosto desses tempos bolsonarianos. A manutenção de Damião Ramos no cargo de na Secretário de Cultura, apesar da instabilidade que provoca, é a demonstração do peso que o conservadorismo adquire no atual governo. Conheci Damião Ramos ainda secundarista, quando o mesmo ocupava a Chefia de Gabinete da Secretaria de Educação do governo de Wilson Braga (ex-Arena, à época PDS, depois PPB e hoje… Progressistas!).

Voltando a Raíssa, ela identifica bem a raiz autoritária do atual governo: a ausência de diálogo com a sociedade civil, revelada cada vez mais pela irrelevância como considera o papel da participação social em suas decisões – lembro que o Orçamento Democrático respira por aparelhos, hoje, porque sempre foi incompatível com o patrimonialismo da maior parte da Assembleia, que teme a organização do povo como o morcego teme a luz.

Certamente, o anúncio do apoio do atual governador à candidatura de Cícero Lucena, uma estrela cadente do conservadorismo paraibano, à prefeitura de João Pessoa, foi a gota d’agua para Raíssa Agra entregar o cargo, o que ela fez logo depois – imagino agora o constrangimento daqueles que antes de diziam de esquerda e, ocupando cargos no atual governo, serão obrigados a pedir votos ao ex-tucano e ex-cassista.

Para aqueles que sonhavam com a manutenção dos rumos inaugurados pelo projeto progressista e modernizante de Ricardo Coutinho, Raíssa Agra manda um recado que desfaz ilusões.

Por fim, os arranjos políticos que se anunciam para as eleições municipais sacramentam que não tem mais volta, o governo deu sua guinada e é definitiva.

Elegemos um governo que se anunciou progressista mas que rapidamente se aprumou para o atraso conservador.

Quem desconhecer, ou deixar de reconhecer, que, o que está em curso na Paraíba, faz parte da contra-ofensiva conservadora nacional que procura deter todos e qualquer avanço social, ou não entendeu nada ou o cargo é mais importante do que a ideologia.

Aqui, esse movimento é fruto da reação oligárquica contra qualquer opção política que não tenha a sua cara e não obedeça aos seus imperativos elitistas, familísticos e patrimoniais. A subserviência a esse projeto só revelará o oportunismo das acomodações que exige concessões éticas. E essa vem a ser a contraface desses tempos grotescos onde o individualismo domina e conosco se abraça para fazer morrer – ou metamorfosear – nossas ideologias.

Não sou de recomendar esse tipo de coisa a ninguém, porque, como disse Caetano, cada um sabe a dor e a delícia e ser o que é. Mas é sempre bom relembrar esse trecho da poesia de Guimarães Rosa, transformados por muitos em clichê: “o que ela [a vida] quer da gente é coragem.”

E sabe por que? porque a vida é mutirão de todos.

RICARDO ELEGÍVEL: sessão do TSE é novamente adiada depois de relator votar contra recurso de Cássio

Foi suspensa agora há pouco, depois que o ministro Luis Felipe Salomão pediu vistas, a sessão do Tribunal Superior Eleitoral que julga o recurso da coligação que apoiou a candidatura derrotada de Cássio Cunha Lima na eleição de 2014, que pedia a inegebilidade de Ricardo Coutinho.

O ralator Og Fernandes não viu motivos para que Ricardo Coutinho perdesse os direitos políticos.

Se os outros ministros confirmarem a linha adotada por Og Fernandes em seu voto, o ex-governador dará o primeiro passo para ultrapassar os obstáculos que os adversários colocaram para afastá-lo da política.

O foguetório que a Granja encomendou foi novamente adiado.

Apoio ao candidato do Centrão em João Pessoa confirma traição de João Azevedo ao campo progressista

O anúncio do apoio de João Azevedo à candidatura de Cícero Lucena à prefeitura de João Pessoa, se não foi surpreendente, trata-se de um evento carregado de significados e que pode ensejar alterações significativas na política pessoense e, por consequência, de todo o estado da Paraíba.

Desde dezembro do ano passado, João Azevedo é filiado ao Cidadania, uma espécie de sublegenda do PSDB. Cícero Lucena é hoje filiado ao do Partido Progressista, que, na Paraíba, é controlado pela família Ribeiro.

O anúncio de hoje feito durante uma live transmitida pelas redes sociais ratificou uma trajetória de múltiplas traições do atual governador: traição ao eleitorado paraibano que o elegeu – no primeiro turno – para dar continuidade ao projeto iniciado por Ricardo Coutinho; ao próprio ex-governador, que foi o principal fiador e responsável pela eleição de João Azevedo; aos companheiros de jornadas, a maioria abandonados à própria sorte.

Com a formalização do apoio ao candidato do PP, João Azevedo ratifica  também a traição ao campo progressista e é mais um passo em direção ao bolsonarismo e sua agenda de reformas antipovo. É bom lembrar que tanto a atual senadora Daniela Ribeiro, uma das estrelas da live de hoje, como o irmão Aguinaldo, foram adversários de João Azevedo em 2018.

Não é só isso. O próprio Cícero Lucena foi um destacado cassista não faz tanto tempo. Eleito vice-governador de Ronaldo Cunha Lima, em 1990, Lucena assumiu o governo temporariamente quando o titular se licenciou depois de tentar assassinar o ex-governador Tarcísio Burity com tiros na cabeça. Depois, assumiu o governo de maneira definitiva quando Ronaldo renunciou para se candidatar ao Senado, em 1994. Cícero foi aquinhoado com um cargo no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, antes de se eleger prefeito de João Pessoa pelo PMDB, então partido da família Cunha Lima, em 1996. Em 2006, já no PSDB, foi eleito Senador. Sem condições de se reeleger em 2014, depois de ter sido derrotado em 2012 para a prefeitura de João Pessoa, resolveu abandonar a política.

Agora, Cícero Lucena retorna pelas mãos de Aguinaldo Ribeiro, um dos líderes do Centrão no Congresso, o principal bloco parlamentar de apoio aí governo de Jair Bolsonaro.

A grande dúvida é: qual será a resposta do campo progressista à consolidação da trajetória rumo ao bolsonarismo e à direita de João Azevedo e do seu governo? Vai se manter fragmentado vendo o conservadorismo ganhar terreno, ou vai reagir numa frente ampla para impedir que o retrocesso chegue também à Prefeitura de João Pessoa, desde 2005 administrada por lideranças com origem nos movimentos sociais e comprometidas com um projeto democrático para a cidade?

Imprensa bolsonarista financiada pela SECOM faz campanha aberta para Cícero Lucena

Chamou a atenção a resposta articulada de vários blogs e sites de notícias em defesa da elegibilidade de Cícero Lucena.

Um release que tenta, muito precariamente, desmentir a verdade insofismável de que o candidato do Centrão à prefeitura de João Pessoa, Cícero Lucena está inelegível, foi publicado em vários blogs e sites como se a autoria fosse dos mesmos. Como essa turma é preguiçosa, nem o texto – na maioria dos casos, nem o título – eles mudam, a ação orquestrada ficou evidenciada.

Tratar como fake news a informação de que Cícero Lucena está inelegível é mau-caratismo puro. Basta uma simples consulta na página do Tribunal de Contas da União para confirmar esse fato – Cícero Lucena teve contas desaprovadas como administrador público e isso é suficiente para torná-lo inelegível.

Além de mentir ao distinto público, o que já é, por si só, desmoralizante, fazer isso reproduzindo um release, provavelmente oriundo de comitê de campanha partidária, que trata uma verdade como “fake news”, é cavar ainda mais esse poço que parece não ter fundo.

Segundo a página do TCU, Cícero Lucena está inelegível, sim. Se ele vai conseguir conseguir uma liminar ou reverter a decisão no Tribunal, aí são outros quinhentos. Como Cícero Lucena foi tucano, assim como Ruy Carneiro continua sendo, e hoje é do Centrão de Aguinaldo Ribeiro, o mais provável mesmo é que ele concorra à eleição, nesse jogo de cartas marcadas em que desejam transformar a eleição de João Pessoa.

Vergonhoso são blogs e sites receberem dinheiro público para agirem como se fossem páginas de campanha eleitoral.

Para isso, o rigor do Ministério Público é ZERO!

TSE adia julgamento e candidatura de Ricardo Coutinho é cada vez mais uma realidade

Que ninguém se engane: o medo dos adversários pela candidatura de Ricardo Coutinho a prefeito de João Pessoa é tão grande que os palanques da eleição de 2020 ainda não se formaram à espera por uma definição do ex-governador.

E esse é apenas um detalhe desse enredo burlesco,que seria digno dos picadeiros caso o circo não merecesse nossas melhores considerações. O ano já avança para setembro, com a eleição marcada para novembro, sem que uma mísera pesquisa de opinião tenha sido divulgada sobre a situação eleitoral de João Pessoa.

E os motivos você pode imaginar. Eles tem a ver tanto com os interesses de um governador sem líderança e cercado de gente desqualificada e sem projeto de estado, a não ser as mesquinharias de sempre, como de uma imprensa que esqueceu faz tempo o que é jornalismo.

O governador que resolveu trair seu eleitorado, entregando-se nos braços da oposição, menos de dois meses após ter assumido o cargo. Não por acaso, seus principais interlocutores hoje foram seus adversários em 2018: Cícero Lucena, ex-tucano, ex-cassista, é hoje fiiado ao PP do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da senadora Daniela Ribeiro, dois dos representantes mais legítimos do familismo oligárquico paraibano, ambos eleitos no palanque da oposição dois anos atrás.

Aguinaldo Ribeiro é um dos líderes do Centrão no Congresso e pertemce ao PP o novo líder do governo Bolsonaro,  Ricardo Barros (PP-PR).

Isso se deve a outro fato notório. A liderança de João Azevedo, tão rasa quanto os leitos dos riachos, a ponto de não ter ele um único candidato para chamar de seu em nenhum dos municípios estratégicos do estado. Daí a necessidade de apoiar candidatos de outros partidos para tentar evitar o mal maior, que seria a eleição de Ricardo Coutinho. Ou seja, para impedir a volta à política de RC, que lhe foi quem deu de presente a cadeira de governador, João Azevedo está disposto até a fortalcer a candidatura de Daniela Ribeiro, candidatíssima ao governo em 2022.

“TORCIDA” PELA INEGEBILIDADE DE RICARDO

Não se sabe o motivo pelo qual o staff do governador se reuniu ontem à noite para acompanhar a reunião do Tribunal Superior Eleitoral que julgou recurso de um processo que foi rejeitado por unanimidade pelo TRE-PB.

Segundo uma fonte, até fogos e comes e bebes para durar uma noite inteira de comemoração foram comprados, como se o desfecho do caso já fosse esperado. A Secom já tinha até preparado a matéria que faria circular, em ordem unida, pelos portais e blogs de sempre, anunciando o resultado da sessão e a inegebilidade de Ricardo Coutinho.

A noite prometia para João Azevedo e Nonato Bandeira.

Mas… O problema é que no Brasil pós-Lava Jato as coisas não mais tão simples como eram quando Sérgio Moro mandava nas instituições do país. Bastou que o advogado de Ricardo Coutinho, Fernando Neves, esclarecesse aos ministros os principais pontos do processo, para que o castelo de cartas da aliança Cássio-João Azeveto novamente desabasse.

Neves desmontou ponto por ponto os argumentos da acusação, sobretudo as razões pelas quais o governo à época (2014) foi obrigado a contratar de servidores, todos amparados pelas excessões da lei e por evidente interesse público, como fazer funcionar hospitais recém-inaugurados.

Tanto que após a exposição de Fernando Neves, um pedido de vistas foi solicitado e o relator pediu para ler seu voto em outra sessão, já prevendo uma forte polêmica. E o julgamento não continuará nas sessões que acontecerão essa semana, como foi anunciado pelo presidente da Corte,  Luís Roberto Barroso, já que a pauta das sessões de quinta e sexta já marcadas foram publicizadas. E só na sessão de sexta, 49 processos serão apreciados.

O toque de humor do jornalismo movido à fake news foi a pressa dos mesmos setores da nossa imprensa que, cheios tanto de ansiedade quanto de preguiça, cuidaram logo de anunciar que o julgamento continuaria na quinta. Na certa, não assistiram a sessão.

Ou seja, a indefinição sobre as alianças na eleição de João Pessoa vai durar um pouco mais.

Coragem, senhores, coragem. O mago vem aí.

João Azevedo pretendia fazer intervenção na Prefeitura de Bayeux para beneficiar aliados?

O povo de vários e estratégicos municípios paraibanos foi às urnas escolher seus prefeitos em 2016, mas logo em seguida assistiu, bestializado pelo ambiente teatral, quase circense do tal “combate à corrupção”, sua vontade “soberana” ser substituído pela vontade quase ditatorial de alguns promotores e juízes.

Ações do Ministério Público Estadual, acompanhadas de decisões da Justiça que as corroboram, anularam a vontade popular expressa nas urnas quatro anos atrás e retiraram do cargo prefeitos legitimamente eleitos, e os substituíram dos seus gabinetes por vereadores, normalmente sem expressão política e eleitoral, que logo aderiram à nova ordem.

Não foi só isso. Não me consta que a vida política e administrativa desses municípios tenha melhorado. Pelo contrário, a regra geral após essas intervenções do Judiciário foi o caos administrativo nos municípios de Cabedelo, Bayeux e Patos – Santa Rita foi o laboratório dessa desastrosa experiência, tendo vivido seus anos de caos entre 2012 e 2016.

Agora, é a vez de João Azevedo, que pretende dar o golpe em Bayeux para manter seu grupo no poder a todo custo

Bayeux teve quatro prefeito nós últimos três anos e meio depois que Berg Lima (Podemos) foi afastado do cargo após ser divulgado um vídeo em que aparentemente recebe propina de um empresário para liberar pagamentos.

O vice-prefeito, Luiz Antônio (PSDB e ligadíssimo ao deputado federal Ruy Carneiro), assumiu o cargo, mas, em seguida, outro vídeo gravado por outro empresário, revelou que ele estava por trás das ações que levaram Berg Lima à prisão (veja aqui)

Luiz Antônio foi cassado pela Câmara de Vereadores. Em seu lugar, assumiu o então presidente do Poder Legislativo municipal, Nôquinha (PSL). Como o mandato de Nôquinha se encerrou em dezembro de 2018, o novo presidente da Câmara, eleito para o biênio 2019-2020 assumiu a prefeitura. E ficaria no cargo até o fim do mandato, que pertencia por direito a Berg Lima, caso este não tivesse conseguido uma decisão no STJ que o tirou da prisão – Lima ficou preso “cautelarmente” por meses.

Jefferson Kita (Cidadania), presidente da Câmara de Vereadores de Bayeux, viu, a exemplo do que acontece em Cabedelo e Patos, uma oportunidade para assumir a cadeira de prefeito e tentar a sorte nas urnas nessa condição. Primeiro, tentou cassar o mandato de Berg Lima e foi derrotado. Até o TJPB intervir novamente na prefeitura de Bayeux e afastar Berg Lima, isso há poucos meses da eleição.

Berg Lima então renunciou para provocar a eleição do novo prefeito pelo plenário da Câmara, como determinam uma ampla jurisprudência nas Cortes Superiores, mas também a Lei Orgânica do município:

Bem como o Regimento Interno da Câmara;

Como Jefferson Kita não tem voto nem para se eleger indiretamente Prefeito de Bayeux, resolveu apelar para a Justiça para se manter no cargo a todo custo. E conseguiu estranhas decisões que suspenderam a eleição. Isso até o último fim de semana, quando uma decisão do juiz Francisco Antunes Batista determinou a realização imediata da eleição pelo plenário da Câmara de Bayeux.

Restou a Jeferson Kita apelar para que o aliado João Azevedo determine uma intervenção em Bayeux. Kita foi um dos primeiros a anunciar apoio a João Azevedo quando o governador anunciou sua saída do PSB e filiação ao Cidadania.

Depois de dias de especulação, sobretudo levando em conta o vale-tudo em que se transformou a política na Paraíba, eu não duvidava da possibilidade de que João Azevedo anunciasse a intervenção em Bayeux para assegurar que um aliado concorra no cargo à prefeitura.

Quem ganhou o cargo de governador da Paraíba sem muito esforço, e traiu logo em seguida o principal responsável por sua eleição, isso para se aliar a ex-adversários, já demonstrou o quanto são rasos alguns dos seus valores, sobretudo aqueles relacionados à lealdade e ao respeito à vontade popular.

Enquanto terminava esse texto, li que o governador finalmente anunciou que não pretende intervir na Prefeitura de Bayeux. Se a imprensa, mesmo a aliada, deseja saber, é que essa hipótese, sempre ventilada, ainda estava em consideração. Certamente, João Azevedo levou em conta o desgaste que ato tão autoritário provocaria na sua uma imagem de traidor já consolidada em todo estado.

UM PÉSSIMO EXEMPLO: Sem máscara, Cícero Lucena faz campanha no Mercado da Torre

Cícero Lucena tem 63 anos de idade, portanto, pertence ao grupo de risco caso seja infectado pelo coronavírus.

Os infectologistas recomendam, sobretudo para pessoas na faixa de idade do ex-tucano, hoje no Progressistas, o partido fundado por Paulo Maluf que, na Paraíba, é comandado por Aguinaldo Ribeiro, permaneçam em casa para evitar serem infectados e desenvolverem os sintomas mais graves da Covid-19.

Em plena campanha antecipada, Cícero Lucena foi visto e fotografado hoje, cercado de assessores, no Mercado da Torre. E, mais grave ainda, sem máscara.

Talvez tenha sido esse o motivo pelo qual Cícero Lucena estava rodeado por cinco gatos pingados.

Convenhamos, para alguém que quer ser prefeito de João Pessoa, a atitude de Cícero não é apenas uma demonstração de descuido com a própria saúde. É, também, e isso é o mais grave, de um estímulo, através do exemplo, ao desrespeito às recomendações mais básicas das autoridades sanitárias, isso quando o país acabou de ultrapassae a macabra linha dos 100 mil mortos, 2.138 só na Paraíba. Só ontem, foram confirmados 928 casos de Covid-19, o que demonstra que a curva do contágio continua em alta.

Do G1

Se há alguma coisa de positivo nesse episódio é que ele mostra por si só o tipo de político que é Cícero Lucena e o quanto o povo de João Pessoa precisa da volta de Ricardo Coutinho à prefeitura.