Como João Azevedo cavou sua própria cova (Introdução)

O deputado federal, Aguinaldo Ribeiro, concedeu ontem uma longa entrevista ao programa Correio Debate, da 98 FM. O tema principal da entrevista, claro, foi, ao invés do anúncio da candidatura ao Senado, como se esperava, a declaração de que ele pretende se reeleger novamente à Câmara Federal. 

Como a montanha acabou por parir um rato, a festa, que contou com o uso da máquina do estado, como disse o entrevistador do Correio Debate, Victor Paiva, acabou por se converter em um dos maiores atos de humilhação à maior autoridade administrativa do estado, sem falar no grupo político do governador e na imprensa que foram ao local acompanhar o esperado anúncio. Nas palavras do outro apresentador do Correio Debate, Lázaro Farias, Aguinaldo Ribeiro fez todo mundo de bobo na última quarta-feira, que Aguinaldo Ribeiro chamou de quarta-feira fogo, o maior evento do pré-carnaval de João Pessoa. Ato falho? Veja:

Não foi só isso, Lázaro. Aguinaldo ainda bateu na mesa e exigiu a posição de vice-governador na chapa de João Azevedo, para a qual ele deve indicar, se essa aliança prosperar mesmo, um quadro do segundo escalão do Progressistas. O governador, como sempre, balançou sua cabeça de prisioneiro para Aguinaldo. Ao exigir e obter a vice, Ribeiro fechou a porta na cara de Hugo Motta, Adriano Galdino e os Republicanos, já que eles desejavam a vaga que agora está reservada para nomeação dos Ribeiro. Hugo Motta e os seus responderam ontem mesmo à provocação de Aguinaldo, encostando a faca no outro lado do pescoço do governador, mas esse é um assunto para daqui a pouco.

Na entrevista ao Correio Debate, Aguinaldo revelou como João Azevedo começou a cavar a própria cova política. Ele começou pela eleição de 2020, mas essa história começa mesmo em 2018.

Daqui a pouco eu volto para contar essa história.

Na falta do que fazer, repórter paraibano enxerga esforço para “barrar” um Lula imaginário em Natal

A situação deve ser mesmo de tensão pelas bandas da Secom estadual.

Preste atenção nas fotos abaixo. Elas foram tiradas pelo repórter Maurílio Júnior, um dos tantos bolsonaristas da nossa imprensa.

O rapaz foi escalado para ir a Natal acompanhar João Azevedo e, como mostram as fotos, espionar Veneziano Vital e Amanda Rodrigues, que, juntos com o ex-governador Ricardo Coutinho, foram a à capital do Rio Grande do Norte, a convite do ex-presidente de Lula, para acompanhá-lo nas visitas que fez no dia de hoje em Natal. E, para desespero de gente como Maurílio Júnior, para uma reunião a portas fechadas com Veneziano e Ricardo Coutinho, os candidatos de Lula na Paraíba.

Preste atenção de novo nas fotos. Agora responda: é possível concluir que Veneziano e Amanda estavam, como disse o repórter, fazendo “barreira” para “tentar barrar o encontro de Lula com João”.

Só pode ser muita falta de assunto ou ânsia de mostrar serviço do rapaz, já que o que restou para ser fotografado foi esse encontro de João Azevedo com Lula, nos corredores de um feira de agricultura familiar, e um aperto de mãos no almoço com os governadores do Consórcio Nordeste.

E eu pensando que já tinha visto de tudo na imprensa paraibana.

Agora me ocorre o seguinte: será que o Lula visto por Maurílio Júnior, o que não aparece nem atrás de Veneziano nem de Amanda, não foi um Lula imaginário, o mesmo que ele enxerga nos sonhos, ao lado de Nonato Bandeira, apoiando “João”?

Ou gravando um vídeo como o que Lula gravou ao lado de Veneziano Vital e Ricardo Coutinho? O Lula que aparece no vídeo é de carne e osso.

EM NATAL, Lula diz que quer ajudar o povo paraibano a eleger Veneziano governador e Ricardo senador

Veneziano Vital e Ricardo Coutinho tiveram uma longa conversa a portas fechadas com Lula no apartamento do hotel onde o ex-presidente está hospedado, em Natal. Os três conversaram sobre o andamento da campanha na Paraíba e combinaram um lançamento conjunto público das candidaturas com data ainda a ser marcada e do qual Lula se comprometeu em participar.

Ao final da conversa, Lula fez questão de gravar um vídeo em que trata Ricardo como “futuro senador” e Veneziano como “futuro governador”.

“Todos vocês sabem que o PT está apoiando a candidatura de Veneziano; todos vocês sabem que estamos apoiando a candidatura do companheiro Ricardo Coutinho. E eu estou só esperando o dia em que Veneziano e Ricardo Coutinho vão fazer o lançamento público da campanha deles para mim poder comparecer e ajudar o povo paraibano a eleger Veneziano governador e Ricardo Coutinho senador

Veja:

Após a conversa no hotel, Veneziano Vital e Ricardo Coutinho se integraram novamente à comitiva de Lula para irem ao ato político programado para o estádio de futebol Arena das Dunas.

Lula participou, a convite da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, da reunião com os governadores do Consórcio Nordeste, na qual teve um rápido e protocolar encontro com João Azevedo.

Da reunião do Consórcio Nordeste, Lula fo à Feira Nordestina de Agricultura Familiar. Veneziano e Ricardo Coutinho acompanharam o ex-presidente.

CONVERSA A TRÊS: Lula convidou Veneziano e Ricardo para participarem de agenda em Natal

O candidato do PT à Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, passará o dia de hoje em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde participará de uma extensa agenda. Na companhia de Rosângela Silva (Janja), Lula terá um encontro do as bordadeiras de Timbaúba dos Batistas – foram elas que fizeram o vestido de noiva e as lembrancinhas do casamento dos dois. Depois, Lula participará de um encontro com os governadores do Nordeste, igual a outros encontros que já ocorrerem antes.

Na agenda de Lula consta uma reunião a portas fechadas com os candidatos a governador da Paraíba, Veneziano Vital, e a senador, Ricardo Coutinho, ambos pela coligação MDB-PT. Como não consta na agenda do líder nas pesquisas para presidente nenhuma conversa privada com João Azevedo, o convite de Lula para Veneziano e Ricardo irem juntos a Natal para terem essa conversa, temos aqui mais uma demonstração de apoio de Lula aos dois, entre tantas já feitas desde que o senador emedebista resolveu lançar sua candidatura a governador. Ricardo Coutinho é candidato a senador a pedido de Lula.

Lula visitará ainda a 1ª Feira Nordestina de Agricultura Familiar, que acontece no Centro de Convenções de Natal. No final da tarde, Lula terá um encontro com apoiadores, que acontecerá no estádio de futebol Arena das Dunas. O encontro promete reunir dezenas de milhares de pessoas.

Veneziano Vital e Ricardo Coutinho acompanharão Lula nesse percurso por Natal. O candidato a governador detalhou, em vídeo postado em saúde redes sociais, agenda política com Lula em Natal.

João Azevedo, o governador que ninguém quer e respeita

Tudo aconteceu numa casa de recepções de João Pessoa, dessas onde são feitas grandes eventos. O lugar estava pronto, iluminado e colorido, não para uma festa de casamento ou aniversário, mas para o ato que deveria marcar, como era a expectativa da imprensa, dos apoiadores e do governador João Azevedo, o início da campanha para o senado de Aguinaldo Ribeiro. Afinal, eram meses de espera e todo mundo já estava se saco cheio daquele lenga-lenga, daquele vai-não-vai.

Um telão com as imagens dos de Aguinaldinho e João Azevedo dominava o ambiente, atrás de uma mesa onde sentariam os principais convidados para o ato político e onde certamente discursariam os futuros candidatos.

O público, vindo de vários lugares e cidades próximas, começava a encher a casa de recepções. A prefeita de Bayeux entrou conduzindo uma pequena multidão de barulhentos cabos eleitorais, todos devidamente paramentados com uma camisa onde se lia no peito “Aguinaldo, meu senador”. Tudo estava como no script elaborado por Cícero Lucena, Nonato Bandeira e Ronaldo Guerra.

De repente, um grupo vindo de fora, mais precisamente da Granja Santana, irrompe no espaçoso salão, sob os aplausos das dezenas de anônimos, parte deles donos de cargos comissionados, que até então perambulavam pelo lugar para serem percebidos pelos olhares vigilantes dos chefes.

A expressão do governador, logo se percebeu, não parecia nem de longe alegre, como a situação exigia, afinal aquele era um momento longamente esperado. “Deve ser o cansaço, um homem sempre tão alegre”, prensou um assessor. Um bayeense trazido pela prefeita e nomeado para a tarefa, correu para colocar Aguinaldo nos ombros, mas foi detido a tempo. “Não precisa, não precisa, ele engordou uns quilos nos últimos meses”, teria dito um assessor parlamentar doido para “trabalhar” no Senado. Aguinaldo continuava com a mesma expressão gelada de sempre, a calvície avançada, o nariz protuberante, a pele lisinha, quase rosa, de quem, faz tempo, não via o sol.

Todos sentam à mesa. A falta de empolgação já era notável, impossível de disfarçar com sorrisos, porque sorrisos era tudo que não passava por aqueles rostos, sobretudo o de Cícero Lucena e Messinho, ambos com cara de enterro. “Deve ser o cansaço”, pensou um secretário da prefeitura de João Pessoa gordinho, que vive pulando de barco em barco. “Esse governador não ri nem nessas horas?”, pensou outro cabo eleitoral que não sabia direito o motivo para estar ali, àquela hora, próximo do almoço.

Chegou o momento da fala tão esperada, a fala de Aguinaldo, a fala que daria finalmente o veredito para o início da campanha, que Cícero Lucena tão ansiosamente apregoara como certa, e enterraria de vez as especulações sobre a disposição de Aguinaldo ser ou não candidato – as más línguas não cansavam de repetir que o que Aguinaldo tinha mesmo era medo de enfrentar Ricardo Coutinho.

Sob aplausos, enfim Aguinaldo se levantou, pegou o microfone. Ele diz: “bom dia” para a plateia. Alguém responde, empolgado, alto, voz de animador de comício:

– Bom dia, Senador!

Aguinaldo deu um sorriso amarelo. Fez os agradecimentos de praxe, disse que conversou com Deus naquela manhã, e, depois de muito suspense, de muita enrolação, acabou anunciando a seguinte decisão:

Notaram a expressão de desalento de Cícero? A prefeita de Bayeux ficou tão desorientada que sequer bateu palma e deve ser pensado: “E agora?” A tristeza de João Azevedo nem saiu na foto.

Agora, me respondam: por que o governador João Azevedo aceitou participar dessa pantomima, que só fez diminuí-lo a um tamanho menor do que o que ele ostentava até a manhã de ontem? O pior é que o João Azevedo já sabia da decisão que seria anunciada, pois, como Aguinaldo Ribeiro fez questão de revelar em entrevistas logo depois do anúncio, ambos se reuniram antes na residência do governador.

Não sei se foi intencional, mas o que Aguinaldo Ribeiro obrigou o governador a fazer foi participar de um ato público de humilhação, já que, considerando a decisão anunciada, o único que tinha a obrigação de lá estar era o deputado federal do Progressistas. João Azevedo foi à casa de festas para uma festa política e participou de um enterro, não só da candidatura a senador de Aguinaldo Ribeiro, mas com a alma da sua reeleição encomendada. E, mesmo assim, aceitou participar da pantomima.

Se a Paraíba tivesse um governador com autoridade política, preocupado em preservar a dignidade do cargo que ocupa, cioso com a imagem de sua própria liderança, teria se recusado a ir ao ato de ontem. Mas, o governador que temos é João Azevedo, um governador reconhecidamente sem liderança política, sem autoridade, sem amor-próprio, sem coragem, enfim. E lá estava ele, inerte, aceitando ser o joguete nas mãos das velhas raposas políticas.

Enfim, a única coisa que Aguinaldo Ribeiro fez questão de deixar claro foi que João Azevedo é um comandante que nada comanda, um governador que, há quatro meses de uma eleição, não conhece sequer seus companheiros de chapa e, pelo jeito, vai continuar assim por mais tempo, sem ter a menor ideia de quem será seu vice nem muito menos seu candidato a senador.

Nas mãos de Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena, João Azevedo se transformou em um peão no tabuleiro dos dois, que será útil até quando não prejudicar seus objetivos eleitorais.

A candidatura de João Azevedo morreu ontem. Será que ele percebeu?

DUPLO XEQUE-MATE: Aguinaldo Ribeiro diz não a João Azevedo e fecha as portas para o Republicanos

No final de maio, João Azevedo convidou formalmente o deputado federal Aguinaldo Ribeiro para ser candidato a senador em sua chapa de reeleição. Quando o governador resolveu fazer o convite sem ter a certeza de que seria aceito, correu o risco de ser desmoralizado com um não. Nonato Bandeira e Ronaldo Guerra – nesse caso, provavelmente com a participação também de Cícero Lucena – responderão por mais esse erro estratégico?

O governador esperou por 15 dias pela resposta de Aguinaldo Ribeiro, como sempre, inerte, escutando as balas trocadas entre membros do seu grupo político zunirem acima de sua cabeça. Na resposta anunciada pelo próprio Aguinaldo Ribeiro no final da manhã desta quarta-feira (15), o governador teve de ouvir não apenas um rotundo “não”, mas também escutar o som estridente de uma porta se fechando para um dos seus aliados mais cobiçados: além de anunciar a decisão de que não será candidato a Senador e, sim, à reeleição, Aguinaldo Ribeiro anunciou também que a pretensão do seu partido é indicar um nome para a vaga de vice-governador.

Com o não a João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro dá um duplo xeque-mate: no governador e nas pretensões do Republicanos. Com a desistência de Aguinaldo, João Azevedo continuará padecendo sem ter um candidato a Senador para chamar de seu. Agora, com um problema adicional: não ter como acomodar o Republicanos em sua chapa, já que o partido presidido por Hugo Motta na Paraíba reivindicava a vaga de vice-governador. E já disse que não aceita indicar a vaga de Senador que resta.

João Azevedo está nu e Cícero Lucena, um dos fiadores dessa estratégia, não tem muito o que comemorar, já que uma parte do espólio de prefeitos que Aguinaldo Ribeiro seria obrigado a distribuir, iria para Messinho Lucena, filho do prefeito de João Pessoa, não vai mais. Messinho é outro que perde.

Com o fim do mistério sobre a candidatura de Aguinaldo Ribeiro, a política paraibana tem agora dois mistérios a serem resolvidos: o primeiro deles é sobre o caminho que o Republicanos vai seguir, depois que viu a porta ser fechada para suas pretensões por Aguinaldo Ribeiro, com o apoio de um governador desmoralizado e totalmente capturado pelo Progressistas.

O segundo, é sobre quem será o candidato a Senador na chapa de João Azevedo. Ou melhor, sobre quem terá coragem de enfrentar Ricardo Coutinho nas urnas?

APOIO ENVERGONHADO? Presidente da Funesc pede voto para João Azevedo e Lula, mas esquece de Aguinaldo Ribeiro

Aguinaldo Ribeiro que se cuide, porque não só os Republicanos mostram resistência para assumir a candidatura a senador do deputado federal do Progressistas, um dos líderes do Centrão no Congresso. O próprio partido de João Azevedo (ex-Cidadania, hoje PSB) não parece muito empolgado em apoiar a candidatura de Ribeiro.

Prestem atenção na imagem acima. Trata-se de um print de uma postagem no Instagram de Pedro Santos, presidente da Funesc. A foto, que bem poderia ser confundida com uma reunião de governo, é, na verdade, o registro de reunião do diretório municipal do PSB, realizada ontem à noite, convocada, na certa, para debater o lançamento da candidatura ao Senado de Aguinaldo Ribeiro, que deve acontecer no final da manhã de hoje em João Pessoa. Aguinaldo será o companheiro de chapa de João Azevedo.

Na legenda da foto, Pedro Santos menciona o objetivo do encontro: “contribuir com os caminhos que reconduzirão João Azevedo ao governo da Paraíba e Lula ao governo do Brasil.” Por que o nome de Aguinaldo Ribeiro foi omitido?

Qual a razão para o presidente da Funesc ter “esquecido” de incluir o nome de Aguinaldo Ribeiro entre os que contarão com a contribuição do grupo para sua eleição? Vergonha? Constrangimento de assumir publicamente o apoio a um candidato cuja trajetória no Congresso envergonharia qualquer militante que se diz de “esquerda”, “socialista”?

Aliás, tanto Aguinaldo Ribeiro como Efraim Filho (os dois candidatos que disputaram o apoio de João Azevedo) têm suas atuações parlamentares identificadas com pautas reacionárias e neoliberais (apoio às privatizações, às reformas trabalhista e previdenciária, só para citar debates recentes no parlamento nacional que contaram com o apoio dos dois). O que ajuda a revelar quem é, na verdade, João Azevedo. Vale a pena lembrar aqui: o partido de Aguinaldo Ribeiro, o Progressistas, é presidido por Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, o homem que comanda o orçamento secreto.

Não que essa turma da foto, todos bem aquinhoados com cargos no atual governo, leve em conta algum pudor político – a maioria dos que compõe a foto, por exemplo, não pestanejou em acompanhar João Azevedo quando o governador resolveu se filiar ao direitista Cidadania, que tem um programa neoliberal e uma atuação no Congresso muito semelhante ao Progressistas de Aguinaldo Ribeiro. Foi um constrangimento, eu sei, mas nada que uma promessa de permanência no cargo que ocupam não amenizasse o sofrimento causado pela mudança repentina de trajetória, para alguns, de uma vida inteira.

A questão é outra: essa turma adora cultivar publicamente o charme classe média de progressista, de “esquerda”, mesmo que, como diria Cazuza, suas ideias hoje não correspondam mais aos fatos. São o retrato muito bem acabado do que se tornou parte da nossa esquerda. Por isso, o apoio de João Azevedo a Lula para essa turma é uma verdadeira “mão na roda”.

Mas, pelo visto, o apoio a Aguinaldo Ribeiro, não.

Mais um furo na barca de Aguinaldo Ribeiro que faz a água jorrar por todos os lados e a indicar que a candidatura ao Senado e uma profecia auto-realizável de derrota.

Para Adriano Galdino, Aguinaldo Ribeiro não é confiável

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, não apenas colocou em dúvida a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ao Senado, como o comprometimento da família Ribeiro com o projeto de reeleição do governador João Azevedo. As declarações foram dadas hoje ao programa Rádio Verdade, da rádio Arapuã.

Na entrevista, Galdino insinuou que Aguinaldo Ribeiro é um estranho no ninho, um aderente que resolveu apoiar o governo apenas depois da eleição, já que a família Ribeiro lançou Aguinaldo e Daniella Ribeiro candidatos pela chapa de oposição, em 2018.

Segundo Galdino, Efraim Filho foi escolhido candidato do Republicanos por dois motivos. O primeiro, em razão da não formalização da pretensão de Aguinaldo Ribeiro disputar a única vaga para o Senado, o que pode (pode) acontecer amanhã (15/06). Sem essa formalização, o partido buscou um candidato no grupo político que apoiou João Azevedo, em 2018, e Efraim Filho tinha as credenciais para receber esse apoio, já que é um apoiador de João Azevedo de primeira hora.

O presidente da Assembleia deixou em dúvida até mesmo o comprometimento dos Ribeiro com a reeleição de João Azevedo:

“Eu ainda não vi uma declaração de Aguinaldo de que está com João durante esse processo todinho. Eu não vi uma declaração da senadora Daniella de que está com João. Não vi de Lucas [Ribeiro] nem de Enivaldo [Ribeiro]”,

Ao contrário do Republicanos, que “em todos os momentos, em todas as entrevistas, todos os seus membros sempre deram declarações de apoio incondicional ao governador João Azevêdo”.

Aliás, Adriano Galdino poderia ter lembrado as declarações críticas a João Azevedo, tanto de Enivaldo Ribeiro (leia aqui) quanto da própria Daniella Ribeiro – esta sempre fez questão de se colocar no campo da oposição (leia aqui).

Enfim, vai ficando cada vez mais evidente para o eleitorado que a chapa governista é um arranjo cheio de contradições, algumas parecendo ser cada vez mais insuperáveis. Um balaio de gatos cheios de desconfianças mútuas. Se é verdade que a decisão do Republicanos de apoiar Efraim Filho para o Senado, que está na chapa do oposicionista Pedro Cunha Lima, é uma incongruência, também é impossível desconhecer que o gigantesco espaço concedido por João Azevedo ao recém-chegado Progressistas, um partido que jamais fez um defesa explícita do governo, é inexplicável, a não ser por conta de acordos que não podem aparecer à luz do dia. Trata-se de um prêmio aos aderentes – e aderir é algo que a família Ribeiro sabe fazer muito bem (com uma boa “conversa”, claro). E também uma traição aos que ajudaram a eleger João Azevedo.

Por isso, João Azevedo que se cuide, pois o histórico de mudanças de palanque de Aguinaldo Ribeiro é conhecido. Vide o que aconteceu em 2010, quando ele chegou a assinar a ata da convenção em apoio a Ricardo Coutinho, e, dois dias depois, apareceu na convenção do PMDB para, sem pudor algum, anunciar apoio à reeleição de José Maranhão.

PB-051: Usuários começam a denunciar o estado lastimável em que se encontram as rodovias estaduais

Quem usar a PB-051 que liga os municípios de Mari a Caldas Brandão vai ter de enfrentar uma dura travessia e, sobretudo, ter muita paciência e dirigir com cuidado para evitar danos no automóvel. Veja acima.

A PB-51 foi pavimentada em 2012 pelo programa Caminhos da Paraíba, criado pelo então governador Ricardo Coutinho. Ao longo dos oito anos em que RC governou a Paraíba, todos os municípios saíram do isolamento em que se encontravam por conta das dificuldades de acesso e integrados por estradas asfaltadas às principais vias que cortam o estado.

Seguindo o exemplo dos estudantes, que nas últimas semanas denunciaram o estado lastimável em que muitas escolas estaduais se encontram devido à falta de manutenção e melhorias durante a pandemia, usuários das rodovias que cortam a Paraíba começam a fazer o mesmo nas redes sociais. Eles denunciam a situação das maior parte das estradas da Paraíba.

Não se surpreendam. Tem muitas outras em situação muito pior que a PB-051.

Em 2020, Enivaldo pedia que João Azevedo olhasse mais para Campina Grande e criticava o abandono de obras na cidade

Na entrevista que Enivaldo Ribeiro concedeu, ontem, a Bruno Pereira e Fernando Braz, da rádio Arapuã, em que desanca os Republicanos tratando-o como partido de negociantes (veja aqui), o ex-deputado elogiou o trabalho que a administração de João Azevedo em Campina.

Segundo Enivaldo, João Azevedo “está fazendo muito por Campina Grande, eu observo isso porque eu gosto de andar em Campina Grande para ver o que está sendo feito, e realmente ele tem feito muita coisa, só não está sendo divulgado. Eu saio divulgando o que está sendo feito, a avenida da Alça Leste… feita com o dinheiro que Aguinaldinho deu, e ele [Bruno Cunha Lima] está votando noutro”.

Notem dois detalhes na fala de Ribeiro: primeiro, quando resolveu listar obras do governo estadual na Rainha da Borborema, a primeira que citou foi uma obra da Prefeitura de Campina Grande, o que é muito sintomático; segundo, Enivaldo considera que o recurso público destinado pelo filho através de emendas parlamentares para financiar obras públicas, pertence a Aguinaldo, o que, segundo ele deixa transparecer, criaria uma obrigação de apoio eleitoral por parte do prefeito – Veneziano Vital, por exemplo, destinou recursos para todas as prefeituras paraibanas, e o senador não sai a cobrar apoio à sua candidatura a governador de prefeitos beneficiados em razão disso.

De todo modo, a opinião de Enivaldo Ribeiro mudou muito de dois anos para cá. Em entrevista concedida ao radialista Milton Figueiredo, da Arapuã de Campina Grande, Enivaldo tinha outra opinião sobre o desempenho do governo João Azevedo na sua “amada” Campina Grande.

Há dois anos, Enivaldo pedia ao governador que “olhasse para Campina Grande”. Mesmo lembrando que no governo tinha “gente de Campina Grande no governo”, Ribeiro achava que essas pessoas “olhavam mais para eles mesmos” do que para a cidade. E voltou a falar de suas andanças pela cidade, de novo de obras da administração de Romero Rodrigues e também constatar que as obras iniciadas por Ricardo Coutinho haviam sido abandonadas por João Azevedo

Eu tive andando aqui por Campina Grande, ontem dei uma volta de carro pelas avenidas que Romero está fazendo, pelo que Ricardo Coutinho fez em Campina. Aquele negócio do Bodocongó [Parque Bodocongó] está totalmente abandonado, porque eu passei lá e vi. Quer dizer, o camarada começa a fazer um trabalho, que, inclusive, Aguinaldinho botou R$ 20 milhões para aquela obra”

Ontem, Enivaldo cobrou do Republicanos coerência e criticou o partido de Hugo Motta e Adriano Galdino, sugerindo que o apoio a João Azevedo e a Efraim Filho era resultado de “negociatas”. Pois bem, Enivaldo sempre gosta de repetir que em política é conversando que se chega a entendimentos. Em 2020, ele e sua família estavam na oposição, hoje estão no governo. Vai ver que essa mudança foi resultado de muita conversas com João Azevedo, conversas que o fizeram mudar de opinião sobre o governo e sobre o governador.

Quem sabe, Enivaldo não tem outra opinião na próxima semana?

Enivaldo Ribeiro diz que o Republicanos faz “negociata”, que “não têm palavra” e recomenda a Aguinaldo ter “cuidado com esse povo”

Enivaldo Ribeiro deveria conceder mais entrevistas, sobretudo em momentos de indefinição envolvendo o seu grupo político, como impasse que envolve atualmente João Azevedo, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, filho de Enivaldo, e os Republicanos, que ameaça deixar a chapa de reeleição do governador sem candidato a Senador.

Em entrevista concedida aos radialistas Bruno Pereira e Fernando Braz, da rádio da Arapuã, o patriarca da família Ribeiro se mostrou irritado com a posição dos Republicanos ao ponto de dizer que não gostaria de sequer mencionar o nome do partido, presidido na Paraíba pelo deputado federal, Hugo Motta.

A respeito da decisão que o filho Aguinaldo Ribeiro deverá anunciar na próxima quarta-feira, Enivaldo disse que era necessária muita ponderação por parte do filho:

“Acho que tem de ser uma coisa mais concreta, para poder o cara não entrar numa fria. Você [Aguinaldo] tem uma eleição mais ou menos tranquila para deputado federal, aí ele vai para Senador, e gente do próprio Republicanos, que tinha de ficar com o governador, tem alguns [Adriano Galdino, Hugo Motta, entre outros] que vão votar no candidato Efraim, que é contra o governador. Como é que você pode justificar isso? Efraim não está votando no governador, está votando em Pedro Cunha Lima.

Para Enivaldo Ribeiro, é injustificável políticos demonstrare coerência em seus apoios e votarem em candidatos de chapas diferentes: “Que negócio esculhambado da porra!”, esbravejou, rindo, o ex-deputado, emendando em seguida que jamais viu uma situação como essas em sua longa vida política. Em seguida, fez uma grave acusação contra o partido do qual exige apoio para a candidatura do filho ao Senado:

Vou te dizer uma coisa: [o Republicanos] não tem palavra, fica fazendo negociata, negociando por debaixo do pano sei lá como. Aguinaldo tem de ter é cuidado com esse povo, os que estão fazendo esse tipo de política”.

As palavras de um político experiente como Enivaldo Ribeiro, pai de Aguinaldo Ribeiro, o principal protagonista de uma crise que se prolonga há meses, sem nenhum sinal de que possa rumar para uma solução amigável, representarão uma ruptura definitiva com os Republicanos, ou Hugo Motta e Cia vão dar razão a Enivaldo de que realmente o que fazem é “negociar” apoios eleitorais em troca sabe-se lá de quê?

Convenhamos, dizer que jamais viu, traduzindo para outros termos, tanta promiscuidade política na Paraíba, que os políticos do Republicanos “não têm palavra”, além de recomendar ao filho “cuidado com esses povo”, não pode ser tratado como algo corriqueiro e banal na política paraibana, do contrário não haverá como não atribuir razão a Enivaldo Ribeiro.

Porque, se o Republicanos faz mesmo “negociata”, como acusa o patriarca da família Ribeiro, qualquer decisão a partir de agora que altere o rumo do que já foi anunciado publicamente – o apoio do partido à candidatura a senador de Efraim Filho – será entendido de que maneira?

Abaixo, o trecho da entrevista de Enivaldo Ribeiro à rádio Arapuã.

Pedido de Bolsonaro para que Joe Biden interfira na eleição brasileira é crime contra o Estado

Muito grave a revelação da Blomberg segunda a qual Jair Bolsonaro pediu ajuda a Joe Biden, presidente dos EUA, para sua candidatura à reeleição. O pedido aconteceu durante uma reunião fechada na última quinta-feira durante a Cúpula das Américas, que aconteceu em Los Angeles. 

Segundo a Bloomberg, assessores de Biden também relataram que Bolsonaro apontou Lula como um perigo aos interesses dos EUA, como se Biden, que dispõe dos serviços de informação da CIA e de suas próprias embaixadas, precisasse de alguma informação desse tipo. O governo de Jair Bolsonaro foi um dos últimos a reconhecer a vitória de Joe Biden em razão de seu apoio declarado ao ex-presidente Donald Trump. Segundo a Bloomberg, Biden mudou de assunto.

Com essa atitude, Jair Bolsonaro afronta a lei n° 1.892, de 1953, que tipifica “crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social”. Segundo essa lei, em seu artigo 2°, inciso III, é crime com pena de reclusão de 15 a 30 anos “mudar a ordem política ou social estabelecida na Constituição, mediante ajuda ou subsídio de Estado estrangeiro ou de organização estrangeira ou de caráter internacional”.

Apesar da retórica de patriotismo de Jair Bolsonaro, é difícil identificar em nossa história um presidente que tenha tido um comportamento tão servil aos interesses dos Estados Unidos como Jair Bolsonaro, sobretudo em um ambiente de incertezas provocado pela perda progressiva da hegemonia americana, ameaçada pela China. Ao contrário do servilismo bolsonarista, o Brasil precisa de um presidente que reafirme nossa soberania e coloque em primeiro lugar os interesses brasileiros, sem nenhum alinhamento automático com qualquer país.

Esse servilismo já se demonstrava antes mesmo do ex-capitão assumir a Presidência. Em visita aos EUA durante a campanha de 2018, Jair Bolsonaro fez questão de acompanhar a execução do hino do país prestando continência. Segundo o “Regulamento de continências, signaes de respeito e honras militares”, de 1919, a “continencia parte sempre do menos graduado”, sendo, nesse contexto, um ato de vergonhosa subalternidade.

Já eleito, Bolsonaro repetiu o ato quando recebeu em sua residência John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos EUA. Novamente, tomou a iniciativa de prestar continência a um civil que representava o governo de outro país.

Deveria causar vergonha às Forças Armadas, que existem para defender nossa soberania, que o seu chefe supremo peça a um presidente de outro país que interfira em questões internas que dizem respeito apenas aos brasileiros. Mas, antes de tudo, esse ato de traição deveria causar repulsa àqueles eleitores de Jair Bolsonaro que vivem se afirmando “patriotas”. Isso só demonstra que, até nesse caso, essas pessoas não têm nenhuma noção do que seja patriotismo.

VAI DESEMBARCAR? Aguinaldo Ribeiro lembra que está na oposição desde 2009

Ainda não foi hoje, como setores da imprensa anteciparam, o anúncio da decisão sobre a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ao Senado. Pelo contrário. Quem escutou atentamente (escute o audio no fim do texto) a entrevista que o deputado federal do Progressistas concedeu à imprensa de Campina Grande, hoje, dia em que começa as festividades do São João na cidade, ficou com a impressão de animosidade no tom usado por Ribeiro para se referir às conversas e articulações.

Primeiro, ele disse que precisaria de mais tempo para escutar seus apoiadores para tomar uma decisão “não de uma pessoa, de uma candidatura projeto de Aguinaldo”. Não está embutido aí um recado para João Azevedo, um chamamento, já que Ribeiro tem reclamado muito da permivissidade com o que o governador lida com candidatos e partidos de sua base de apoio [o Republicanos, sejamos mais claros] e até deputados do partido do PSB, como é o caso de Ricardo Barbosa? Aguinaldo Ribeiro reclamou muito dos “conchavos”, da falta de coerência permeiam a base política de João Azevedo:

Eu sempre disse isso. Acho que a gente viveu praticamente um ano só de discussão de conchavo político, sicrano fechando com beltrano, é um candidato que [apoia um e] vota na chapa de outro. Aqui, de manhã o cara tá com um numa cidade, de outro tá com dois inimigos na outra cidade. Até para o povo entender isso é muito complicado.

Quem é o candidato a Senador da chapa da oposição que anda pelo estado postando registros de encontros em suas redes sociais com “aliados” do governador? Dias atrás, o deputado estadual Taciano Diniz, da base de apoio de João Azevedo na Assembleia, ameaçou abandonar Ricardo Barbosa caso ele deixasse de apoiar à candidatura de Efraim Filho ao Senado, isso depois de uma entrevista na qual o líder de João Azevedo na Assembleia deixou em aberto a possibilidade de pular de barco quando Aguinaldo Ribeiro anunciasse oficialmente a candidatura.

“Se ele quebrar o acordo de apoiar o deputado Efraim Filho na disputa pelo Senado Federal, vai perder também os apoios dos prefeitos de Itaporanga e Curral Velho”, disse Taciano Diniz.

Depois desse preâmbulo cheio de sutis lembranças à fraqueza com que João Azevedo conduz as articulações para a formação de sua chapa, na qual a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ganha cada vez mais importância estratégica em razão do exíguo tempo para substituí-la por outro candidato eleitoralmente viável, o deputado federal deu uma declaração que deve ter deixado o governador com um frio na espinha.

“Nosso grupo sempre teve lado, a gente está na oposição aqui no estado desde 2009. Então, nós temos posição, e essa posição tem sido a nossa marca, sempre que a gente se decide, se define e pronto.”

Nessa conjuntura recoberta de tensão na base política de João Azevedo, qual foi a intenção de Aguinaldo Ribeiro de lembrar que há 13 anos está na oposição aqui na Paraíba? Aliás, é bom lembrar, Daniella Ribeiro foi eleita senadora na chapa que concorreu em 2018 contra João Azevedo e nessa condição, sejamos justos, ela sempre se manteve. Em março, a senadora declarou, mesmo com o irmão Aguinaldo na posição de possível candidato a senador de João Azevedo, que permanecia onde sempre esteve, ou seja, na oposição: “Não sou e nunca fui da base aliada do governador”, disse ela.

Hoje, foi a primeira vez que Aguinaldo Ribeiro relembrou seu passado de oposição para responder sobre se será ou não candidato a senador na chapa de João Azevedo. Como ele disse, a decisão não está tomada, mas ele descobriu hoje algumas cartas sobre a mesa. A não ser que João Azevedo tente mostrar autoridade batendo na mesa para forçar o Republicanos [e Ricardo Barbosa] a recuarem do apoio a Efraim Filho, dificilmente Aguinaldo Ribeiro será candidato.

E esperar que um governador carente de liderança e autoridade como João Azevedo convença partidos e candidatos de sua base a apoiá-lo, é apenas um dos problemas, aliás, mais fácil, que Aguinaldo tem para resolver. O outro, como todo mundo sabe, tem nome e sobrenome: Ricardo Coutinho, e, nesse caso, tem que combinar é com o povo.

SÃO SEBASTIÃO DE LAGOA DE ROÇA: telhado da escola estadual está prestes a desabar

O blog recebeu o texto abaixo, acompanhado de imagens da Escola Estadual de Ensino Fundamental Elidio Sobreira, de São Sebastião de Lagoa de Roça. Como o autor, que preferiu não se identificar, denuncia, essas imagens evidenciam o “descaso do poder público com a educação de nossas crianças e adolescentes.” Mesmo depois de muita insistência, de solicitações formais, o governo do estado nada fez.

Bom dia. É com grande tristeza que envío essas imagens. Trata-se da Escola Estadual de Ensino Fundamental Elidio Sobreira, localizada no município de São Sebastião de Lagoa de Roça/PB. São imagens do descaso do poder público com a educação de nossas crianças e adolescentes. Mesmo após muitos caminhos burocráticos terem sido percorridos, NENHUMA preocupação por parte do governante foi indicada.

Realmente, o retrato do descaso.

No primeiro vídeo, alunos mostram a situação do telhado da escola, que está prestes a desabar. No segundo, o encanamento da cozinha está completamente entupido de gordura.

COMO PRESIDENTE DO CONGRESSO NACIONAL, Veneziano tem agenda com presidente da República em exercício, Rodrigo Pacheco, na Paraíba

A viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos para participar da reunião da Cúpula das Américas provocou mudanças no Senado.

Com o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, impedidos de assumirem o cargo para não ficarem inelegíveis (Mourão é candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul e Arthur Lira à reeleição por Alagoas), a oportunidade para assumir a Presidência ficou aberta para o presidente do Senado Rodrigo Pacheco.

Com isso, Veneziano Vital assumiu, ontem, à Presidência do Senado e é nessa condição que ele viaja nesse instante ao lado do presidente da República, em exercício, Rodrigo Pacheco, para a Paraíba. Os dois cumprirão juntos agenda administrativa em João Pessoa e Campina Grande.

Mais um tento para Veneziano, que mostra à Paraíba a relevância que adquiriu nos últimos anos como liderança política nacional, agora à frente de um dos poderes da República.

Veneziano gravou vídeo dentro do avião presidencial ao lado de Rodrigo Pacheco na viagem entre Brasília e Campina Grande.

Secretário da Educação de João Azevedo diz que auditoria do TCE nas escolas estaduais foi manipulada

O Secretário de Educação da Paraíba, Cláudio Furtado, disse, durante entrevista ao programa Correio Debate, que o Tribunal de Contas manipulou a amostragem da auditoria feita em escolas públicas da Paraíba sobre as condições da infraestrutura delas. Observem o que disse o secretário (confiram também no vídeo abaixo):

Olhe, é bom a gente dividir em duas coisas. O Tribunal fez uma auditoria em quase… em mais de 246 escolas, eu acho [foram em 278, secretário]. Só 94 são estaduais. Então se divulga às vezes números de percentuais onde você está misturando as duas redes. Então, assim, tem números ali que você coloca que tá as redes municipais embutidas. Quando você pega os números do próprio Tribunal e olha aqueles números no recorte da amostra que foi feita, não é aqueles números divulgados que aparecem nas manchetes. Nós questionamos a forma como foi feita. Você publiciza primeiro uma ação, certo… É… também questionamos a forma de amostra, porque a amostra você procurou as piores escolas, entendeu? para fazer isso. Mas, mesmo assim, se você olha a fundo o relatório, é… não tem esses números, que são mostrados, só alguns.

Visivelmente nervoso, Cláudio Furtado mostrou com essa declaração que não tem argumentos para refutar as conclusões do relatório da auditoria do TCE, que revela sem deixar, aí, sim, margem para dúvidas, a sua incompetência do secretário. Quando divulgamos aqui os resultados da auditoria segundo a qual, entre outras coisas, em 80 das 94 escolas estaduais fiscalizadas não houve nenhuma “reforma, recuperação e/ou pintura” chegamos, baseados na amostra, a um percentual de 86% das escolas estaduais nessa condição (veja o gráfico 1 abaixo). Esse percentual está errado, secretário? Por isso, ele preferiu colocar em xeque o trabalho dos 90 auditores e técnicos de controle externo do TCE que visitaram, em 80 municípios, 278 escolas estaduais e municipais, na última terça-feira (07/06), afirmando com todas as letras que essas eram “as piores escolas” e, em razão disso, foram priorizadas na amostra. Em outras palavras, Furtado disse que os auditores fraudaram o trabalho de pesquisa.

O entrevistador da Correio, Lázaro Farias, tentou confirmar o que acabara de dizer o secretário, sobre o Tribunal de Contas ter escolhido intencionalmente “as piores escolas” da Rede Estadual para fazer a auditoria e produzir um resultado negativo para o governo. “Foi isso que o senhor disse ou eu me enganei?”, perguntou Lázaro.

Cláudio Furtado tentou explicar como o método de fraude estastítica foi usado pelo TCE para produzir os resultado que ele tentava contestar. Sem apresentar provas, Furtado foi em frente: “Eu posso escolher aleatoriamente 94 das 640 escolas, ou eu posso escolher algum índice, baseado nos próprios índices que o tribunal tem, da escola, e averiguar.” Notem que Cláudio Furtado esclarece a reafirma a denúncia, dizendo que, como o TCE tem um banco de dados, sabe quais são “as piores escolas”.

O secretário também disse que o TCE deixou de divulgar números do relatório que favoreceriam o governo, mas voltou atrás e, em seguida, jogou a responsabilidade sobre a “imprensa”.

Por outro lado, ao dizer que o TCE visitou “só” 94 escolas, das 278 auditadas, Cláudio Furtado tentou confundir deliberadamente a população, como faz Jair Bolsonaro para colocar em dúvida as pesquisas eleitorais, quando a distribuição estatística de 2 ou 3 mil entrevistados oferecem uma ideia aproximada de suas escolhas eleitorais. Ora, secretário, o senhor sabe que a auditoria foi feita por amostragem e que as 94 escolas representam 15% do total de escolas da rede estadual, que são 640. E 15% é uma amostragem muito representativa.

Veja abaixo um mapa da distribuição pelo estado das escolas auditadas.

O secretário de educação chegou a mentir na entrevista ao dizer que, na divulgação dos resultados, foram misturadas às duas redes, com escolas das redes municipais embutidas na rede estadual. Mais uma vez, repito, isso é falso. Os gráficos abaixo foram extraídas do relatório “Auditoria Coordenada na Educação – Retorno às Aulas”, produzido pela equipe que coordenou o trabalho, e desmentem por si só o secretário.

Gráficos 1 e 2

Como dá para ver, os quadros detalham em colunas os números de cada rede, sendo que o gráfico 2 da direita separam por cor os percentuais de cada rede.

Abaixo, os áudios com os trechos da entrevista de Cláudio Furtado ao Correio Debate.

Em quase 1/4 das escolas estaduais da Paraíba não existem bibliotecas

Mesmo quem não é educador sabe o quanto a leitura é importante na formação intelectual e cultural de qualquer indivíduo. E quem é educador reconhece desde sempre que a leitura deve fazer parte da vida dos estudantes desde cedo.

Em um país em que comprar livros é um hábito limitado pela renda das famílias mais pobres, a existência de bibliotecas nas escolas públicas ganha relevância pedagógica adicional para suprir essa lacuna na formação dos alunos.

Pois bem, é de estarrecer o que constatou a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da Paraíba nas escolas públicas do estado. Em quase 1/4 (24%) das escolas estaduais simplesmente na não existem bibliotecas. E em 17% as bibliotecas existem, mas não estão em funcionamento.

Ou seja, o problema da educação pública na Paraíba vai muito além dos problemas advindos da ausência de reformas e manutenção das escolas, que tem motivado muitos protestos estudantis pelo estado. Biblioteca é um espaço indissociável da escola, parte essencial de qualquer projeto educacional e pedagógico. Sem elas, muitos jovens não terão a possibilidade de acessar o principal meio para desenvolver suas capacidade cognitivas e refletivas, seu vocabulário, seu conhecimento, enfim.

Eis um desafio inadiável para o próximo governo enfrentar.

Auditoria do TCE constata: 86% das escolas estaduais não foram reformadas durante a pandemia

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) realizou de surpresa, ontem, uma fiscalização em 278 escolas da rede pública da Paraíba, distribuídas em 80 municípios. As escolas foram escolhidas por amostragem.

O resultado foi divulgado no final da manhã de hoje. E dá razão aos protestos estudantis que se espalharam pelo estado nas duas últimas semanas contra as péssimas condições das escolas da rede estadual da Paraiba.

Segundo matéria publicada na página do TCE, a fiscalização constatou que em 80 das 94 escolas fiscalizadas os auditores não identificaram qualquer indícios de realização de “reforma, recuperação e/ou pintura”. Ou seja, 86% das escolas estaduais. 11 escolas (14%) estão completamente sem aulas.

Um resumo dos principais itens do relatório da auditoria do TCE você lê abaixo.

51 escolas estaduais (55%) das 94 fiscalizadas não há acesso à internet;

65 não têm laboratórios (70%);

38 não há biblioteca (41%);

37 não há local adequado para a prática esportiva (40%);

41 não têm banheiros destinados exclusivamente aos alunos (44%);

64 não há extintores ou outro equipamento de combate a incêndio (70%).

Em apenas 18 escolas as salas de aula possuem ar-condicionado e em 22 não possuem iluminação adequada.

55 escolas (61%) não são adaptadas para portadores de necessidades especiais bem refeitórios em condições adequadas para os alunos

Um resumo do estado aterrador da situação das escolas estaduais paraibanas. É bom continuar insistindo nessa lembrança. O governo João Azevedo teve os dois anos da pandemia de coronavírus, período em que as escolas permaneceram fechadas, para promover as reformas e melhorias necessárias. Como o TCE constatou, nada foi feito.

E o governador não tem nada a oferecer à educação pública estadual, a não ser as velhas promessas. De acordo com o que ele disse aos estudantes durante os protestos realizados na plenária do Orçamento Democrático em Mamanguape, nada será resolvido no curto prazo, ou seja, durante o atual governo que, felizmente, está no fim.

SOUSA: João Azevedo contesta Veneziano sobre tomógrafo; Senador reafirma denúncia com provas documentais

Em 29 de julho do ano passado, o site Diário do Sertão postou a seguinte notícia: “Veneziano assegura emenda de R$ 1,2 milhão para tomógrafo no Hospital Regional de Sousa”. Segundo a matéria do Diário do Sertão, o Hospital Regional de Sousa deveria “receber, em breve, um Tomógrafo para atender as demandas dos municípios da região.”

Dez meses depois, no início de maio, Veneziano Vital visitou o Hospital Regional de Sousa e, para sua surpresa, ao invés do tomógrafo novo que sua emenda parlamentar havia assegurado à unidade hospitalar, o que o governo do estado instalou no lugar foi um equipamento usado. Aliás, usadíssimo.

A situação causou uma grande indignação nos sousenses e muitos protestos na imprensa e na Câmara de Vereadores.

O ex-prefeito de Sousa, André Gadelha, protestou chamando a atenção para outro detalhe nessa história nebulosa e, como veremos, cheia de versões:

Quero externar o meu repúdio à Secretaria de Saúde e a administração de Sousa, que recebeu uma emenda do senador Veneziano Vital do Rêgo, para comprar um tomógrafo e o município se recusou de ter a responsabilidade de ter o equipamento no município doado pelo senador, e fez uma sessão de uso para o Estado. Irresponsavelmente a secretária troca o tomógrafo novo adquirido com o dinheiro de Veneziano, por um usado, desrespeitando toda uma população que aguarda esse sonho, de ter esse equipamento em um hospital público da cidade”

Só uma mes depois da polêmica, João Azevedo dá sua versão. Em entrevista concedida ontem (06/06) ao programa Frente a Frente, da TV Arapuã – aliás, no mesmo horário em que Veneziano era entrevistado pela TV Master, – o governador contestou o senador e candidato da coligação MDB-PT ao governo. Segundo João Azevedo, Veneziano colocou mesmo “uma emenda de R$ 3 milhões e oitocentos mil para equipamentos [hospitalares] aqui na Paraíba”, no entanto, no caso de tomógrafo destinado a Sousa, ele teria solicitado a substituição por outros equipamentos, que “nós estamos adquirindo” – notem que o gerúndio é a forma nominal mais usada por João Azevedo: ele nunca diz que “adquiriu”, mas que está “adquirindo”; nunca diz “reformei uma escola”, mas que está “reformando”.

João Azevedo defendeu que o debate político em ano de eleição deveria ser norteado pelo que ele chamou de “verdade dos fatos”. Ainda segundo ele, faltou ao senador dizer “que tinha modificado o objeto de sua proposta.” Quem desejar escutar, esse trecho da entrevista pode ser conferido no Facebook da rádio Arapuã (a partir do 56m20).  

Trata-se de uma nova versão para o caso do tomógrafo de Sousa. João Azevedo contesta até o que disse o deputado estadual sousense Lindolfo Pires, lider do governo na Assembleia. Em entrevista concedida à rádio Progresso, de Sousa, no dia 12 de maio, o deputado governista, que certamente procurou se informar antes com a Secretaria da Saúde estadual, não contestou, como fez o governador, a informação de Veneziano, pelo contrário, reafirmou-a:

“Existe a emenda do senador Veneziano. É fato! Mas, também é verdade que até agora esse dinheiro não foi liberado. Portanto, não há tomógrafo novo adquirido com a verba do senador. Quanto isso acontecer, claro, vamos adquirir um tomógrafo novo e destiná-lo a Sousa”.

Como líder do governo, Lindolfo Pires poderia ter repetido o que João Azevedo só descobriu um mês depois, mas, ao que parece, nem mesmo a secretaria de saúde sabia, já que deu outra informação à imprensa de Sousa.

Em qual versão acreditar? Na de João Azevedo ou na de Lindolfo Pires?

Na que Veneziano Vital apresentou, hoje, ao responder os ataques de João Azevedo na rádio Arapuã. Primeiro, escute o que disse Veneziano:

Ao invés de palavras, o senador apresentou à Arapuã provas documentais que comprovam a destinação dos recursos “para aquisição de equipamentos hospitalares (Tomógrafo), para atender o Município de Sousa/PB.” Vejam abaixo a cópia dos ofícios dos gabinetes de Veneziano Vital e Nilda Gondim, de maio de 2021, que somam R$ 1.300.000,00. Veja:

Além dos ofícios, Veneziano fez questão de apresentar cópias da Nota de Empenho, emitida em nome do Fundo Estadual de Saúde do Estado da Paraíba, para aquisição de equipamentos de saúde, e a respectiva ordem bancária, emitida em 20 de dezembro de 2021. O empenho registra o comprometimento do valor como despesa orçamentária e a ordem bancária é a autorização para o pagamento do item ou serviço. Veja:

Se é verdade o que disse João Azevedo sobre nortear o debate político pela “verdade dos fatos”, Veneziano Vital demonstra com documentos quem está com a verdade. O silêncio de um mês do governador sobre a questão, sem constetações aos protestos do candidato da coligação MDB-PT, mostra que foi difícil encontar uma resposta, não para Veneziano, mas para o povo de Sousa.

DE GETÚLIO A LULA: Brasil conquista auto-suficiência em petróleo sem dolarizar preço dos combustíveis

Jair Bolsonaro propôs, por PEC, zerar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da gasolina, do etanol, do diesel e do gás de cozinha. Os custos para estados e municípios e de podem chegar a R$ 50 bilhões.

Como a medida só vale até dezembro, fica evidenciado duas coisas, pelo menos: que a medida é eleitoreira e que se trata de um esforço desesperado do governo para manter da dolarização dos preços dos combustíveis no país. Apenas no último trimestre, a Petrobras obteve um superlucro superior a R$ 106 bilhões de reais. Desse total, a empresa distribuiu aos acionistas minoritários R$ 48 bilhões, valores totalmente livres de impostos, já que o Brasil é um dos dois países, ao lado da pequenina Estônia, a não taxar lucros e dividendos. A União, que tem o controle acionário da Petrobras, teve direito a 28,7% do lucro (R$ 13,9 bilhões.) O percentual de lucro da Petrobras atualmente é próximo dos 40%, muito acima da média das maiores petroleiras do mundo, que é de 6%.

Ou seja, para manter a barriga cheia dos tais acionistas minoritários da Petrobras (parte considerável formada por bancos e petroleiras estrangeiras), Jair Bolsonaro prefere tirar do prato já vazio dos mais pobres, já que é a arrecadação do ICMS, o principal imposto cobrado pelos estados, que financia a maior parte do gasto público. Não importa se essa perda de arrecadação será compensada por transferências da União, estaríamos descobrindo um santo para cobrir outro. O que menos sobra no Brasil, hoje, são recursos para investimentos. Nesse quesito, estamos no pior nível da nossa história, com o agravante do orçamento federal está nas mãos do Centrão. Mesmo que sobrassem recursos para investimentos no país, tirar recursos dos estados, sobretudo dos mais pobres, para manter lucros exorbitantes de quem já tem dinheiro em excesso, mesmo assim seria um descalabro. Bolsonaro revela assim qual é o “sistema” que ele defende e que o sustenta no poder 

A Petrobras se tornou uma gigante do setor do petróleo sem dolarizar preços

Desde que foi criada, em 1954, a Petrobras jamais teve uma política de preços dos seus combustíveis dolarizada. Nem quando foi criada e o Brasil produzia menos de 5% do petróleo que consumia e era obrigado a importar todo o resto. 

Isso enquanto abria seu mercado interno para instalação no país das montadoras de automóveis estrangeiras, e o país começava a ampliar sua rede rodoviária, sobretudo ao longo dos anos 1970. Enquanto o país se motorizava, rodovias federais começaram a cortar o Brasil, de norte a sul, como BR-101, e de Leste a oeste, com a BR-230, conhecida como Transamazônica.

Caminhoneiros e seus caminhões enchiam as estradas do país levando mercadorias, ônibus transportavam gente, as ruas das grandes metrópoles, depois, das médias e pequenas cidades, foram enlanguescidas para acomodar os milhões de automóveis que passaram a circular por elas.
 
Sem os combustíveis produzidos pela Petrobras essa transformação jamais teria sido possível. Segundo os liberais de ontem, o Brasil não tinha petróleo, portanto, a ideia de um dia se tornar auto-suficiente era uma quimera. Foi preciso a decisão firme de Getúlio Vargas, orientada por um projeto de longo prazo, para que, finalmente, mais de 50 anos depois, agora pela obstinação de outro grande brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, o país alcançasse a condição de pais auto-suficiente em petróleo.

Foi preciso muito investimento em pesquisa e desenvolvimento, em tecnologias para descobertas de novas jazidas, de técnicas de prospecção, sobretudo em águas profundas, para alcançarmos esse status, que só pouquíssimas nações industrializadas têm. Nem os EUA são. Isso até que a descoberta do Pré-Sal colocasse o Brasil na condição de um dos países mais em ricos em petróleo do mundo. De importador nos tornamos exportador de petróleo.

Volto a repetir. Nada disso teria sido possível sem a Petrobrás, que também se tornou uma das 10 maiores petroleiras do mundo, com valor de mercado estimado em mais de U$ 100 bilhões de dólares!

Na economia do pós-Segunda Guerra, o Brasil não teria conseguido se modernizar como mais uma sociedade do automóvel, um modelo com amplo espectro em suas implicações, sem a Petrobras. E tão importante quanto: A Petrobras se tornou uma das maiores petroleiras do mundo sem dolarizar preços dos combustíveis, nem quando o país tinha de importar a maior parte do petróleo que consumia. É certo que os preços internacionais do petróleo até o início dos anos 1970 eram considerados irrisórios para a importância que essa commoditie tinha para a economia mundial. Quando esses preços triplicaram de uma hora para outra, na chamada primeira crise do petróleo, em 1974, o Brasil teve de se ajustar e criou a alternativa do álcool. Mas, apressou o passo na busca da auto-suficiência do petróleo. 

Aliás, o que aconteceu com o preço dos combustíveis no Brasil de 2016 para cá, quando Michel Temer mudou a política de preços da Petrobras, dolarizando-a, como se os custos da empresa fossem em dólar (mais de 80% dos custos da Petrobras são em real) dá uma ideia do que aconteceu com o negócio do petróleo no mundo e o quanto impactou negativamente na economia, a ponto de ajudar a redefinir o padrão de acumulação capitalista desde então.. Com uma diferença: nos anos 1970, o Brasil ainda estava longe da auto-suficiência em petróleo. Não é o caso dos dias de hoje.

Também é bom não esquecer. Os neoliberais que desejam manter os preços dolarizados dos combustíveis são da mesma cepa dos que, nos anos 1950, falavam da inutilidade da Petrobras. Para eles, se poderíamos importar petróleo a preços baixos e estáveis, para quê investir numa empresa como a Petrobras? Tanto antes como agora, a intenção continua a mesma: servir a interesses externos, às minorias dos super-ricos que nos importunam e se incomodam quando nos tratamos como nação, os que  querem impedir que sejamos um país autônomo dos interesses externos.

São eles que, por meio de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, governam hoje o Brasil.