DIÁLOGOS COM A PARAÍBA: Veneziano começa por Solânea debate do plano de governo

Começaram hoje (10/04) os Diálogos com a Paraíba, os encontros com a população que o candidato do MDB, Veneziano Vital do Rego, pretende transformar em canal para a expressão popular, e cujos resultados servirão para subsidiar um diagnóstico a respeito das condições econômicas, sociais e culturais da Paraíba com vistas a elaboração de um futuro plano de governo.

O primeiro dos Diálogos com a Paraíba aconteceu por todo o domingo na cidade de Solânea, no coração do Brejo paraibano, e reuniu um número expressivo de brejeiros. Esse é o primeiro de vários encontros que que devem se repetir por todas as regiões da Paraíba.

Segundo Veneziano Vital do Rego, os Diálogos com a Paraíba são tanto uma demostração do caráter democrático de sua candidatura, quanto um compromisso com a retomada do Orçamento Democrático, o instrumento de democracia participativa criado no governo de Ricardo Coutinho e que deu voz à população da Paraíba na aplicação dos recursos públicos.

No governo, pretendemos não apenas restabelecer a prática de escutar e debater com a população de todo o estado seus problemas e as possíveis soluções para superá-los. Nossa intenção é ampliar os meios de participação, como o Orçamento Democrático“, disse o candidato do MDB ao governo da Paraíba.

Coordenador nacional da campanha de Lula confirma: o único palanque de Lula na Paraíba será o de Veneziano

O senador Randolfe Rodrigues foi convidado por Lula para ser o coordenador nacional de sua campanha presidencial. Ao assumir o posto, Randolfe desistiu da candidatura a governador do Amapá.

Durante entrevista concedida agora de manhã ao programa Painel Cultural, da Rádio Ban, de Esperança, o próprio Randolfe fez questão de participar ao vivo para esclarecer de vez sobre qual será o palanque de Lula na Paraíba.

Randolfe disse que, apesar de Lula ser apoiado por uma frente ampla de partidos e lideranças nacionais que se une, hoje, para restabelecer a democracia no país e impedir que Jair Bolsanaro continue seu esforço para destruí-la, o PT tem alianças e candidaturas nos estados. Na Paraíba, não é diferente. O PT tem um candidato a Senador, Ricardo Coutinho, e uma aliança com o senador Veneziano Vital do Rego, candidato do PT a governador. E o palanque de Lula é o palanque do PT.

“Não tenha dúvida de que Lula estará, aí na Paraiba, no palanque de Ricardo Coutinho e no palanque de Veneziano.

O coordenador da campanha de Lula informou ainda que Veneziano terá mais um encontro com o candidato a presidente, que acontecerá durante jantar em Brasília na próxima segunda (11).

“Inclusive, quero confirmar que, na noite desta segunda-feira, Veneziano e a senadora Nilda Gondim são convidados do presidente Lula para um jantar, em Brasília”.

Para quem sabe entender os sinais da política, nunca houve dúvida a respeito de qual será o palanque de Lula na Paraíba: o de Veneziano Vital do Rego, o candidato a governador apoiado pelo PT. Lula já disse isso durante entrevista à rádio Espinharas e, agora, é o próprio coordenador nacional da campanha do petista quem confirma isso.

E não poderia ser diferente. Lula, como se sabe, é do PT e a maior liderança do partido no país.

Assinatura de Veneziano garante criação da CPI do Bolsolão do MEC

O escândalo de corrupção no Ministério da Educação pôs a nu um esquema de desvio de verbas e tráfico de influência que pode envolver Jair Bolsonaro diretamente.

Em áudios que a imprensa teve acesso, o ex-ministro Milton Ribeiro disse que pastores aliados tinham prioridades na liberação de recursos do Fundo Nacional da Educação (FNDE). E revelou que isso acontecia por um pedido de Jair Bolsonaro.

O escândalo, que envolveu até denúncias de pagamento de propina barras de ouro, levou à demissão do Milton Ribeiro e um pedido de abertura de CPI, após depoimentos de prefeitos no Congresso, que confirmaram os pedidos de propina.

Hoje, o autor do requerimento, senador Randolfe Rodrigues, informou que o número mínimo para o pedido de abertura da CPI foi atingido com a assinatura do paraibano Veneziano Vital do Rego, que foi qualificado como “combativo” pelo colega do Amapá.

A CPI do Bolsolão do MEC, como já foi apelidada, vai ajudar a acabar com outro “mito”: o que não existe corrupção no governo de Jair Bolsonaro (se é que um dia alguém acreditou nisso).

GERVASIO MAIA CONTRA AGUINALDO? “Precisamos de candidatos que unam” e que tenham perfil de “esquerda”

O deputado federal Gervasio Maia, do PSB, deu pelo menos três declarações recentes que merecem registro aqui. A primeira delas foi carregada de enigma. Segundo GM, Aguinaldo Ribeiro é um candidato que “tem bala na agulha”. Infelizmente, ele não explicou o que significa ter bala na agulha.

Como se sabe, Aguinaldo Ribeiro é um dos maiores líderes do Centrão no Congresso Nacional e foi nessa condição que acumulou muito poder, muita bala na agulha. O modus operandi do Centrão todo mundo também conhece.

Quer um exemplo do poder das balas na agulha dos Ribeiro?

Na semana passada, a senadora Daniella Ribeiro ganhou o direto de chamar de seu outro partido. Para tanto, “convenceu” Gilberto Kassab a transferir das mãos de Romero Rodrigues para as da senadora o PSD, um dos partidos mais cobiçados na arena política nacional. As balas na agulha dos Ribeiro são mesmo poderosas.

Quando resolveu cobrar “unidade” no grupo de apoio a João Azevedo, Gervasio Maia (inadvertidamente?) expôs uma das principais dificuldades do candidato do governador ao senado, Aguinaldo Ribeiro:

“Precisamos de candidatos que possam unir. Não se pode colocar um candidato em cima de um palanque e, de repente, um partido desça, quando esse candidato subir”, disse Maia.

Parece ser exatamente esse o caso de Aguinaldo Ribeiro, que vou o Republicanos pular fora do seu barco para abraçar a candidatura de Efraim Filho, e do PCdoB, que lançou a candidatura de Rangel Jr. ao senado para não ser obrigado a votar no líder do Centrão.

Hoje, Gervasio Maia seu mostras do quanto a candidatura de Aguinaldo Ribeiro tem problemas. Segundo declarou Maia ao Paraíba Rádio Blog, “Aqueles que forem ocupar esses tão importantes espaços precisam ter um perfil que se encaixe no nosso palanque que é um palanque de esquerda”.

Com essa, Aguinaldo, é pra pedir o boné.

JOÃO AZEVEDO EMPAREDADO: governador já admite Republicanos na chapa majoritária

Desde que a formação das chapas majoritarias passou a dominar o debate político na Paraíba, foi a primeira vez que João Azevedo admitiu a presença do Republicanos na sua chapa majoritária.

Até hoje, o partido comandado pelo deputado federal patoense Hugo Motta foi tratado como um partido de segunda linha, como muitos dos que aderiram ao governador sem nunca terem emitido sequer uma nota sobre a chapa que, sem conhecer, já decidiram apoiar qualquer que seja ela.

Liderado por Hugo Motta, o poderoso agrupamento de candidatos a deputados federais começou a exigir o respeito político de quem acumulou forças para dizer não. Primeiro, deixou claro que a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ao senado não representava o partido, e declarou apoio à candidatura de Efraim Filho, mesmo com a mudança do deputado federal do União Brasil para o palanque da oposição.

No dia seguinte aos ataques promovidos pela senadora Daniella Ribeiro a João Azevedo, o Republicanos avançou mais uma peça no tabuleiro para ocupar o espaço vazio, deixando aberta a possibilidade de lançar o presidente da Assembleia, Adriano Galdino, na diputa não mais pela vaga de vice na chapa de João Azevedo, mas na que estava reservada, desde sempre, a Aguinaldo Ribeiro.

O deputado estadual Raniery Paulino apoiou a candidatura de Adriano Galdino e ainda fez questão de jogar gasolina na fogueira afirmando que “João Azevêdo teria mais segurança com Adriano Galdino em sua chapa, mais do que teria com Aguinaldo Ribeiro”.

Emparedado, João Azevêdo já deu sinais de recuo e começou a admitir um representante do Republicanos em sua chapa majoritária. (leia aqui)

Caso o Republicanos e a família Ribeiro cheguem a um acordo que acomode a todos na mesma chapa, resta saber se o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, aceitará, com a força de quem comanda a administração do maior colégio eleitoral do estado, assumir uma posição de mero apoiador. A entrada do Republicanos na chapa pode afetar o lugar que o prefeito pessoense planejava ter na chapa. Apesar de serem do mesmo partido, Cícero Lucena e Aguinaldo Ribeiro não têm extamanente os mesmos interesses e objetivos.

Difícil imaginar que Laura Emília não terá qualquer papel nessa eleição…

PSD CONTINUA NA OPOSIÇÃO: Declarações de Daniella Ribeiro mostram o tamanho da crise na base de João Azevedo

É inusitado constatar, mas é isso mesmo: a seis meses da eleição, o único candidato a governador que não dispõe de um nome para ocupar a vaga de senador é exatamente João Azevedo, que, segundo avaliação de aliados próximos no final do ano passado, venceria a eleição por WO.

Ao contrário, o que se vê hoje é o caos político e a divisão que predominam entre os partidos da base (?) do governador. O Republicanos anunciam para quem desejar ouvir que se recusam a votar em Aguinaldo Ribeiro, preferindo seguirem com Efraim Filho, candidato a senador na chapa oposicionista do tucano Pedro Cunha Lima. Para piorar ainda mais o que já está ruim, o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, passou a admitir ser candidato ao senado, o que tende a intensificar ainda mais a divisão. O pior de tudo é ver João Azevedo continuar calado enquanto lideranças proeminentes de sua base de apoio estão em guerra aberta.

Se não não bastasse tanta crise, a senadora Daniella Ribeiro resolveu colocar ainda mais fogo na fervura e o caldeirão em que se transformou o grupo político do governador João Azevedo deve ter alcançado o ponto de ebulição. Em mais uma entrevista bombástica, agora concedida ao jornalista Luís Torres, durante o programa Frente à Frente, da TV Arapuã, a nova presidenta estadual do PSD chegou a defender o lançamento da candidatura avulsa do irmão, Aguinaldo, ao Senado. Não só. Daniella deixou em aberto a possibilidade de se lançar candidata ao governo: “É preciso tranquilidade para que as coisas aconteçam no seu tempo”. Quem sabe não seja essa a solução para a unidade entre Progressistas, Republicanos e PSD? Já não descarto nenhuma hipótese.

O pior para João Azevedo veio depois. Depois de ter dito na semana passada que “nunca pertenceu à base de João Azevedo”, ontem Daniella Ribeiro se descolou ainda mais do governador. Quando perguntada se a perda do controle do PSD pelos Cunha Lima deverá provocar um rompimento entre as duas famílias em Campina Grande, Daniella Ribeiro foi enfática ao dizer que não há razão para isso, já que o PSD “continua na mesma posição de oposição ao governador João Azevêdo”. A hipótese de uma unidade em torno de Pedro Cunha Lima também não pode ser descartada, não é mesmo?

Os fatos relatados acima dão a dimensão do tamanho da crise que assola o grupo político que apóia (?) a reeleição de João Azevedo, crise motivada pela incapacidade do governador para exercer sua autoridade política para administrar conflitos, impedindo que eles ganhem a dimensão que adquiriram, hoje. Falta tempo e faltam espaços para atender à diversidade de interesses e forças em conflito.

Há outro componente que talvez seja a razão principal da crise: a falta de discurso para defender as realizações de uma administração que tem muito pouco o que mostrar ao eleitorado. A seis meses da eleição, a crise na base de João Azevedo parece ter chegado a um ponto sem volta. Talvez tenha chegado a hora do Progressistas e do Republicanos observarem alternativas.

DESMILINGUINDO? Prefeita do PP de Aguinaldo Ribeiro adere à candidatura de Pedro Cunha Lima

No sábado, foi o prefeito de Esperança, Nobinho Almeida, que desistiu de ser candidato a deputado federal porque , segundo ele, porque Aguinaldo Ribeiro (PP) não lhe “passou segurança de que vai disputar o senado nas eleições deste ano”.

Hoje, foi a vez da prefeita de Fagundes, Magna Risucci, que anunciou apoio à pré-candidatura de Pedro Cunha Lima (PSDB) ao Governo do Estado. Apesar de eleita pelo MDB em 2018, a prefeita é hoje filiada ao Progressistas, do deputado federal e (ainda) candidato ao Senado na chapa de João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro.

Mais interessante do que o fato em si, foi a maneira como ele noticiado por certos setores da imprensa, notadamente a de João Pessoa (vejam acima), que tentou atribuir a perda de apoio ao candidato do MDB, Veneziano Vital do Rego, quando na realidade foi João Azevedo quem viu diminuir ainda mais sua base de apoio, fato difícil de acontecer, mais ainda em ano de eleição.

É bom ficarmos atentos. Quando isso acontece, é sinal preocupante de que as coisas não andam lá essas coisas para as bandas do Palácio da Redenção.

Já notaram que até Adriano Galdino, antes um afoito candidato a candidato a vice de João Azevedo, já começa a dar sinais de que prefere o Senado?

Montagem das chapas proporcionais mostra que Veneziano sobreviveu à tempestade

Encerrado o prazo de mudança partidária, o saldo político dessa fase da pré-campanha de 2022 não provocou grandes supresas, a não ser mudanças de ultima hora, como a guinada de 180º graus do deputado federal Damião Feliciano, que trocou o PDT pelo União Brasil, e o completo esvaziamento do PSDB com os antigos quadros do cassismo se espalhando por vários partidos numa corrida desesperada pela sobrevivência.

Se Romero Rodrigues ainda hoje chora a perda do PSD para Daniella Ribeiro, essa vitória de última hora dos Ribeiro não foi capaz de tirar a dúvida sobre qual o destino da família: se vão apostar tudo na eleição de Aguinaldinho para o Senado, sacrificando a candidatura do sobrinho, Lucas Ribeiro, a deputado federal, ou se o chefe político do clã continua na Câmara. Em qualquer situação, parece que vai sobrar para o filho de Daniella Ribeiro, e isso talvez explique a irritação da senadora.

Isso é só espuma, entretanto. Medir o potencial eleitoral das chapas majoritártias pela projeção das cadeiras que cada partido tende a fazer no Congresso tem sido um erro recorrente por aqui.

Em 2018, por exemplo, o PSB da Paraíba elegeu o governador da Paraíba em primeiro turno e fez apenas um representante para a Câmara dos Deputados. Em 2014, quando Ricardo Coutinho se reelegeu derrotando o até então imbatível Cássio Cunha Lima, o PSB não elegeu nenhum deputado federal, repetindo o mesmo desempenho de 2010. Aliás, em 2010, o PMDB de José Maranhão elegeu a maior bancada para a Câmara (4 deputados federais) e todo mundo sabe o resultado da eleição para governador.

Isso quer dizer que não existe simetria entre a formação das chapas proporcionais e o desempenho eleitoral dos candidatos ao governo e ao Senado. Se assim fosse, por exemplo, o segundo turno entre João Azevedo e Pedro Cunha Lima estaria marcado – e mesmo assim, se o governador mantiver o apoio do Republicanos e do Progressistas, o que é provável, mas ainda incerto.

No caso da composição partidária liderada por Veneziano Vital do Rego e Ricardo Coutinho, é preciso observar com mais atenção e menos pertidarismo. Quem esperava um esvaziamento da candidatura de Veneziano Votal do Rego em razão da formação das chapas proporcionais não viu suas expectativas confirmadas. A projeção é que esse bloco eleja, pelo menos, três deputados federais (2 pelo PT e 1 pelo MDB).

É preciso ainda esperar pela contingência de uma eleição que promete ser muito nacionalizada, principalmente aqui no Nordeste. Se houver o casamento da campanha presidencial com as campanhas estaduais para o Congresso, como pretende Lula, num esforço inédito de educação política do eleitorado, podemos ter surpresas em outubro e tanto a votação dos candidatos ao parlamento que darão sustentação ao governo Lula, caso eleito, quanto o voto de legenda, podem surpreender em 2022.

Aguinaldo Ribeiro será candidato ao Senado ou já desistiu?

Os Idos de março se foram e chegamos a abril. Mesmo assim, restando seis meses para a eleição, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro ainda não anunciou oficialmente se será candidato ao Senado para fazer companhia à irmã, Daniella Ribeiro, a partir do próximo ano.

Essa indecisão pode ser atribuída ao estilo discreto e comedido de fazer política do filho Enivaldo Ribeiro e neto de Agnaldo Veloso Borges, mas talvez seja forçoso reconhecer que se trata mesmo de dúvidas a respeito da dimensão da liderança e do peso político para enfrentar uma eleição para a única vaga ao Senado em 2022.

Aguinaldo Ribeiro é um político cuja habilidade como articulador sempre foi por todos reconhecida. Pragmático, Ribeiro transitou com desenvoltura no Congresso na base de apoio de governos de direita e esquerda, atuação que o tornou uma das mais importantes lideranças do Centrão.

A dúvida que ronda a cabeça de Aguinaldo Ribeiro agora é se ele terá votos suficientes para enfrentar chapas como as de Veneziano-Ricardo Coutinho e Pedro Cunha Lima-Efraim Filho, cenário completamente diverso do que era projetado meses atrás por governistas, onde se previa uma campanha eleitoral sem adversários de peso. Nessa projeção, a eleição seria uma mera formalidade para ratificar a vitória da chapa liderada pelo governador João Azevedo, na qual Aguinaldo Ribeiro seria o candidato a senador e compartilharia o mesmo destino vitorioso.

Não foi bem assim. Com chapas competitivas ao governo e ao senado, a situação nas hostes governistas e de divisão e bate-boca na base de apoio do governador João Azevedo. Mantido essa situação, é bastante improvável que Aguinaldo Ribeiro leve à frente sua candidatura a senador.

Nesse caso, o mundo político passará a acompanhar com interesse as consequências desse desenlace, sobretudo quem substituirá Aguinaldo Ribeiro na chapa de João Azevedo e se o apoio da família Ribeiro e de Cícero Lucena ao projeto de reeleição de João Azevedo será mantido.

Nilvan Ferreira perde o PTB e caminha para ser vice de Pedro Cunha Lima

Pedro Cunha Lima caminha para os braços de Jair Bolsonaro e deve ser mesmo o candidato a governador do atual presidente Paraíba. O cunhado de Pedro Cunha Lima, Evaldo Cruz Neto, foi superintendente da Sudene até outubro do ano passado e o parlamentar, filho do ex-governador Cássio Cunha Lima, foi da base parlamentar do atual governo na Câmara.

Mais um capítulo dos arranjos que precedem a formação das chapas majoritárias se desenrolou no final do dia de ontem, quando Nilvan Ferreira seguiu o mesmo caminho de Romero Rodrigues e foi desalojado da presidência estadual do PTB por Roberto Jefferson, o dono nacional do partido. No lugar de Nilvan Ferreira assume Dedé Sales, vice-prefeito do Conde, que mantém ligações políticas com o deputado estadual Eduardo Carneiro.

Já o destino de Nilvan Ferreira deve ser o PL, novo partido de Jair Bolsonaro e que, nacionalmente, é presidido por Valdemar da Costa Neto, condenado e preso por corrupção em 2012.

Candidato a governador, Nilvan Ferreira deve ser “convencido” pelo presidente e candidato a reeleição, Jair Bolsonaro, a aceitar ser o candidato a vice-governador na chapa de Pedro Cunha Lima, que terá outro bolsonarista candidato ao Senado, Efraim Filho. Restaria acomodar o filho do presidente estadual do PL, Wellington Roberto, Bruno Roberto, hoje candidato ao Senado, mas nada um bom acordo não possa ajudar a superar a situação. E Jair Bolsonaro tem sido um craque para viabilizar esses acordos.

E assim, todos (Pedro Cunha Lima, Nilvan Ferreira e Efraim Filho) poderão gritar novamente “mito” como sempre desejaram.

Republicanos, família Ribeiro e Cícero Lucena querem a mesma coisa: indicar o/a vice de João Azevedo

A declaração que Daniella Ribeiro deu, ontem, em entrevista concedida ao programa comandado pelo jornalista Heron Cid, na Pop FM, trouxe de novo à tona as insatisfações que a senadora manifestou ao longo de todo o governo. Segundo o que Daniella disse ontem, ela “não é da base, nem nunca foi da base do governador João Azevedo”.

A surpresa é apenas em relação ao timing, já que as relações políticas de proximidade e aliança entre João Azevedo, Aguinaldo Ribeiro e Cícero Lucena nunca deixaram margem para dúvidas. Isso até ontem. Daniella Ribeiro rememorou as declarações polêmicas, com a que ela deu em fevereiro do ano passado, quando reclamou ostensivamente da desatenção do governador com os aliados:

“Até para dizer não a gente tem que ter diálogo. Sequer uma relação institucional eu tenho. Sou oposição, ele sabe disso”.

Talvez haja nesse comportamento uma insatisfação latente quanto à prioridade dada por seu grupo à candidatura do irmão, Aguinaldo Ribeiro, ao Senado, quando ela poderia estar na disputa para o governo, assim como fez seu colega de Senado, Veneziano Vital do Rego, que pode se arriscar sem perder o mandato. Na Paraíba, apenas os dois se encontram nessa confortável condição.

Como talvez seja tarde para Daniella Ribeiro se lançar na disputa para o governo, já que estamos em abril e os palanques dos possíveis adversários estão praticamente montados, o mais provável é que a prioridade do grupo continua sendo eleger Aguinaldo Ribeiro para o Senado. Além disso, a candidatura de Daniella seria mais uma a disputar o voto conservador.

A declaração de ontem de Daniella Ribeiro, entretanto, pode ter introduzido o elemento que estava faltando para entender melhor o caos que se instalou no palanque de João Azevedo: a disputa pela indicação do vice do governador candidato à reeleição envolve outro (ou outra) personalidade que se mantém até agora atrás das cortinas.

Como quem ocupar o cargo de vice se projetará imediatamente como futuro governador em 2026, a não ser que João Azevedo prefira se auto-imolar, como fez Ricardo Coutinho, mais do que a distribuição dos prefeitos que apóiam Aguinaldo Ribeiro, o Republicanos quer mais. O problema é que eles querem o mesmo que Aguinaldo Ribeiro, Daniella Ribeiro e Cícero Lucena.

Vai ser jogo duro até julho.

Que ninguém se engane: Veneziano está no jogo

Cada fase das articulações da pré-campanha, cada movimento, cada conquista de apoio, cada definição, criam um ambiente favorável que se projeta nas expectativas de vitória dos candidatos a cargos majoritários.

Exemplos? Da festa de aniversário de Efraim, o filho, até a entrega do cargo de secretário de governo de Efraim, o pai, uma torrente de fatos positivos ajudaram a turbinar a candidatura de Pedro Cunha Lima ao governo. Até o anúncio de hoje (29) de que Daniella Ribeiro será a nova presidenta do PSD da Paraíba, que funcionou como um banho de água fria e, certamente, ajudará a diminuir o impacto do anúncio da adesão da família Morais à família Cunha Lima que deve acontecer na próxima quinta. As duas famílias sonham repetir o resultado da eleição de 2002.

Esse clima favorável já se observou nos dias que antecederam ao anúncio da candidatura de Veneziano Vital: a reunião com Lula em São Paulo, a viagem do senador do MDB para Cajazeiras, seguido do anúncio de apoios de deputados e prefeitos, e, no ápice dessa boa fase, o ato de lançamento da candidatura que ratificou o apoio do PT e de Lula à candidatura de Veneziano. O clima da pré-campanha era radicalmente outro.

Por conta disso, é recomendável para quem acompanha eleições na Paraíba não se impressionar muito com movimentos conjunturais. No caldeirão dos acontecimentos da semana passada, já cheguei a escutar que o ex-prefeito campinense estaria fora do jogo e seria engolindo pela polarização entre João Azevedo e Pedro Cunha Lima. Alguns mais afoitos chegaram a prever a desistência de Veneziano.

De jeito nenhum, esse diagnóstico pode ser levado a sério, nem por Pedro Cunha Lima nem por João Azevedo, apesar da torcida mútua para que a polarização entre os dois se converta em realidade durante a campanha.

Veneziano não é senador por acaso e não deve exclusivamente sua eleição ao apoio de Ricardo Coutinho, em 2018.

Não esqueçamos. O ex-cabeludo foi prefeito de Campina Grande por 8 anos, quando ousou derrotar, por duas vezes (2004 e 2008), na então governador Cássio Cunha Lima em sua, até então inexpugnável fortaleza eleitoral. Em 2014, Veneziano foi eleito deputado federal com 177.680 votos, quase 10% dos votos válidos!

Em 2018, foi o candidato mais votado para o Senado.

Em 2022, se souber agregar à sua força eleitoral o portfólio de realizações administrativas de Ricardo Coutinho, com quem comporá a chapa majoritária, e se for capaz de extrair o máximo de dividendos eleitorais do apoio do PT à sua candidatura, sobretudo se Lula escolher unicamente seu palanque na Paraíba, Veneziano entrará com forca na disputa para enfrentar João Azevedo no segundo turno.

O primeiro passo de Veneziano para atingir esse objetivo, acredito eu, é entender o que aconteceu na Paraíba e no Nordeste nos últimos 20 anos.

RESPOSTA À ALTURA A EFRAIM: filiação de Daniella Ribeiro ao PSD fortalece ainda mais a candidatura de Aguinaldo ao Senado

A filiação da senadora Daniella Ribeiro ao PSD não deve ser interpretado apenas como uma vitória contra o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, mas, também, com arranjos nacionais relacionados à eleição presidencial, na qual o partido de Gilberto Kassab tem como prioridade as eleições parlamentares. No Nordeste, o partido mantém grande proximidade com a candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o antigo partido de Daniella Ribeiro, o Progressistas, cujo presidente nacional é o atual ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, deve assumir o caminho natural que é apoiar a reeleição de Jair Bolsonaro, o movimento dos Ribeiro na direção do PSD atende a um duplo objetivo: primeiro, enfraquecer a candidatura de Pedro Cunha Lima, retirando um partido do palanque tucano e deslocando-o para o de João Azevedo; segundo, como o PSD não apoiará Bolsonaro, os Ribeiro tem mais um trunfo na mão atingir o objetivo de eleger Aguinaldo Ribeiro para o Senado.

Certamente, a trajetória de Romero Rodrigues e da família Cunha Lima em oposição a Lula e em apoio ao governo de Jair Bolsonaro ajudou. Contu ainda mais agregar à bancada federal uma senadora com mais quatro anos de mandato e, pelo menos, um deputado federal a ser provavelmente eleito. Trunfo que o Republicanos acumulou nos últimos meses.

Ouso antecipar que, ao contrário de indicar um caminho dos Ribeiro na direção de uma candidatura própria, a filiação de Daniella Ribeiro ao PSD fortalece ainda mais a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ao Senado.

O próximo movimento dos Ribeiro deve ser iniciar uma aproximação com o Republicanos, o que deve resultar na incorporação do partido presidido na Paraíba por Hugo Motta à chapa majoritária de João Azevedo e Aguinaldo Ribeiro. Em breve saberemos se essas projeções se confirmarão.

No jogo bruto da política, nenhum espaço em disputa é conquistado com palavras. E a próxima disputa a entrar em pauta é pela indicação do você na chapa de João Azevedo.

Esperemos.

João Azevedo ganha ao perder apoio do “prefeito chicleteiro”

O prefeito de Cabedelo, Victor Hugo, anunciou seu rompimento político com o governador João Azevedo. O motivo alegado foi a filiação de Jacqueline França, esposa do ex-prefeito Leto Viana, ao PSB. Victor Hugo fez o anúncio ao lado de Efraim Filho.

O prefeito de Cabedelo se tornou, ao longo dos últimos meses, uma espécie de ícone do negacionismo. Victor Hugo acabou ganhando o apelido de prefeito chicleteiro em razão de sua presença ostensiva em show do Chiclete com Banana, realizado em Cabedelo, com vídeos postados em redes sociais em que o prefeito chicleteiro aparece sem máscara e aglomerando ao lado de dezenas de pessoas. Isso enquanto o país vivia um dos piores momentos da pandemia, que enchia hospitais públicos e privados, e postos de saúde.

A administração da pandemia do coronavírus será, certamente, um dos temas da campanha a governador de 2022: negacionismo, responsabilidade no cumprimento do dever de proteger a população, os exemplos que cada administrador ofereceu para mostrar comprometimento com a defesa da vida e da saúde do seu povo.

Enfim, nunca é bom perder apoios em eleições, mas deixar de ter um símbolo como o prefeito chicleteiro no palanque, se bem explorado durante a campanha, pode acabar se convertendo em um ganho de discurso para João Azevedo contra Pedro Cunha Lima, que assume, cada vez mais a condição de principal adversário do governador, e que receberá o apoio de Victor Hugo.

Rompimento de Efraim Filho pode ajudar a equilibrar perfil da chapa de João Azevedo

A carta de demissão de Efraim Morais, o pai, da Secretaria de Agricultura, entregue pessoalmente ao governador João Azevedo, apenas formaliza um rompimento político já marcado para acontecer.

Efraim, o filho, agora está livre da última amarra que o prendia ao governo para voar para o ninho tucano e se sentir no aconchego de casa. Antipetista e antilulista de carteirinha, o candidato a senador do União Brasil militou ardoroamente pela causa do impeachment de Dilma Roussef e, desde então, foi apoiador na Câmara dos Deputados das agendas regressistas e anti-povo dos governos que se seguiram ao golpe parlamentar de 2016: o de Michel Temer e o de Jair Bolsonaro.

O rompimento de Efraim Filho que pode ser lido como uma perda para o governador João Azevedo, já que é comum tratar eleição como uma soma de apoios. Eu tenho dúvida se certos apoios como o de Efraim Filho, representam mais ganhos do que prejuízos.

Pela dimensão – artificial? – que Efraim, o filho, ganhou ultimamamente, a presença de um político com essa trajetória marcada por um conservadorismo militante, causaria, sem dúvida, um desequilíbrio que poderia prejudicar João Azevedo. Sobretudo se ele aceitasse ser vice de João Azevedo, como foi ventilado. Dessa maneira, teríamos na mesma chapa, além de Efraim, a presença de Aguinaldo Ribeiro, outro político que, apesar de discrição e do pragmatismo, é tão conservador quanto Efraim Filho.

João Azevedo não pode cometer o mesmo erro que José Maranhão cometeu em 2010 de achar que a máquina é suficiente para reelegê-lo. É preciso considerar os adversários e projetar o ambiente político em qua a eleição vai acontecer. Ou seja, numa disputa na qual um dos adversários a serem batidos, Veneziano Vital, tem o apoio do ex-governador Ricardo Coutinho, em um estado onde o ex-presidente Lula tem potencial para superar a votação que Fernando Haddad (Fernado Haddad) obteve em 2018 (65% dos votos), é recomendável levar em conta o perfil da chapa.

Enfim, ao romper unilateralemente com João Azevedo, Efraim Filho pode estar contribuindo para a eleição de João Azevedo, isso se o governador levar em conta o que apontei acima.

RANGEL JÚNIOR: “PCdoB receberá Anísio Maia de braços abertos”

Ao tomar conhecimento da decisão da Executiva Nacional do PT de suspender por seis meses o deputado estadual Anísio Maia, questionei o deputado estadual e único representante do PT na Assembleia Legislativa da Paraíba, se a decisão foi tomada por unânimidade. Anísio respondeu que não. A decisão foi tomada com 17 votos contrários.

Outros três destacados dirigentes do partido (Giucélia Figueiredo, Josenilton Feitosa e Anselmo Castilho), receberam penas mais brandas e foram suspensos por três meses.

Ao ser afastado das instâncias partidárias e da representação política e parlamentar do PT por seis meses, Anísio estará impedido de registrar sua candidatura à reeleição, o que certamente o obrigará a sair do PT se quiser ser candidato em outubro.

Em seguida, questionei o professor e ex-reitor da UEPB, Ranjel Jr, candidato ao senador, se o PCdoB receberia Anisio Maia em suas fileiras. Eis a resposta:

Não tenha dúvidas que o PCdoB o receberá de braços abertos, caso a avaliação dele vá por aí. Afinal, há muitos anos já caminhamos juntos na política e com afinidades política e ideológica.

Ao que parece, Anísio Maia não terá problemas para arranjar um nova casa. No caso de mudança para o PCdoB, essa decisão pouco afetará as chances do deputado estadual, já que o PCdoB deverá compor a federação com o PT.

A decisão pouco afeta os outros dirigentes, a não ser por três meses, o suficiente, entretanto, para afastá-los do debate interno sobre quem o PT deve apoiar para o governo. Esses dirigentes pertencem ao grupo majoritário no Diretório Regional do PT que se opõe à aliança com o MDB. Se a suspensão os alija temporariamente das decisões mais relevantes, entretanto, produzirá poucos efeitos internos no PT da Paraíba.

Como o grupo não tem voz para decidir sobre quem o partido deve apoiar na Paraíba, a suspensão decidida hoje soa apenas como um aviso para os que insistem numa aliança com o PSB.

PSB não quer nem ouvir falar de palanque duplo para Lula. Em Pernambuco

A manobra para retirar a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco do caminho da família Campos dessa vez parece que não vai ter êxito. Em 2018, favorita nas pesquisas, como hoje, Marília foi obrigada a retirar sua candidatura para impulsionar a candidatura de Fernando Haddad, que recebeu o apoio do PSB de Pernambuco.

Agora, Marília não parece mais disposta a aceitar o arranjo feito entre o senador Humberto Costa (PT-PE) e o governador Paulo Câmara (PSB-PE) que pretendia impedir sua candidatura ao governo para apoiar Danilo Cabral, do PSB, que mostra dificuldades em crescer nas pesquisas. A família Campos governa Pernambuco desde 2007.

Marília Arraes reagiu anunciando a saída do PT e deixando claro que não está mais disposta a ver sua cabeça oferecida numa baixela de prata à família Campos. Em reunião com o ex-presidente Lula na última segunda (22/03), a neta de Miguel Arraes confirmou tanto sua candidatura como a manutenção do apoio ao petista. Sem ter como pedir-lhe novo sacrifício, Lula foi obrigado a aceitar subir tanto do palanque de Arraes como de Danilo Cabral em Pernambuco.

O problema é que, diferente do que disse o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, no ato de filiação de João Azevedo ao partido, quando defendeu palanque duplo para Lula na Paraíba, em Pernambuco a conversa é outra. Segundo matéria publicada hoje pelo Jornal do Comércio, não há veto à candidatura de Marília Arraes ao Senado, mas o PSB de Pernambuco não admite palanque duplo por lá.

“O PSB de Pernambuco não vai admitir palanque duplo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aqui no Estado. O posicionamento, inclusive, já foi levado para as instâncias do PT local e nacional.”

A fonte do PSB de Pernambuco chegou ao ponto de ameaçar com o rompimento da aliança nacional do partido, caso Marília Arraes saia do PT para se candidatar ao governo, como se Lula disse dono dos destinos da deputada federal.

Caso ela decida realmente sair do partido e se candidatar a governadora, o movimento é visto como um rompimento definitivo com o líder petista

Como Marília Arraes não pretende abandonar mais uma vez a candidatura, vai ser estranho aqui na Paraíba justificar que o PSB nacional rompeu com Lula exatamente por que não aceitou palanque duplo em Pernambuco.

Hugo Motta dá a senha para pular fora do barco de Efraim Filho: “estamos defendendo o nome dele internamente para chapa do governador João Azevêdo”

O deputado federal patoense Hugo Motta, presidente estadual do Republicanos, recomendou paciência ao candidato a senador pelo União Brasil, Efraim Filho.

O Republicanos se tornou o partido com a maior representação parlamentar federal da Paraíba, contando hoje com três deputados federais e o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino.

O Republicanos acumulou forças suficientes para se contrapor ao peso político do Progressistas no grupo político do governador João Azevedo. O Progressistas comanda importantes prefeituras, como a de João Pessoa e Cajazeiras, além de ter um deputado federal e uma senadora.

Por isso, resolveu emprestar seu apoio à candidatura de Efraim Filho ao Senado, mesmo sabendo do favoritismo de Aguinaldo Ribeiro, que não será o candidato a senador na chapa de João Azevedo se, por alguma razão, desistir da disputa. A intenção parece óbvia: tirar proveito da guerra aberta entre Aguinaldo e Efraim para, aliando-se ao último, negociar a indicação da candidatura de vice quando Efraim Filho fizer o inevitável movimento de ruptura com a candidatura de João Azevedo.

O favorito para assumir a vaga, hoje, continua sendo Adriano Galdino. Hoje, reforço. O problema é que o presidente da Assembleia tem se comportado ultimamente como um elefante no interior de uma sala repleta de cristais. Se expôs desnecessariamente ao ir pessoalmente à festa de aniversário de Efraim Filho confraternizar com oposicionistas com selo de origem, como Tovar Correia Lima, onde disse, para quem quisesse ouvir (ou seja, João Azevedo, Aguinaldo, Daniella Ribeiro e Cícero Lucena) que votará em Efraim Filho “em qualquer circunstância.”

Um desastre.

Ontem, Hugo Motta resolveu finalmente ajustar o discurso. Além de pedir calma a Efraim Filho, demarcou até onde vai o compromisso com o candidato do União Brasil: “estamos defendendo o nome dele internamente para chapa do governador João Azevêdo”, disse o deputado patoense. Ou seja, se Efraim Filho entendeu o recado, sabe desde já que, caso aceite ser candidato na chapa de Pedro Cunha Lima, não contará mais com o apoio do Republicanos.

E como a vaga de vice-governador de João Azevedo foi oferecida a Efraim, o Republicanos passa a ter legitimidade para reivindicá-la. Adriano Galdino continua a ser o único candidato a candidato, mas já começa a acumular antipatias. Daniela Ribeiro já fez circular que pode começar a trabalhar contra a candidatura de Galdino. O deputado estadual campinense Manoel Ludgero aproveitou a situação para declarará que se o candidato for Adriano Galdino ele abandona a candidatura de João Azevedo.

Ao terminar esse texto, uma dúvida emergiu: Hugo Mota, cujo pai é prefeito de Patos, o maior colégio eleitoral do Sertão, está mesmo fora dessa disputar? Todo mundo aqui já ouviu falar na expressão em latim tertius?

Deputado desafia João Azevedo: “se me pedirem para deixar Efraim, deixo o governo”

O deputado estadual Taciano Diniz, do Vale do Piancó, do União Brasil, deu uma declaração à rádio Arapuã que obriga o governador João Azevedo a tomar uma atitude: “Se for para deixar (a candidatura de) Efraim, deixo o governo.

Mais do que as palavras, o tom usado pelo deputado foi de desafio. Sobretudo, por que as palavras do deputado estadual foram proferidas depois de ter ido ar uma matéria que cobriu a filiação ao União Brasil de futuros candidatos a deputado, que aproveitaram para prestar apoio à candidatura do deputado federal Efraim Filho ao Senado. Ao final, Efraim foi entrevistado e praticamente antecipou seu destino político: ser candidato a Senador na chapa do tucano Pedro Cunha Lima.

Obviamente, ninguém é obrigado a votar em quem não deseja, sobretudo se o candidato rejeitado for de outro partido. Pressupõe-se, entretanto, que o governador lidere um agrupamento político que deseja continuar governando a Paraíba e, para tanto, como é óbvio, precisa vencer a eleição.

Tudo bem que João Azevedo não anunciou oficialmente quem será seu candidato ao Senado, apesar das evidências de que o nome escolhido será Aguinaldo Ribeiro. Tudo indica que Efraim Filho anunciará sua decisão até o fim dessa semana.

Quando o fizer e a tendência se confirmar, Taciano Diniz vai continuar equilibrado nas duas canoas, usufruindo o bônus de ser governo num partido de oposição? E João Azevedo? Vai permitir esse arranjo?

Ou vai testar se é verdadeiro o adágio popular segundo o qual onde passa um boi passa uma boiada? Aguinaldo e Daniella Ribeiro querem saber.

Cai última cautelar contra Ricardo Coutinho

Pesava contra o ex-governador Ricardo Coutinho as restrições de uma última medida cautelar que limitava sua liberdade de movimento, que, caso mantida, afetaria fortemente a igualdade de condições durante a campanha eleitoral que se aproxima.

Em decisão tomada hoje, o ministro Gilmar Mendes, da Suprema Corte brasileira, estendeu a Ricardo Coutinho o direito, já concedido a outros investigados na Operação Calvário, de se ausentar da comarca de João Pessoa sem pedir autorização judicial e sem limite de tempo, antes estabelecido em sete dias.

Com essa decisão, cai a última das medidas cautelares impostas ao ex-governador pelo desembargador Ricardo Vital, logo após o habeas corpus concedido pelo ministro do STJ, Napoleão Nunes Maia, dois dias após a prisão de Ricardo Coutinho, em dezembro de 2019.

Com essa decisão, Ricardo Coutinho ganha não só liberdade de movimento para ir aonde desejar, dentro ou fora da Paraíba, como acrescenta mais uma vitória judicial às várias conquistadas nos últimos meses, na luta para demonstrar sua inocência das acusações que lhes foram feitas no âmbito da Operação Calvário.

Abaixo, trecho da decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF.